Arquivo de Abril, 2009

Imagem do dia #8

Coisinha linda!

Artemiza e Chelton

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Imagem do dia #007

A minha máquina, o meu chapa!

A minha máquina!

Coisas de homens, coisas de mulheres

Passei a barreira psicológica dos 15 dias e só agora é que me estou a aperceber disso!

Há tanta coisa sobre a qual eu podia falar, mas nem sei por onde começar! No orfanato as coisas começaram a ficar mais pesadas. Agora, além de “mano”, também sou tratado por “sr. Professor”! Começaram as aulas de apoio ao estudo! É preciso ter paciência de santo para “educar” aquelas crianças! A experiência, desastrosa por sinal (!!!), começou com as crianças da 2ª classe. Infelizmente, as turmas aqui em Moçambique são tão grandes (rondam os 50 alunos/turma na escola que eles frequentam) que acredito que os professores não possam dar a devida atenção a cada um. Basicamente, repetem-se uns aos outros! Conclusão: em vez de aprenderem a ler correctamente, apenas decoram os textos. Hoje, quando eu perguntei quem queria ler vi um mar de dedos e mãos no ar… mas, na prática, só a Dalva, uma das gémeas, conseguiu ler ser inventar, cortar ou saltar palavras e frases. Todos os outros já tinham pré-decorado o texto… o problema é que banana e papaia são palavras bem diferentes, mas para as crianças com texto decorado, banana e papaia lesse da mesma forma. Que raio de cidadãos está a formar este país?!

Uma das coisas engraçadas deste trabalho em Moçambique (acredito que noutros pontos do globo seja o mesmo) é o facto de que tudo o que mostramos ou fazemos é uma novidade para as crianças! A música, as fotos, os jogos, os costumes, os dizeres, a comida… tudo é um universo por explorar para as crianças!

Hoje, os mais velhos ficaram maravilhados com a quantidade de músicas que o meu computador tinha! E quando lhes disse para escreverem o nome de algum grupo na barra de pesquisa do Media Player parecia que lhes estava a fazer cócegas! Até medo de tocar nas teclas tinham!!!!

“Sim, basta clicares uma vez na letra que ela aparece no ecrã!” –  disse eu ao Bito. Os mais pequenos só querem ver desenhos animados!

Uma outra coisa interessante aqui é a forma como homens e mulheres dividem o seu trabalho!

“Vocês (rapazes) não fazem nada?!” – questão minha, em forma de pergunta retórica, para os rapazes mais velhos à hora de almoço. Na realidade, os rapazes “não mexem uma palha”! As meninas, mesmo as mais pequenas, servem o almoço a toda a gente, muitas vezes recolhem os pratos e, por fim, lavam a loiça! “São coisas de mulher!” – respondeu o Adriano…

À tarde estive a brincar à apanhada com os mais pequenos! Porra, as crianças correm que se fartam! Olha que para estudar não correm tanto! 😉 fiquei de rastos… era sempre eu a correr atrás delas! 😉

No Chókwé, 28 de Abril de 2009

PS: Andrea, prometo que para o próximo posto já não escrevo a data no fim 😉

Imagem do dia #006

O pôr-de-sol de hoje….

o-por-do-sol1

Imagem do dia #005

Em Maputo tudo se compra e tudo se vende. No meio da rua encontrei isto!

Perto do Pau Preto, o mercado de "recuerdos" de Maputo!

Aquele brilho que Lourenço Marques tinha

Maputo: Avenida 24 de JulhoPor momentos parece que recuei no tempo!

 

Lourenço Marques, 1960…

 

A capital de Moçambique é uma cidade completamente diferente do resto do país. Imagino o que teria sido no período colonial.

 

Maputo de hoje herdou esses traços de cidade moderna, cosmopolita e africana. O planeamento da cidade deixa muitas cidades europeias cheias de inveja. Avenidas largas, praças e jardins, filas de árvores, passeios largos. A cidade era preenchida por edifícios altos, muitas vezes com mais de 15 andares, o que lhe dá um ar jovem e muito urbano. Localizada junto a uma longa baía, a cidade estende-se ao longo de uma marginal ladeada de palmeiras e praias de perder de vista. Há 40 ou 50 anos atrás, Lourenço Marques era, sem dúvida, uma cidade com uma qualidade de vida muito boa. Geometricamente desenhada, tudo parece ter sido estrategicamente posicionado. A arquitectura colonial mistura-se junto ao porto com as alturas e traços dos prédios dos anos 60 e 70. Tirando as referências óbvias a Portugal, a cidade não tinha nada que a identificasse com as cidades da velha metrópole.

