Posts Tagged 'Economia'

Imagem do dia #150

O céu parece tirado de um quadro de algum pintor de renome… azul carregado… nuvens realistas… contudo, a parte de baixo não saiu de nenhuma obra prima do século XVII, XVIII ou XIX! É a imagem da realidade! A realidade de um país africano, Moçambique!

No interior árido da Província de Gaza, relativamente perto de Maputo, a civilização está a séculos de distância. Não há nada e as pessoas sobrevivem em situações limites.

Ainda corre tinta rosa na Julius Nyerere…

Subliminal messages in maputo por Andrea Portugal.

Portugal na TV Moçambicana

Hoje tive um privilégio especial: ver o telejornal às 20h!

Sim, um privilégio porque não tenho televisão em casa e já que estou fora aproveito para ter acesso a este luxo!

Os 45 minutos do Jornal da Noite do canal privado STV deram bastante destaque a Portugal.

José Sócrates está, como todos devem saber, de visita oficial a Moçambique. Hoje, o Primeiro-ministro visitou a Barragem de Cahora Bassa (a 5ª maior barragem hidroeléctrica do mundo construída por Portugal ainda antes da independência do país).  A barragem, que é a principal de Moçambique e de onde parte a espinha dorsal da distribuição eléctrica moçambicana, está localizada no centro de Moçambique, Província de Tete, e foi detida até 2006 na sua maioria (82%) pelo Estado Português. Hoje a situação é inversa, tendo Portugal apenas 15% do capital da hidroeléctrica.

Outra reportagem destacava o facto de em Portugal os peões serem multados por atravessarem a estrada fora das passadeiras. Segundo informava a notícia, vários especialistas aplaudiam a medida mas salvaguardavam que esta não poderia ser introduzida em Moçambique pois não existe no país uma política de sensibilização rodoviária à população em geral. Foram ainda comparadas as taxas de atropelamentos entre os dois países. Uma diferença abismal de várias centenas de vítimas de diferença desfavorável, claro está, a Moçambique.

Mais à frente no Jornal da Noite, de novo a notícia da constituição do novo Banco Luso-Moçambicano para o Desenvolvimento. Este, com um capital inicial de 500 milhões de US$,  poderá vir a financiar a nova travessia na Baía de Maputo, ligando a capital à vila de Catembe.

Fim do capítulo Portugal com a notícia que tinha sido hoje assinado um acordo na área das tecnologias de energias renováveis entre os dois países.

A publicidade a Portugal, onde se mostrou muito o poderio económico (!) da antiga potência administradora, esteve em alta! Quem viu este Jornal da Noite nem sequer imaginou a crise económica que a velha metrópole atravessa nesta altura…

VER TAMBÉM: https://asuldomundo.wordpress.com/2010/03/03/caixa-geral-de-depositos-reforca-presenca-em-mocambique/
https://asuldomundo.wordpress.com/2010/03/03/socrates-inicia-hoje-visita-a-mocambique-acompanhado-por-52-empresarios/
http://www.stv.co.mz/stv/

Caixa Geral de Depósitos reforça presença em Moçambique

A CGD vai reforçar a sua presença em Moçambique, após um acordo bilateral hoje assinado entre o primeiro ministro português, José Sócrates, e o presidente moçambicano, Armando Emílio Guebuza.

O acordo, foi assinado em Maputo na sequência de uma visita do primeiro ministro português a Moçambique, vai permitir ao banco estatal ampliar a sua linha de crédito de 200 para 400 milhões de euros.

Esta linha destina-se ao financiamento de projetos de investimento em infraestruturas, assim como em empresas na área da energia, dos transportes, da saúde, da educação, da formação de capital humano, bem como no fornecimento de equipamentos e serviços de origem portuguesa.

FONTE: RTP

Sócrates inicia hoje visita a Moçambique acompanhado por 52 empresários

O primeiro ministro português, José Sócrates, está hoje em Moçambique numa visita oficial que durará até sexta feira, uma comitiva que integra seis ministros e 52 empresários.

