Posts Tagged 'Rita(s)'

Imagem do dia #155

Era Inverno e tínhamos chegado da praia na Ponto do Ouro. Já lá vão tantos meses… A casa era excelente… pena o casal de ratos que nos fazia umas visitas nocturnas. O jantar tinha de ser preparado!

Eis a divisão:

Alberto – (pseudo) culinária…

Aldo e Virgílio – fogareiro

Hugo – preparação dos camarões

Meninas – bem… ler revistas e ver televisão! 🙂

 

Trilogia: carne + fogo-de-artifício + polícia

Há certas situações que têm de ser contadas! Especialmente se forem passadas em países que não o nosso.  O fim-de-semana passado prometia ser bem activo, com jantares, festas e passeios por Maputo à mistura! E activo foi ele… demais até!

SEXTA: no Paraíso das Carnes!

Na sexta-feira à tarde parti de Chókwè em direcção a Maputo com a nova voluntária que está em Xai Xai e que em Novembro virá trabalhar no orfanato onde estou. A Mariana já precisava de “banho de civilização”, pois desde o momento em que chegou até ao fim-de-semana passada (3 semanas), ainda não tinha saído do Xai Xai. A cidade é capital de província… mas deixa muito (tudo) a desejar! Como já devem ter percebido, ir a Maputo é, para os que vivem no meio do mato, uma grande necessidade e, ao mesmo tempo, um grande luxo!

Logo na sexta à noite estava marcado o jantar de aniversário do Aldo. Uma verdadeira mesa multicultural, onde as relações internacionais estavam a funcionar plenamente! Era em português, em inglês, em flamengo, em italiano… eram Portugueses, Belgas, Australianas, Suíças, Moçambicanos, Italianos… no fundo, uma micro Babel!

O restaurante, a Esplanada do Kalu’s, carinhosamente apelidada por nós de Paraíso das Carnes, é, como o nome indica, uma esplanada que tem lá dentro uma espécie de talho. Escolhem-se as carnes, os empregados vão grelha-las no centro da esplanada (estão a ver com que cheiro saem de lá as roupas?!?!?!) e depois trazem-nos o banquete à mesa!

Como devem imaginar, grandes jantares com muita gente são sempre propícios a que as “pontas” se desliguem “do centro” da mesa, acabando cada grupinho por seguir para um local diferente no fim da jantarada.

O meu destino foi um bar, Mafalala Libre, na Mao Tzé Tung, onde estava programado um concerto de Marrabenta, a música “nacional” de Moçambique, cantada pelo “pai” deste estilo musical. Entrámos, o ambiente estava porreiro e cedo se ouviram os primeiros acordes… é contagioso! Não dá para ficar sem bater o pé! A noite continuou com muita gente a mostrar as suas qualidades dançantes! Uma vergonha para os Europeus que “mal mexiam o rabinho”! 🙂

SÁBADO: o strip pirotécnico

A noite de sábado prometia. Há vários dias que se andava a programar esta noite. A grande atracção era o Luso. Não, não fomos à central de distribuição de águas! O Luso é um dos mais conhecidos cabarets da capital moçambicana. Situado em plena zona histórica da cidade, mesmo junto ao Porto de Maputo, o cabaret é ponto de encontro para grandes noites de diversão!

Há uns meses atrás, quando fui à Ilha de Inhaca, a viagem de barco foi única e exclusivamente sobre o strip “flamejante” que uma menina tinha apresentado no Luso. Todas as vezes que saímos em Maputo este espectáculo era assunto recorrente… tanto que para todos os que não assistiram da primeira vez ao show, uma visita ao fogo-de-artifício era quase obrigatório!

Nem mais, lá fomos nós! Não há diferenças de raça ou de classe… lá todos são iguais e há apenas dois tipos de pessoas: os que querem lá ir para ver o espectáculo… e os outros que vão lá para o engate!

Tinham-me avisado que o ambiente era pesado, mas eu queria ver como era! Logo à entrada uma menina faz-me uma primeira “inspecção”… “Perigoso…” foi o resultado da busca dela!