 

Entrada do Mercado Municipal de MaputoHoje, o espírito da cidade continua vivo, mas a guerra e o desleixo deixam a cidade com uma cara muito feia. Cicatrizes profundas que assustam qualquer um!

Maputo, capital da República de Moçambique, cidade com mais de 1,5 milhões de habitantes, é rodeada por uma mar de casas de palha, barracões e um trânsito infernal. As avenidas mudaram de nome. Os prédios de arquitectura vanguardista para a época em que foram construídos estão hoje ao abandono ou, então, num estado de degradação impressionante. A estrada marginal, que nos leva do interior da Baia de Maputo para o exterior da cidade, não passa hoje de uma estradeca subaproveitada.

Infelizmente, os habitantes da cidade não souberam preservar o esplendor que a cidade tinha. Lixo nas ruas, trânsito descontrolado, um péssimo sistema de transportes colectivos, peões com pouco civismo…

À mistura encontramos o oposto! Como em qualquer cidade do mundo, há sempre uma parte reservada aos mais ricos e poderosos. A zona central, com muitos cafés e restaurantes encontra-se minimamente apresentável. A comunidade de expatriados é grande, mas os pontos de encontro são sempre os mesmos. Há alguns clubes algo elitistas onde é difícil encontrar um cidadão moçambicano que esteja do lado de fora do balcão! Um desses clubes, um bar para ser mais concreto, está localizado precisamente no interior da estação de caminhos-de-ferro de Maputo. Um edifício com uma arquitectura colonial de se lhe tirar o chapéu, provavelmente uma das mais bonitas estações de comboios do mundo, onde é possível beber uma Manica (cerveja), ouvir boa música e ver os comboios passar! Um outro local de encontro da comunidade estrangeira, especialmente da extensa comunidade Portuguesa, é o Clube Naval. Junto à Baía de Maputo, com vistas espectaculares para a Ilha de Ilhaca e para o Índico, este é o clube da “crème de lá crème” da comunidade Lusa em Maputo.

Ao entrarmos na zona das embaixadas mais parece que estamos a abandonar Maputo. As avenidas continuam a ser largas, mas o trânsito diminui, o lixo desaparece e jardins de palmeiras dividem as faixas de rodagem. Realmente bonito!

 

Maputo está agora numa lenta transição. A mistura entre as bancas do mercado municipal, verdadeira jóia da arquitectura portuguesa, e as lojas do moderno, mas de gosto discutível, Maputo Shopping Centre, é sinónimo da transformação que se alastra pela cidade.

Uma outra coisa que qualquer estrangeiro irá notar ao circular em Maputo é a influência da ideologia comunista na cidade. Vladimir Lenin, Mao Tzé Tung ou Kim Il-Sung são nomes dados às principais avenidas de Maputo! O brasão de armas de Moçambique é, pasmem-se (!), uma réplica dos usados pelas ex-Repúblicas Soviéticas!

 

Ontem foi dia 25 de Abril… há muitos anos atrás, numa revolução que afinal foi um golpe de Estado, os dados da História definiram o futuro desta magnífica cidade. Daqui a menos de 2 meses festeja-se o dia da independência de Moçambique, o dia em que Lourenço Marques passou a designar-se oficialmente como Maputo, o mesmo nome do rio que desagua na baía da cidade.

 

Passaram 35 anos. A cidade mantém-se sobranceira ao Índico, mas perdeu aquele charme dos tempos idos. As paredes estão escuras, o chão está sujo. É preciso renovar esta cidade. É preciso limpar a cidade e trazer de volta aquele brilho que Lourenço Marques tinha!

 

Depois de Maputo tenho de ir visitar a grande cidade da Beira, mil e muitos quilómetros a norte da capital…

 

Em Maputo, 26 de Abril de 2009

A buzina está para o condutor, como a água está para a sede

Perigo na estrada!Os dias vão passando cada vez mais rápido!

Passou uma semana e confesso que na terça-feira passada tive uma “crisesita” de saudade, coisa pouca!

Hoje, pela primeira vez, não vou para a cama a pensar na minha casa nem nos meus amigos. É certo que penso em todos vós, no meu carro, na minha mãe, no meu pai, no meu irmão…em tudo e todos aí em Portugal (e também nos States (olá Sara!), nas terras de Sua Majestade (olá Su!), na minha querida Bélgica (olá João!) e na terra dos Czares (Privet Ruskii Druzia!)