A visita, a primeira ao exterior depois de ter sido reeleito, terá grande componente das relações económicas, estando previsto para dia 04 um Seminário Económico, destinado a empresários portugueses e moçambicanos.

Nesse mesmo dia, José Sócrates deverá ir ao Songo, província de Tete, à barragem de Cahora Bassa, onde o Estado português ainda detém uma participação de 15 por cento.

FONTE: RTP

A sorte e o azar de ser vizinho da África do Sul

Moçambique exporta mão de obra e “sabedoria” mas de resto é “incapaz de produzir um botão“. Tem a sorte de ter a África do Sul como vizinho, a quem compra tudo, e o azar de nada ter para lhe vender.

O diagnóstico é de Momed Yassine, professor e analista político, que em declarações à Agência Lusa considera que no contexto regional Moçambique tem alguma influência política e prestígio mas a nível económico é quase nulo, e diz que será assim nos próximos anos.

Pessimistas são também Abdul Magid Osman, economista e ex-ministro das Finanças, e Nelson Saúte, sociólogo, que frisam que ainda hoje o país, com exceção do açúcar, não atingiu os níveis de produção de bens tradicionais anteriores à independência.

FONTE: Agência Lusa

CTT de volta a Moçambique!

Boas notícias para um país que precisa urgentemente de um sistema de distribuição de correio eficiente, moderno e capaz de responder a todas as necessidades da população!

Os CTT, os Correios Portugueses, vão iniciar a sua internacionalização com a entrada em Moçambique prevista acontecer até ao próximo mês de Junho. Angola, segundo a notícia, poderá ser o segundo país africano a receber operações directas da empresa.

Actualmente, o serviço de correios em Moçambique está a cargo da empresa estatal Correios de Moçambique, EP. A empresa é conhecida pela fraca prestação de serviços. Os correios moçambicanos utilizam, na sua grande maioria, os antigos edifícios dos CTT do período de Administração Portuguesa.

Na foto, o edifício dos CTT em Chókwè, Província de Gaza, ainda ostentando as antigas insígnias coloniais.

A notícia completa pode ser lida aqui.

Ver também: http://asuldomundoimage.wordpress.com/2010/02/05/o-marco/

Imagem do dia #132

5 euros… 200 meticais

O Metical, moeda moçambicana desde 1980, substituiu o Escudo Moçambicano. O Escudo Moçambicano foi introduzido durante o período colonial como a moeda da África Oriental Portuguesa, tendo, mesmo após a independência em 75, ficado indexado ao Escudo Português. Recentemente, o Banco de Moçambique introduziu uma nova família de Meticais, eliminando os últimos três zeros do valor da moeda/nota. Desta forma, 1000 Meticais antigos equivalem a apenas 1 Metical novo.

O elo que faltava

Capa da edição de 31 de Julho do jornal "O País"Moçambique encontra-se dividido geograficamente em três grandes regiões: o Sul, constituído pelas Províncias de Maputo-Cidade, Maputo, Gaza (onde eu vivo) e Ilhambane, o Centro, constituído pelas Províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia, e, finalmente, o Norte, Províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa . A atravessar o país encontra-se o Rio Zambeze, um dos maiores de África e que até ontem (1 de Agosto) funcionou como barreira física entre o norte e o sul do país.

O Rio dividia o país em dois: o sul, consideravelmente mais desenvolvido, e o norte menos desenvolvido mas com um potencial turístico enorme. Contudo, faltava ao país completar a sua espinha dorsal: os 2,4 quilómetros de largura de rio que separavam as duas margens eram o elo em falta para completar o percurso da Estrada Nacional 1.

