Posts Tagged 'Aldo'

Imagem do dia #155

Era Inverno e tínhamos chegado da praia na Ponto do Ouro. Já lá vão tantos meses… A casa era excelente… pena o casal de ratos que nos fazia umas visitas nocturnas. O jantar tinha de ser preparado!

Eis a divisão:

Alberto – (pseudo) culinária…

Aldo e Virgílio – fogareiro

Hugo – preparação dos camarões

Meninas – bem… ler revistas e ver televisão! 🙂

 

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O controlo

Há coisas que enervam mesmo o mais santo de nós! E, há coisas, que só podem acontecer em países como Moçambique!

Na quinta-feira passada ia a caminho de Maputo no PUTCO, a linha regular de machibombos (autocarros) que liga Chókwè à capital moçambicana.

Os controlos policiais são uma constante na estrada. Em parte, é uma herança do período da Guerra Civil onde era preciso controlar a movimentação de pessoas, bens e militares/guerrilheiros. Em parte, devido ao excesso de zelo que a Polícia tem sobre os condutores… especialmente se forem estrangeiros!

Se a primeira parte do “em parte” já não faz sentido, a segunda parte do “em parte” é um excelente pretexto para se passar uma multinha (que muitas vezes são correctamente aplicadas). É um excelente pretexto também para se conseguir um “refresco“. Ou seja, corrupção em todo o lado!

Como estava a descrever, na quinta-feira ia o machibombo a chegar a Marracuene, uns 30 e poucos quilómetros antes de Maputo, quando somos mandados parar pela Polícia.   A princípio pensei que fosse devido ao excesso de velocidade que o autocarro levava. Mas não, não foi devido a isso! E, afinal, quem nos mandou para foi o Exército e não a Polícia. Entraram no autocarro. Percorreram o corredor central de uma ponta a outra. Dois militares fardados e um, ao que parece, à civil.

Não está aqui o meu irmão” – foi a frase que o militar à civil pronunciou. Voltou para trás e o militar fardado disse:

Vai-lhe pedir a identificação” – ordenou um militar ao outro.

Não liguei muito à conversa até o tal militar à civil se ter aproximado junto de mim e me perguntar:

Desculpe, será que me poderia mostrar a sua identificação?

É o cúmulo! Eu fui o único a ser identificado e era, também, o único branco no autocarro!

Fiquei chateado, é certo, mas não tinha outra opção. Sou estrangeiro e eles são a autoridade!

Apenas perguntei porque razão teria de ser eu o único a mostrar o meu passaporte. A resposta foi uma estranha:

Quer que eu mostre a minha identificação também?!

Dei o passaporte para a mão. Em vez de verificarem se estava legal em Moçambique, ou seja, se tinha o visto em dia e os selos no passaporte, não! Foram ver o meu nome e a minha fotografia! Bem que o passaporte podia ser falso que nunca iriam dar conta!

Mas, a saga continua…

O polícia manda parar o carro que eu conduzia. Seria normal que me quisesse fazer um teste de alcoolémia. Era sexta-feira e eu tinha saído de um bar. Mas não. Um dos faróis do carro estava fundido. Saí do carro para verificar. Aqui, o polícia não esteve com meias medidas:

Senhor Alberto, sabe que podemos resolver isto de outra maneira!

Sim, mas eu quero saber quanto é a multa!

São 1000 Meticais, mas sabe que há sempre outra forma de sair daqui!”

Sim, mas eu quero mesmo pagar a multa. Chame lá o carro de patrulha para nos acompanhar à Esquadra.

Senhor Alberto, pague um “refresco” e poderá ir-se embora!

Apesar de descarado, não posso dizer que o polícia fora mal-educado. Voltei para dentro do carro e o Aldo iniciou um longo, longo discurso…

Sabe Senhor polícia, nós somos pessoas de princípios, e já poucas pessoas com princípios aqui! Por isso queremos mesmo pagar a multa!

O discurso continuou e eu e o Aldo estávamos dispostos a esperar o tempo que fosse necessário para que a patrulha chegasse.