Seguimos para um local menos movimentado à espera do show. Enquanto esperávamos fomos todos (rapazes e raparigas) inspeccionados várias vezes! Se calhar elas queriam ver se tínhamos alguma arma preparada para disparar!!! 😉 São umas malandras! 🙂

O espectáculo lá começou! Varão, vela acesa, fogo, labaredas. Mais não posso dizer… isto é lido por crianças!!! Só posso afirmar que a técnica da stripper com a vela acesa era, de facto, FANTÁSTICA!

DOMINGO: Dia da Polícia

Com o fim-de-semana já a terminar, faltava-me a habitual saltada ao Game, o Jumbo cá da zona, para as compras do mês.

O meu passaporte e a carta internacional de condução tinham ficado na carteira da Rita. Ora bem, andava sem documentos nenhuns! Já ia a caminho do supermercado quando sou mandado parar pela polícia.

Bom dia, o Senhor cometeu uma infracção grave!” – disse o polícia.

EU? Onde?” – exclamei eu… mesmo desconfiando que tinha mesmo feito algo de errado.

Sim, virou à esquerda no final desta avenida na faixa onde tal não é permitido” – explicou, muito calmamente, o polícia.

Na realidade, fiquei a perceber para que servem as vias laterais da Avenida Salvador Allende. Tal como em Lisboa, na Avenida da Liberdade, esta grande avenida tem faixas laterais, separadas das faixas de circulação normais, para se proceder nas viragens à esquerda ou à direita. Com o erro assumido, não tive outra opção se não pagar a multa. Mas, ao contrário do que acontece em Portugal, as multas são pagas, pelo menos com esta polícia (espécie de PSP), junto do Comando Central. Para lá chegarmos temos de nos fazer acompanhar pelo polícia que nos multou! Aqui em Moçambique, a polícia é muito dada a favorezinhos e pequenos subornos (os refrescos como aqui se diz). A multa era de 2000 Meticais (mais ou menos 50 Euros), um preço elevado, mas que eu queria a toda a força pagar para não ter de dar um pequeno “refresco” ao polícia.

Se quer pagar temos de o acompanhar ao Comando” – explicou o polícia.

Com certeza, façam favor de entrar” – armei-me eu em esperto…

Entraram dois polícias, armados com as suas metralhadoras, para dentro do carro. Tenho que assumir que a ideia de viajar com duas armas nas mãos de dois polícias dentro do carro não é fácil!

Conversa puxa conversa, eles lá me perguntaram para onde ia. Disse-lhes que ia levar uma colega a Xai Xai e que depois seguiria para Chókwè. Disse, também, à espera que fizesse algum efeito, que trabalhava com Irmãs e com crianças órfãs (perdoem-me!!!). E não é que teve efeito.

Não entre no Comando… siga em frente! Sabe, Sr. Emanuel, há outra forma de contornar a situação” – disse um dos polícias de forma muito evasiva.

Ai sim? Qual” – pergunta retórica minha!

O Sr. Emanuel é que sabe!” – a resposta, estava-se mesmo a ver, era a pedir um refresco em troca da multa.

Não sei como consegui, mas encostei o carro, virei-me para trás e, vendo que a probabilidade de eles saírem do carro era muita, disse: “Só tenho 140 meticais aqui comigo. Mas isto é tão pouco…” Mais uns dedos de conversa e eles lá se conformaram com os 140 Meticais. É triste, eu sei, mas a vontade que eles tinham que eu fosse pagar de facto a multa também não era muita!

O Hugo e a Rita, que me seguiram desde que fui mandado parar, só se riam da situação! Embora reprovassem o refresco dado…

Mas, a saga policial ainda não tinha acabado! Não, há sempre uma segunda parte!

Já na estrada a caminho do Xai Xai, a Nacional 1, fui mandado para novamente no meio de uma povoação. Não sei se seria Palmeira ou 3 de Fevereiro, mas que vinha distraído na conversa era verdade!

Boa tarde! Convido-o a sair e verificar a velocidade a que entrou nesta localidade” – que convite tão amável por parte do polícia!