Aproveito este tempinho livre (já devia ter ido para a cama…digamos, parafraseando a minha amiga Anabela, que para os padrões moçambicanos ando a deitar-me muito tarde!) para vos descrever, ou melhor, tentar descrever, o estilo ASSUSTADOR de condução em Moçambique!

Aqui, a buzina está para o condutor, como a água está para a sede!!!

Há certos “tiques” da condução moçambicana que me deixam realmente enervado. Ainda ontem, depois da viagem de Maputo para o Chókwé, cheguei a casa com vontade de mandar estes condutores para um sítio que todos conhecemos e que fica “abaixo de Braga”!

Para todos aqueles que dizem que os Portugueses são maus condutores… ui ui… nós parecemos uns santinhos à beira destes malucos! A situação agrava-se à noite…

Ora vejamos: regras para utilização do conjunto de luzes (mínimos, médios e máximos) não devem existir!!! Carros com luzes fundidas é o Pai Nosso cá da terra! Às vezes não se percebe muito bem quem vem em nossa direcção!

Três luzes brancas direitas a nós?! Não, não é uma carro e uma mota!!! Pode ser a combinação de dois carros, um a tentar ultrapassar o outro (tendo em conta que um deles só tem um farol a funcionar!); um camião que por não ver bem lembrou-se de acender uma luzinha extra (não vá aparecer uma vaca no meio da estrada); ou pode ainda ser um carro parado em contra-mão!

Não sei se aqui as pessoas sofrem de alguma doença nos olhos! É que conduzir com um carro atrás de mim com os máximos ligados e outro no sentido oposto também com eles ligados, faz-me um “bocado” de impressão à vista! O problema deve ser meu… tenho de mudar as lentes dos óculos! Já sei, vou passar a usar óculos de sol à noite!

Também não percebo a razão de irem vários carros seguidos e todos com os máximos ligados! Queres ver que uma fila de carros com os máximos ligados ilumina melhor o caminho ao da frente?!

Sinais de luzes. Servem para tudo! É pior que em Portugal! Às vezes dou por mim a aumentar o volume do rádio e a pensar que estou numa discoteca com luzes psicadélicas!

Faixas de rodagem e marcas no chão. Estas só podem ser facultativas!!! Ora conduzes à esquerda, ora saltas para a direita. Queres tu ver que eles andam revoltados com os sul-africanos por conduzirem à esquerda e agora querem mudar?! Traço contínuo? É apenas uma mancha branca estendida ao longo da estrada. Dá jeito para veres onde pões as rodas do carro quando estás debaixo do “fogo cruzado” de vários faróis ligados nos máximos ao mesmo tempo!

Conduzir no meio da estrada: deve ser para poupar as bermas. Vá, vou ter de lhes dar razão… é que há muitas pessoas a circular nas bermas, pelo que é mais seguro andar no meio da estrada!

Pneus e mecânicos. Eu acho que todos os Moçambicanos nascem com uma veia de mecânicos no sangue! A ver pela quantidade de carros e pneus que se furam ou “fogem” da jante, acho mesmo que apanhar alguém que não saiba mudar um pneu é obra!

E por falar em obras, obras na estrada. Os Alentejanos à beira destes são ultra-rápidos. Já estou aqui há uma semana e as obras para alcatroar um buraco que existe perto do orfanato persistem… o buraco, verdadeira cratera de um meteorito gigante que deve ter caído e ninguém se apercebeu, rasga a estrada nos dois sentidos, mas não tem mais do que 2 metros de extensão. Não vou exagerar se disser que para tapar o buraquito estão todos os dias a trabalhar mais de 10 pessoas em simultâneo: uma controla o trânsito, outra alisa o buraco (!!!) e os restantes, todos homens, ficam a olhar! A culpa de quem é?! Das mulheres que não são capazes de fazer o trabalho de uma forma rápida…!!!

Bicicletas e motos. Circulam em todo o lado, independentemente da faixa de rodagem! Deve ser uma espécie de Jogos Sem Fronteiras. Eu sou da equipa Portuguesa (os verdes escuros) e tenho de derrubar os mecos que vêem na direcção oposta… os mecos podem ser a equipa Moçambicana (os vermelhos).

E por fim…os insectos! Ainda hoje matei umas largas centenas deles com o carro! Será que existe o termo insecticídio?! São tantos tantos tantos que o vidro do carro fica quase opaco!!! É verdede, eles estão em todo o lado!

No Chókwé, 23 de Abril de 09


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