O discurso continuou até que a parelha de polícias lá se apercebeu que da nossa parte não teria sorte e jamais veria um “refresco“!

Então… sigam lá!” – disse o polícia por último!

Não é de fazer perder a paciência a um santo?!

PS: até parece que nestes últimos posts tenho adoptado uma postura muito anti-moçambicana, mas tal não é verdade! O que é verdade é que atingi o ponto de saturação! Saturação para todo o tipo de faltas de educação que são tão comuns por aqui! Eles não querem aprender e levam a mal quando lhes ensinamos! Não há paciência que resista!

SUGESTÃO: sair de Moçambique regularmente!

Imagem do dia #111

Só faltavam 1000 kms…

Trilogia: carne + fogo-de-artifício + polícia

Há certas situações que têm de ser contadas! Especialmente se forem passadas em países que não o nosso.  O fim-de-semana passado prometia ser bem activo, com jantares, festas e passeios por Maputo à mistura! E activo foi ele… demais até!

SEXTA: no Paraíso das Carnes!

Na sexta-feira à tarde parti de Chókwè em direcção a Maputo com a nova voluntária que está em Xai Xai e que em Novembro virá trabalhar no orfanato onde estou. A Mariana já precisava de “banho de civilização”, pois desde o momento em que chegou até ao fim-de-semana passada (3 semanas), ainda não tinha saído do Xai Xai. A cidade é capital de província… mas deixa muito (tudo) a desejar! Como já devem ter percebido, ir a Maputo é, para os que vivem no meio do mato, uma grande necessidade e, ao mesmo tempo, um grande luxo!

Logo na sexta à noite estava marcado o jantar de aniversário do Aldo. Uma verdadeira mesa multicultural, onde as relações internacionais estavam a funcionar plenamente! Era em português, em inglês, em flamengo, em italiano… eram Portugueses, Belgas, Australianas, Suíças, Moçambicanos, Italianos… no fundo, uma micro Babel!

O restaurante, a Esplanada do Kalu’s, carinhosamente apelidada por nós de Paraíso das Carnes, é, como o nome indica, uma esplanada que tem lá dentro uma espécie de talho. Escolhem-se as carnes, os empregados vão grelha-las no centro da esplanada (estão a ver com que cheiro saem de lá as roupas?!?!?!) e depois trazem-nos o banquete à mesa!

Como devem imaginar, grandes jantares com muita gente são sempre propícios a que as “pontas” se desliguem “do centro” da mesa, acabando cada grupinho por seguir para um local diferente no fim da jantarada.

O meu destino foi um bar, Mafalala Libre, na Mao Tzé Tung, onde estava programado um concerto de Marrabenta, a música “nacional” de Moçambique, cantada pelo “pai” deste estilo musical. Entrámos, o ambiente estava porreiro e cedo se ouviram os primeiros acordes… é contagioso! Não dá para ficar sem bater o pé! A noite continuou com muita gente a mostrar as suas qualidades dançantes! Uma vergonha para os Europeus que “mal mexiam o rabinho”! 🙂

SÁBADO: o strip pirotécnico

A noite de sábado prometia. Há vários dias que se andava a programar esta noite. A grande atracção era o Luso. Não, não fomos à central de distribuição de águas! O Luso é um dos mais conhecidos cabarets da capital moçambicana. Situado em plena zona histórica da cidade, mesmo junto ao Porto de Maputo, o cabaret é ponto de encontro para grandes noites de diversão!

Há uns meses atrás, quando fui à Ilha de Inhaca, a viagem de barco foi única e exclusivamente sobre o strip “flamejante” que uma menina tinha apresentado no Luso. Todas as vezes que saímos em Maputo este espectáculo era assunto recorrente… tanto que para todos os que não assistiram da primeira vez ao show, uma visita ao fogo-de-artifício era quase obrigatório!

Nem mais, lá fomos nós! Não há diferenças de raça ou de classe… lá todos são iguais e há apenas dois tipos de pessoas: os que querem lá ir para ver o espectáculo… e os outros que vão lá para o engate!

