Posts Tagged 'Chiaquelane'

Imagem do dia #151

Que a imaginação das crianças é fértil já sabíamos… e que se adapta às tendências da moda também não é novidade!

Pois bem, no Orfanato de Chiaquelane, onde passo muito do tempo do meu trabalho, os mais pequenos “montaram” uma fábrica de telemóveis! Sim, telemóveis!

São leves, elegantes, não consomem nenhuma bateria e vêm carregados com todas as funções que a nossa imaginação quiser!

Eis os telemóveis do futuro… os telemóveis de papel do Orfanato… alô?

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Imagem do dia #112

A minha mãe visitou-me recentemente! Ficou encantada com a Lulucha, uma menina do Orfanato…

Quem quer ser Presidente?

Hoje foi dia de eleições.

A cidade acordou muito calma. Confesso que estava à espera de grande agitação por parte das diferentes caravanas políticas… mas, enganei-me! Não houve festa, nem mesmo depois do fecho das urnas. Ao contrário de Portugal, o dia de eleições em Moçambique tem lugar a um dia de semana. Uma grande razão leva a que a cruzinha no boletim de voto tenha calhado a uma quarta-feira: caso o dia do escrutínio tivesse sido a um Domingo, muita da população não teria ido votar. Ficariam em casa ou a trabalhar nas suas machambas (hortas). Sendo a um dia de semana, em que a população se desloca para trabalhar, o Governo decreta dia de tolerância e todos podem faltar ao trabalho para exercerem o direito de cidadania. Na prática, é mais um dia de feriado!

Fiquei também surpreendido com o cumprir religioso do dia de reflexão. Não houve manifestação nenhuma no dia anterior às votações! Um comportamento extremamente civilizado quando comparado com as cenas de pancadaria e violência com que as várias caravanas nos presentearam ao longo da campanha eleitoral.

Hoje, entre a estranha calmaria em Chókwè (tanta calma que quase nenhum chapa circulava) dava para ver os dedos pintados de preto. Cada eleitor, depois de votar, molha o dedo indicador direito em tinta preta, uma forma muito prática de garantir que ninguém vota duas vezes! E como a tinta é de alta duração, a possibilidade de alguém colocar uma cruzinha pela segunda vez é, praticamente, nula.

Muito presentes foram, também, os observadores internacionais. Todas as instituições reconhecem a evolução de Moçambique nos últimos anos. Apesar de só há pouco mais de 10 anos estar consagrado constitucionalmente em Moçambique um regime multipartidário, o país tem mostrado avanços na cidadania política. É verdade que Moçambique continua a ser governado pelo mesmo partido desde a transferência de poderes em 75, é verdade, também, que há desigualdades de acesso ao poder, que o partido é confundido com a política e que o cartão do partido abre muitas portas ao seu portador. Mas, como me dizia hoje alguém na Aldeia de Chiaquelane “só quando nós formos para debaixo de terra Moçambique será uma grande Nação! Quando os velhos morrerem, quando acabar a corrupção… os mais novos como o Zézito [um dos alunos do Orfanato onde trabalho] serão a nova força do país!“.

Aqui está uma mensagem cheia de esperança! A juventude!

Vamos confiar que o novo Governo saído destas eleições (Moçambique pauta-se por um sistema Presidencialista, onde todo o poder emana do Presidente da República, ao contrário do sistema híbrido português, onde se misturam os poderes do Presidente da República e do Governo, eleitos separadamente, mas onde há uma forte influência do Parlamento) venham pôr ao dispor da juventude todos os meios para que esta possa ser uma força activa no futuro, uma força capaz de mover este país, que ajude na real erradicação da pobreza, do HIV/SIDA e da malária; que lute por uma distribuição equitativa da riqueza pela população e que ajude no rápido desenvolvimento do país como um todo, e não apenas da região sul onde se situa a capital.

Vale a pena recordar que em 1960, Moçambique era um dos mais desenvolvidos e ricos Estados de África. Vale a pena pensar que muitos dos planos de desenvolvimento do país ainda podem ser reaproveitados; vale a pena pensar que Moçambique pode saltar do fundo da lista dos países mais atrasados e subdesenvolvidos do Mundo. Vale a pena apostar em Moçambique!