Entrei a 69 km/h quando o máximo era apenas 60. Desta não havia forma de me escapar à multa. Foram só 9 quilómetros/hora de diferença, mas não havia escapatória! 1000 Meticais de multa. Estes, pelo menos, passam recibo pelo que a probabilidade de o dinheiro ir parar a mãos sujas é menos provável!

Bem, já sei, quando vir a placa a dizer “proibido circular a mais de 60 km/h” vou-me lembrar sempre dos meus belos 1000 Meticais de multa!

Não paguei na primeira vez… paguei à segunda!

Como diz um amigo meu, “são vidas!

Imagem do dia #050

Começava como transparente… depois vinha o azul turquesa… depois o verde… logo a seguir o azul escuro… eram estas as cores do mar num dia de Inverno na Praia do Bilene!

Começava como transparente... depois vinha o azul turquesa... depois o verde... logo a seguir o azul escuro... eram estas as cores do mar num dia de Inverno na Praia do Bilene!

Imagem do dia #045

Pa lá cueva! a caminho da Ponta do Ouro

Pa lá cueva!

Há coisas fantásticas, não há?

O mundo é mesmo muito pequeno!

Já cheguei à conclusão que em Maputo todos os Portugueses se conhecem, e acreditem que a comunidade lusa daqui é bem extensa! Há sempre alguém amigo, primo, irmão, vizinho ou colega de trabalho que conhece alguém aqui! Acabam-se por conhecer todos! Os locais de “poiso” também são quase sempre os mesmos o que facilita este intercâmbio lusófono! 😉

Mas, por vezes, o mundo não é só pequeno para a Comunidade Portuguesa…

Depois da festa do Dia de Portugal na Escola Portuguesa de Maputo resolvemos ir jantar ao Costa do Sol. O grupo era extenso (o que sabemos que em jantaradas não funciona sempre muito bem…) e a noite prometia ser bem agradável. Alguns minutos depois de chegar ao restaurante fico vidrado na rapariga da mesa ao lado. Não podia acreditar no que estava a ver… ou era a Anastacia ou era uma sósia dela! A Anastacia foi uma colega russa que estudou na Universidade do Minho e que me acompanhou quando estive a estudar em Moscovo. Fazia parte do primeiro grupo de alunos russos que visitaram a Universidade do Minho, o que levou a que eu e outros amigos meus criássemos uma ligação muito especial com esses alunos.

Por momentos tentei observar o mais possível sem ser descarado! Mas ela também estava a olhar para mim! Só podia ser ela. “Eu conheço aquela rapariga! É a Anastacia!” – dizia eu entusiasmadíssimo para o Aldo e para a Andrea. Comecei a fazer um jogo de lógica: ela estudava Relações Internacionais, queria seguir a carreira diplomática e estudava Língua Portuguesa. Os óculos eram os mesmos, o corte de cabelo era o mesmo, a postura era a mesma, logo só podia ser ela! Levantei-me e fui ao encontro da mesa dela!

Anastacia em Braga (Julho 2006)O seu sorriso ao ver que me estava a aproximar dissipou qualquer dúvida! CLARO QUE ERA ELA! Dois dedos de conversa deram para perceber que estava a trabalhar na Embaixada da Federação Russa em Maputo há 10 meses.

Já viram a coincidência?! O mundo é mesmo pequeno!

 

Dá mesmo para perguntar: “há coisas fantásticas, não há?”

 

Imagem do dia #021

Na Praia do Bilene…

Rita Leitão, Rita chico, Alberto e Virgílio

Passou o 1º mês!

E como passou rápido este mês.

O trabalho está a correr…devagarinho, mas está a correr! São tão lentas as coisas aqui. As pessoas são lentas, o tempo às vezes passa devagar também.