Tinham-me avisado que o ambiente era pesado, mas eu queria ver como era! Logo à entrada uma menina faz-me uma primeira “inspecção”… “Perigoso…” foi o resultado da busca dela!

Seguimos para um local menos movimentado à espera do show. Enquanto esperávamos fomos todos (rapazes e raparigas) inspeccionados várias vezes! Se calhar elas queriam ver se tínhamos alguma arma preparada para disparar!!! 😉 São umas malandras! 🙂

O espectáculo lá começou! Varão, vela acesa, fogo, labaredas. Mais não posso dizer… isto é lido por crianças!!! Só posso afirmar que a técnica da stripper com a vela acesa era, de facto, FANTÁSTICA!

DOMINGO: Dia da Polícia

Com o fim-de-semana já a terminar, faltava-me a habitual saltada ao Game, o Jumbo cá da zona, para as compras do mês.

O meu passaporte e a carta internacional de condução tinham ficado na carteira da Rita. Ora bem, andava sem documentos nenhuns! Já ia a caminho do supermercado quando sou mandado parar pela polícia.

Bom dia, o Senhor cometeu uma infracção grave!” – disse o polícia.

EU? Onde?” – exclamei eu… mesmo desconfiando que tinha mesmo feito algo de errado.

Sim, virou à esquerda no final desta avenida na faixa onde tal não é permitido” – explicou, muito calmamente, o polícia.

Na realidade, fiquei a perceber para que servem as vias laterais da Avenida Salvador Allende. Tal como em Lisboa, na Avenida da Liberdade, esta grande avenida tem faixas laterais, separadas das faixas de circulação normais, para se proceder nas viragens à esquerda ou à direita. Com o erro assumido, não tive outra opção se não pagar a multa. Mas, ao contrário do que acontece em Portugal, as multas são pagas, pelo menos com esta polícia (espécie de PSP), junto do Comando Central. Para lá chegarmos temos de nos fazer acompanhar pelo polícia que nos multou! Aqui em Moçambique, a polícia é muito dada a favorezinhos e pequenos subornos (os refrescos como aqui se diz). A multa era de 2000 Meticais (mais ou menos 50 Euros), um preço elevado, mas que eu queria a toda a força pagar para não ter de dar um pequeno “refresco” ao polícia.

Se quer pagar temos de o acompanhar ao Comando” – explicou o polícia.

Com certeza, façam favor de entrar” – armei-me eu em esperto…

Entraram dois polícias, armados com as suas metralhadoras, para dentro do carro. Tenho que assumir que a ideia de viajar com duas armas nas mãos de dois polícias dentro do carro não é fácil!

Conversa puxa conversa, eles lá me perguntaram para onde ia. Disse-lhes que ia levar uma colega a Xai Xai e que depois seguiria para Chókwè. Disse, também, à espera que fizesse algum efeito, que trabalhava com Irmãs e com crianças órfãs (perdoem-me!!!). E não é que teve efeito.

Não entre no Comando… siga em frente! Sabe, Sr. Emanuel, há outra forma de contornar a situação” – disse um dos polícias de forma muito evasiva.

Ai sim? Qual” – pergunta retórica minha!

O Sr. Emanuel é que sabe!” – a resposta, estava-se mesmo a ver, era a pedir um refresco em troca da multa.

Não sei como consegui, mas encostei o carro, virei-me para trás e, vendo que a probabilidade de eles saírem do carro era muita, disse: “Só tenho 140 meticais aqui comigo. Mas isto é tão pouco…” Mais uns dedos de conversa e eles lá se conformaram com os 140 Meticais. É triste, eu sei, mas a vontade que eles tinham que eu fosse pagar de facto a multa também não era muita!

O Hugo e a Rita, que me seguiram desde que fui mandado parar, só se riam da situação! Embora reprovassem o refresco dado…

Mas, a saga policial ainda não tinha acabado! Não, há sempre uma segunda parte!

Já na estrada a caminho do Xai Xai, a Nacional 1, fui mandado para novamente no meio de uma povoação. Não sei se seria Palmeira ou 3 de Fevereiro, mas que vinha distraído na conversa era verdade!

