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A capa do jornal “O País” de 12 de Novembro. Vitória clara!
Capa "O País" de 12 de Novembro
Distribuição mandatos no Parlamento
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Guebuza ganha com 75 por cento quando estão contadas 90 por cento das mesas

Armando Guebuza, Presidente da República moçambicano e candidato a um segundo mandato, deverá ganhar as eleições presidenciais moçambicanas com mais de três quartos dos votos, uma votação idêntica para o partido que representa, a FRELIMO.

Quando estão contadas quase 90 por cento das mesas de voto (11.357 de 12.699 mesas), os dados do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) indicam que Armando Guebuza tem 76,3 por cento dos votos, contra 14,9 por cento de Afonso Dhlakama, líder da RENAMO, e 8,8 por cento de Daviz Simango, presidente do MDM.

Os moçambicanos foram quarta-feira da semana passada às urnas para escolher o novo Presidente da República, mas também os deputados à Assembleia da República e os deputados às assembleias provinciais.

FONTE: Agência Lusa

Passou o 1º mês!

E como passou rápido este mês.

O trabalho está a correr…devagarinho, mas está a correr! São tão lentas as coisas aqui. As pessoas são lentas, o tempo às vezes passa devagar também.

Um mês depois de chegar instalei-me na minha casa. A minha palhota de luxo! 😉

Uma das coisas mais interessantes a que posso assistir aqui é a forma como a sociedade está organizada. No sul de Moçambique o lado masculino é o mais importante. Já no norte, a mulher tem mais preponderância na sociedade. Esta forma matriarcal e patriacal de organizar a sociedade abriu fendas na unidade do país. No norte, o homem está em segundo plano na família (por exemplo, quando alguém se casa, o noivo passa a viver com a família da noiva e os seus filhos são considerados como parte da família da noiva. Se o pai ou a mãe morrer, os filhos ficam sempre na “posse” da família materna). No sul, a sociedade é organizada no sentido oposto. É em torno do homem que a sociedade gira. A mulher é relevada para um plano secundário.

Há, também, uma divisão política grande entre o norte e o sul de Moçambique. FRELIMO e RENAMO, os dois grandes partidos políticos moçambicanos, repartem as suas forças pela geografia do país. O sul é claramente pró-FRELIMO, ao passo que o norte é pró-RENAMO. Aliás, foi da Província de Gaza, no sul de Moçambique (onde vivo), que as grades figuras da FRELIMO nasceram e foram criadas. É, portanto natural, que esta seja uma zona onde a RENAMO não tem expressão política minimamente relevante. Maputo é governada por um político da FRELIMO e a cidade da Beira, a segunda maior e mais importante cidade do país, é liderada por um político da RENAMO. As diferenças entre as duas cidades são abismais e uma das razões que pode explicar o atraso da cidade da Beira é, por exemplo, o facto de este distrito ser governado pela RENAMO. As diferenças entre RENAMO e FRELIMO não desapareceram após a Guerra Civil. O Governo Nacional é FRELIMO… parece fácil perceber o jogo de influências e teias políticas que existe por estas terras!

Os próprios costumes e tradições da população variam consoante as diferentes regiões. A diversidade linguística e étnica é impressionante. Esta diversidade, na qual a Língua Portuguesa funciona como elo unificador, pois sem ela não haveria forma de estabelecer uma comunicação inteligível para toda a população, é resultado da divisão a “esquadro e régua” que os europeus fizeram em África. De facto, em toda a África podem-se contar pelos dedos de uma mão os países que gozam que uma unidade cultural, linguística, religiosa e étnica estável.

Há poucos dias estive num jantar e discutimos a sociedade moçambicana com alguém que verdadeiramente percebe destas coisas. Rita Sequeira é antropóloga e é responsável pela intervenção comunitária na região de Chókwè no que diz respeito à prevenção da malária. O seu conhecimento da sociedade e dos seus costumes é profundíssimo. Segundo ela, todos estes processos que agora têm lugar em Moçambique são fases de evolução da sociedade. “Nós, na Europa, também tivemos uma sociedade assim!” – rematou a Rita. Mas, para podermos perceber um pouco melhor o estado da sociedade, chegamos à conclusão que este mesmo estado, digamos primitivo/em fase de evolução, da sociedade moçambicana ocorreu há cerca de 300 anos na Europa! É um fosso muito grande! Porventura, graças à globalização, não serão precisos 300 anos para a sociedade local atingir um novo patamar de desenvolvimento, mas a certeza é que o processo será muito lento. A tradição e os costumes são elementos que resistem à mudança, e mudança é o que este país mais precisa!


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