 O bem do país é o que todos desejamos… quem será o próximo guia?!

Quem será o próximo guia?

Imagem do dia #101

Já que vivo no meio do mato… às vezes também vou acompanhar as vacas no seu banho “anti-pulga” quinzenal!

As vaquinhas!

Tu também tens uma vaca?!

Tu também tens uma vaca em casa com o teu nome?

Pois, aqui em Moçambique parece ser uma tradição! Cada vaca que nasce tem direito a ser “baptizada” com o nome de alguém. Engraçado, não?

Aqui no Orfanato às vezes confundo-me quando estou perto das vacas. “Olha, lá vem a Paulinha!” Ainda penso duas vezes se quem vem é mesmo a vaca ou a Paulinha! 🙂

Em Moçambique ter uma vaca é um estatuto social, especialmente nas zonas rurais como o Chókwè ou Chiaquelane são. O gado é um bem precioso pois é o garante de alimento em caso de escassez de produto. Algumas vezes é possível extrair leite. Sim, algumas vezes apenas porque aqui o gado bovino é muito dado às magrezas! Devem ir muitas vezes ao Tallon!

Mas, se ter animais em casa é sinal de uma boa posição social, não os ter significa que a pessoa é pobre. Infelizmente, apesar de existirem muitas vacas por estas bandas (assim como cabritos e galinhas), estas encontram-se nas mãos de poucas pessoas.

Há dias morreu uma cabeça aqui no Orfanato. Quando cheguei ao curral e vi uma vaca castanha clara deitada no chão, de olhos revirados e língua de fora, só me deu vontade de rir. É mórbido, eu sei, mas aquela imagem parecia tirada de um cartoon qualquer! Na realidade, a vaca além de já ser velhinha,  estava doente há muito tempo.

“Irmã, o que faço com a vaca?” – perguntei ao telefone à Irmã Isaura que se encontrava fora nesses dias.

“Vou ligar ao veterinário e já lhe digo algo” – foi a resposta dela.

Esperei e o telefone tocou: “É para queimar a vaca e enterrar os restos“. E assim se fez… ou quase!

Fui comprar a gasolina e pedi para trazerem a vaca para um buraco na terra. Como já era tarde deixei a gasolina no Orfanato e segui para casa, dando ordens para que a vaca fosse queimada e depois enterrada…

No dia seguinte cheguei ao Orfanato e perguntei pela pobre da vaca. “Está lá!” – respondeu o Vasco. Como já devem ter percebido, o “” é uma expressão muito utilizada por estas bandas. Como era um “” curto deduzi que a vaquita estava por perto. No caminho perguntei se a vaca tinha sido TODA queimada e a resposta foi uma engraçada “há-de ver com os seus olhos Mano Beto!

O que será que tinha acontecido à vaca? Eu disse que ninguém podia cortar a carne porque a vaca morreu doente e tinham sido essas as ordens do veterinário. Para espanto meu lá estava a vaca: continuava deitada no chão, de olhos revirados e língua de fora mas, desta vez, ainda tive mais vontade de rir!!! A VACA NÃO TINHA PERNAS 😉 Estava sem as quatro pernas. Por momentos pensei “será que sem pernas a vaca arde melhor?!?!?!?” Claro que não!

Durante a noite alguém veio e cortou cirurgicamente as quatro pernas. Garantiram-me que não tinha sido ninguém do Orfanato, mas sim alguém de fora. Depois das gargalhadas por ver uma vaca sem pernas e supostamente queimada (porque razão 5 litros de gasolina só deram para chamuscar o rabo do bicho?) pedi aos meninos que estavam lá para informar os “ladrões” que se comessem aquela carne iam morrer tal e qual a vaca!

Mais umas gargalhadas… umas graçolas com a vaquita e lá a levaram para outro sítio para ser devidamente enterrada!

Estejas onde estiveres Vaca, nunca mais vou esquecer da cena… sem as pernas!

As vaquinhas!

Imagem do dia #069

Escola Primária de Chiaquelane. Da 1ª à 4ª classe debaixo de um cajueiro.

Escola Primária de Chiaquelane

Imagem do dia #036

Ainda nos queixamos que em Portugal as crianças passam frio na escola…

Escola Primária de Chiaquelane


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