Boa tarde! Convido-o a sair e verificar a velocidade a que entrou nesta localidade” – que convite tão amável por parte do polícia!

Entrei a 69 km/h quando o máximo era apenas 60. Desta não havia forma de me escapar à multa. Foram só 9 quilómetros/hora de diferença, mas não havia escapatória! 1000 Meticais de multa. Estes, pelo menos, passam recibo pelo que a probabilidade de o dinheiro ir parar a mãos sujas é menos provável!

Bem, já sei, quando vir a placa a dizer “proibido circular a mais de 60 km/h” vou-me lembrar sempre dos meus belos 1000 Meticais de multa!

Não paguei na primeira vez… paguei à segunda!

Como diz um amigo meu, “são vidas!

Diário de Bordo – Dia 1: se o elevador tivesse deixado…

Recentemente tive a oportunidade de fazer uma viagem de carro até Cape Town, África do Sul, na companhia de alguns amigos. Como forma de poderem acompanhar esta nova aventura de 4931kms, vou nas próximas semanas escrever um breve “diário de bordo” da viagem. O Dia 1 começa agora mesmo…

0 Km

 

A grande viagem até à Cidade do Cabo estava prestes a começar. À nossa frente tínhamos 2000kms até chegar à costa Atlântica. De um certo ponto de vista, a nossa viagem seria uma verdadeira coast to coast trip!

15 minutos antes das 5 horas da manhã, eu, a Andrea e o Aldo partimos de casa. Os raios de Sol ainda não cobriam os céus e um manto de fresca chuva cobria a cidade. A primeira paragem, ainda antes de deixarmos a capital moçambicana para trás, foi a casa do Martim. Esperámos, esperámos, esperámos… nada! 5.10h e nada… 5.15h e nada… Mandei uma SMS “O último a chegar paga o pequeno-almoço!”. Às 5.20h lá aparece o Martim… atrasado, mas apareceu! Se o elevador tivesse deixado ele estaria cá em baixo há muito mais tempo! Atafulhámos ordeiramente as malas na pequena mala do nosso super Suzuki Escudo e lá partimos em direcção à fronteira.

 Tudo lá para dentro!

  

Ressano Garcia e as centenas de quilómetros sentados

A passagem na fronteira, embora já muito além do nosso horário inicial, foi rápida. Até é de admirar, pois a uma sexta-feira o trânsito na principal fronteira terrestre de Moçambique é um autêntico caos! Do lado sul-africano, as cerimónias de carimbos nos passaportes também foram céleres.

À nossa frente estavam mais algumas largas centenas de quilómetros. As únicas paragens resumiam-se às áreas de serviço para reabastecer o depósito de gasolina.

 200... 300... 400kms

  

Joanesburgo… e as centenas de quilómetros sentados

Estrada, estrada, estrada… montanhas, montanhas, montanhas… campos, campos, campos… durante várias horas foram estas as vistas! Dos quatro passageiros a bordo, apenas eu e a Andrea tínhamos “autorização” para conduzir. De início tínhamos combinado que de 2 em 2 horas, mais coisa menos coisas, mudaríamos de posição, deixando um de ser piloto para passar a co-piloto. Mas, tudo não passou de uma fantasia nossa! Os turnos, sim, verdadeiros turnos de condução automobilística, passaram a ter a duração de 6 horas, o que dá uma média de 500kms a cada um. Um conduzia de manhã… o outro ficava com o turno da tarde. Os restantes passageiros, “parasitas” como vieram a ficar famosos, ora dormiam ora andavam de máquina em punho para registar a qualidade das estradas sul-africanas (diga-se, de excelente qualidade!).

Jo'burg à vista!

 

A meio dos primeiros 1000kms de viagem cruzámo-nos com a capital económica de África: Joanesburgo.

Jo'burg skyline

 

Ao longe um skyline de edifícios altos indicava que a grande cidade estava perto! Foi com alguma admiração, excitação direi eu, que constatamos a “maravilha” da arquitectura sul-africana nos arredores de Jo’burg… é o que dá passear na companhia de 3 arquitectos (desculpa Aldo, eu sei que não és arquitecto… mas para simplificar as coisas ficas neste lote!). Resumindo, durante cerca de 500kms os temas de conversa foram o GPS do Alberto e a arquitectura dos Sul-Africanos! Interessante, não?! 