A construção de uma ponte a ligar os distritos de Caia (Sofala) e Chimuara (Zambézia) não é uma ideia recente. Ainda durante o período de Administração Portuguesa, nos anos 70, o famoso Eng. Edgar Cardoso apresentou uma proposta para a construção de uma ponte que acabasse com a necessidade de se recorrer a batelões para atravessar o rio. Em 1977, já com Moçambique independente, o Governo de Samora Machel deu ordem para as obras avançarem, contudo, passados apenas 4 anos,  os trabalhos foram interrompidos devido ao início da Guerra Civil. Em 1994, já com a Guerra terminada, o novo Governo de Joaquim Chissano volta a pôr a construção da ponte sobre o Zambeze no topo das prioridades. Sem grande sucesso, as obras foram-se arrastando devido à falta de fundos. Nem mesmo o pedido de ajuda monetária ao exterior funcionou. As más condições económicas do país levaram a que os sucessivos Governos revissem a prioridade da construção da ponte. Houve até um estudo de viabilidade económica, feito em 1999, que indicava que apenas em 2019 a construção da nova ponte seria economicamente viável.

Aos poucos, as ajudas internacionais começaram a aumentar e o sonho da construção da nova ponte voltou a ser possível. Apesar dos esforços dos sucessivos Governos, apenas em 2004 o Executivo de Armando Guebuza decreta o Projecto da Ponte do Zambeze. A travessia tinha um valor calculado de 78 milhões de Euros (mais de 28 mil milhões de Meticais na altura) e foi financiada pelo próprio Estado Moçambicano e pelas agências de cooperação da Itália, Suécia, Japão, União Europeia e Banco Mundial.

O concurso público internacional para a construção da travessia seleccionou o consórcio Português Mota & Engil/Soares da Costa.

A construção daquela que é considerada a maior obra pública do pós-independência contou com uma força de cerca de 500 homens.

Apenas dois anos e meio após o início das obras, a construção da ponte é concluída. Este feito, considerado vital para o desenvolvimento de Moçambique, vai pela primeira vez ligar o país de norte a sul por estrada asfaltada.

A obra em si

Construção da Ponte. Fonte: Jornal O PaísA nova Ponte sobre o Rio Zambeze, baptizada de Ponte Armando Emílio Guebuza, em homenagem ao actual Presidente da República, tem aproximadamente 2,4 quilómetros de extensão e 16 metros de largura. A nova travessia foi construída de forma a poder continuar a ser utilizada mesmo em caso de cheias (recorde-se que a região do Vale do Zambeze é propícia a cheias). A tecnologia empregue na construção desta ponte foi considerada “de ponta ao nível do continente africano“. Grande parte do equipamento utilizado foi importado da Europa.

Desafios e polémicas

Antigo batelão. Fonte: Jornal O PaísA nova travessia alterou o quotidiano das populações locais. Se durante o período de construção houve um aumento da taxa de empregabilidade e uma pequena explosão económica nas duas localidades onde a ponte começa e termina, hoje assistimos ao contrário. Os trabalhadores já abandonaram o local e o comércio que floresceu nas duas margens à custa do aumento de trabalhadores hoje não encontra mais procura.

Por outro lado, a nova ponte veio diminuir os tempos de ligação entre as duas margens e entre as várias capitais de província. Até ontem, a travessia era efectuada com recurso a um batelão. Em caso de avaria, a travessia de carros só podia ser efectuada por desvios que podiam levar dias a percorrer: um através da Província de Tete e outro atravessando o Malawi. Ambos implicavam várias centenas de quilómetros de desvio.

Como em todas as grandes obras, as críticas são sempre bem audíveis. No caso desta ponte, a principal crítica recai sobre o seu próprio nome! Afonso Dhlakama, líder do maior partido da oposição, a RENAMO, e concorrente às Eleições Presidenciais deste ano, afirmou recentemente “Eu não gosto de dar nomes, porque eu não sou comunista. Esta é a filosofia dos comunistas que (basta) construir um prédio, passa a ser nome do Presidente, construir uma barraca passa a ter nome do primeiro-ministro“.

 

Críticas à parte, a abertura da travessia trará benefícios evidentes para todo o desenvolvimento de Moçambique e para a “consagração da integridade territorial” de um dos mais estáveis Estados de todo o continente africano.


Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 44 outros seguidores