Aldo 

Andrea

 

 

 

Bloemfontein… e as centenas de quilómetros sentados

Depois de Joanesburgo, o nosso destino final já se encontrava mais próximo: Bloemfontein.

A “fonte das flores”, tradução do Africânder para Português do nome da cidade, é a capital Judicial da África do Sul (recordemos que a África do Sul tem várias capitais). A cidade, fundada oficialmente pelos Britânicos em 1846, é, de igual forma, capital do Free State, uma das províncias que constituem este país.

Situa-se no meio do nada! Deserto praticamente! Não tem nada! Umas ruas “ao alto”, um casório extenso e nada mais. Não se passa nada nesta cidade e até os próprios habitantes reconhecem esta fama menos agradável de Bloemfontein.

Chegámos era já noite. Procuramos a guest house que previamente tínhamos visto na internet, descarregámos o nosso super guerreiro Escudo, fomos jantar e por fim estreámos as camas. O bem que soube uma cama ao final de 1000kms sentados! Uuhhfff…..

Pôr-do-Sol no Free State

Imagem do dia #088

Bons momentos à chuva… no Cabo das Agulhas!

No Cabo das Agulhas

Diz que é uma espécie de safari!

Sábado… calor… bom tempo… Maputo!

O dia tinha começado assim com um sol radioso num céu magicamente azul! A temperatura quente estava a convidar um mergulho no Índico! Como estava em Maputo (à custa das histórias fantásticas do meu carro!!!) decidimos ir à Macaneta, uma praia situada às portas da capital moçambicana. O trânsito infernal de Maputo fez das suas e atrasou a nossa saída para a praia! Nem mesmo indo por atalhos conseguimos sair mais cedo da cidade. O objectivo era chegar o mais rápido possível ao local onde se apanha o ferry para a praia. Mas o nosso plano deu para o torto! Umas nuvens vindas sabe-se lá de onde começaram a cobrir o céu e cedo tudo ficou nublado. O Aldo deu a ideia de irmos fazer um safari. Se bem que há bicharada em Moçambique, safari à sério só na Gorongosa (um parque nacional que se situa em Sofala, no centro do país) ou então no Kruger, na África do Sul. Mas o Aldo garantia que havia um parque nos arredores de Maputo, pertinho do local onde nos encontrávamos, e que tinha, entre outros, girafas e búfalos. A outra opção, avançada por mim, era voltarmos para trás, conduzir em direcção à fronteira com a Swazilândia e visitar uma enorme barragem (a dos Pequenos Libombos) que abastece a cidade de Maputo. Dado o avançado do horário, os três molungos, eu, o Aldo e a Karen (colega de trabalho do Aldo), decidimos o safari! E que safari!

O parque, tão bom que era que nem do seu nome me lembro, fica perto de Maputo e prometia uma experiência muito agradável. Cada pessoa pode conduzir o seu próprio carro pelos caminhos do parque e procurar os animais à vontade.

No pseudo safari so vi isto...Chegamos! À entrada duas avestruzes davam as boas vindas! De carro percorremos os vários trilhos do parque… 5 minutos e só tínhamos visto a placa a dizer “safari e restaurante”; 10 minutos e estávamos no meio da vegetação; 20 minutos e continuávamos sem ver bichos nenhuns… 30 minutos e encontrámos as primeiras marcas de animais!!! UAU!!! Meia dúzia de cagadelas de bicho! Foi a histeria! Pena ao final de 1 hora às voltas não termos visto nada! Nikles, rien, nothing! Só árvores e uma galinha-do-mato! Pensei para mim “se calhar andaram a mostrar o Madagáscar à bicharada e agora emigraram todos para a ilha!

 

A pseudo manada...No final deste “diz que é uma espécie de safari num sítio onde não existem animais e onde o que se vê são apenas pombos (o que eu não considero animal tropical nem de savana)” acabámos por encontrar o restaurante! E para surpresa das surpresas ali estavam eles! Sim senhor, uma GIGANTESCA manada de 3 búfalos (até que pareciam três vacas pintadas de preto) e um crocodilo que quero acreditar que tenha sido comprado no Toys “R” Us!!!

Saímos do parque e eu ainda tive tempo para perguntar ao porteiro onde estavam os animais. “Deviam estar escondidos entre a vegetação” disse o senhor! Tu queres ver que as girafas andam a brincar às escondidas connosco?!

O pseudo crocodilo...

Como ainda era cedo resolvemos optar pela segunda opção do dia: a barragem dos Pequenos Limbombos. Entretanto o Martim (colega INOV Artes) juntou-se à trupe. Como já passava das 14 horas decidimos parar numa área de serviço à saída de Maputo para comprarmos algo para almoçar, mas, mais uma vez, os nossas planos saíram furados! Como pensávamos que o Martim ainda não tinha almoçado e como ele tinha estado doente nos dias anteriores, resolvemos mudar o local do almoçareco e parar no Shoprite, um complexo de lojas na cidade da Matola (equivalente à cidade do Barreiro para quem vivem em Lisboa), muito ao estilo shopping outlet em Portugal. Parámos, fomos ao Mundus (uma cadeia de restaurantes sul-africana) e pedimos o almoço. TODOS à excepção do Martim que, afinal (!) já tinha almoçado! A conversa alongou-se e quando demos conta já passavam das 16.30h o que nos impossibilitava de ir à barragem e voltar ainda de dia!

Regressámos à metrópole maputense e acabámos a noite no Gil Vicente.

No dia seguinte, Domingo, as nuvens continuaram a tapar o sol. Estava frio em Maputo!

Sem nada de especial para fazer fomos almoçar ao Mercado do Peixe. O Mercado do peixe é mesmo um mercado, onde cada um pode comprar o peixe ou marisco que quiser, e depois manda cozinhar num dos muitos restaurantes que existem dentro do mercado.

Mercado do Peixe

 

Estão a ver o que são vários vendedores atrás de nós com peixes na mão?

Compre aqui patrão

Peixe fresquinho

Olha a melhor lagosta do mercado

Camarão Tigre barato

O Martim andava numa saga para comprar lagostas… foi a uma banca, foi a outra, voltou à mesma, perguntou aqui, perguntou ali… nunca mais acabava o negócio!!! Como não sou amantes desse tipo de bichos com corninhos e patinhas que picam fiquei-me por um bom peixe grelhado!

A espera no restaurante foi muuuito longa e a música de fundo ao vivo transportávamo-nos para aquelas cenas típicas de casamentos! Só faltavam os noivos! 😉

Pela cara do Filipe (Colega INOV Mundus), da Karen e do Martim a lagosta estava mesmo muito boa! 😉

À noite, já cansados e sem nada para fazer, resolvemos ir ao cinema. Ainda há algumas salas em Maputo (uma das quais da Lusomundo) mas a nossa escolha recaiu num cinema indiano.

O filme, Om Shanti Om, verdadeira paródia à indústria de Bollywood segundo a crítica especializada, foi um sucesso de bilheteira. Sim, foi um sucesso de bilheteira porque a película foi lançada em 2007… mas só agora chegou a Moçambique!

Um par e meio de horas depois lá saímos da sala, ainda meio tontos com tantas beldades indianas, cor, dança, brilho e música! Ah, e o mais engraçado de tudo foi a parte das legendas. O filme é legendado em Inglês, já que é falado em Híndi, e depois, por baixo da tela, surgem umas legendas manhosas em Português. Além destas serem movidas manualmente, ou seja, está alguém a girar o rolo que contém a legenda em Português, os erros gramaticais são abundantes e, quando não podem ser apagados, pois foram escritos numa máquina de escrever, são riscados e esses riscos aparecem lá!!!

Fantástico!

Cena do filme "Om Shanti Om"

 

Em nota de rodapé tenho a dizer que me tornei fã de Bollywood! 😉


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