Um mês depois de chegar instalei-me na minha casa. A minha palhota de luxo! 😉

Uma das coisas mais interessantes a que posso assistir aqui é a forma como a sociedade está organizada. No sul de Moçambique o lado masculino é o mais importante. Já no norte, a mulher tem mais preponderância na sociedade. Esta forma matriarcal e patriacal de organizar a sociedade abriu fendas na unidade do país. No norte, o homem está em segundo plano na família (por exemplo, quando alguém se casa, o noivo passa a viver com a família da noiva e os seus filhos são considerados como parte da família da noiva. Se o pai ou a mãe morrer, os filhos ficam sempre na “posse” da família materna). No sul, a sociedade é organizada no sentido oposto. É em torno do homem que a sociedade gira. A mulher é relevada para um plano secundário.

Há, também, uma divisão política grande entre o norte e o sul de Moçambique. FRELIMO e RENAMO, os dois grandes partidos políticos moçambicanos, repartem as suas forças pela geografia do país. O sul é claramente pró-FRELIMO, ao passo que o norte é pró-RENAMO. Aliás, foi da Província de Gaza, no sul de Moçambique (onde vivo), que as grades figuras da FRELIMO nasceram e foram criadas. É, portanto natural, que esta seja uma zona onde a RENAMO não tem expressão política minimamente relevante. Maputo é governada por um político da FRELIMO e a cidade da Beira, a segunda maior e mais importante cidade do país, é liderada por um político da RENAMO. As diferenças entre as duas cidades são abismais e uma das razões que pode explicar o atraso da cidade da Beira é, por exemplo, o facto de este distrito ser governado pela RENAMO. As diferenças entre RENAMO e FRELIMO não desapareceram após a Guerra Civil. O Governo Nacional é FRELIMO… parece fácil perceber o jogo de influências e teias políticas que existe por estas terras!

Os próprios costumes e tradições da população variam consoante as diferentes regiões. A diversidade linguística e étnica é impressionante. Esta diversidade, na qual a Língua Portuguesa funciona como elo unificador, pois sem ela não haveria forma de estabelecer uma comunicação inteligível para toda a população, é resultado da divisão a “esquadro e régua” que os europeus fizeram em África. De facto, em toda a África podem-se contar pelos dedos de uma mão os países que gozam que uma unidade cultural, linguística, religiosa e étnica estável.

Há poucos dias estive num jantar e discutimos a sociedade moçambicana com alguém que verdadeiramente percebe destas coisas. Rita Sequeira é antropóloga e é responsável pela intervenção comunitária na região de Chókwè no que diz respeito à prevenção da malária. O seu conhecimento da sociedade e dos seus costumes é profundíssimo. Segundo ela, todos estes processos que agora têm lugar em Moçambique são fases de evolução da sociedade. “Nós, na Europa, também tivemos uma sociedade assim!” – rematou a Rita. Mas, para podermos perceber um pouco melhor o estado da sociedade, chegamos à conclusão que este mesmo estado, digamos primitivo/em fase de evolução, da sociedade moçambicana ocorreu há cerca de 300 anos na Europa! É um fosso muito grande! Porventura, graças à globalização, não serão precisos 300 anos para a sociedade local atingir um novo patamar de desenvolvimento, mas a certeza é que o processo será muito lento. A tradição e os costumes são elementos que resistem à mudança, e mudança é o que este país mais precisa!

Depois do Baptismo em África segue-se a 1ª Comunhão!

Se o pneu estourado foi o baptizo… agora só pode ter sido mesmo a 1ª Comunhão!
Ontem, como podem ler no post anterior, a chuva caiu forte no Chókwè. À luz da lua tudo parecia normal… mas hoje de manhã, com o sol a iluminar muito bem os nossos caminhos, deu para ver os estragos!
“Amanha não vais conseguir tirar o carro dali” – disse a Rita em tom profético. Mas porque raio não haveria de tirar o carro de onde o deixei estacionado?!
Durante a noite a chuva continuou a fazer das suas.
6 da manhã. Acordei e fui ver o carro. Permanecia imóvel e tudo parecia bem. Voltei para a cama e só acordei às 8h. Às 8.30 começa a cerimónia da 1ª Comunhão. Mal acelerei para sair do estacionamento percebi que as rodas tinham-se afundado na lama… no matope como por aqui se diz! Para variar um pouco, o carro tem a tracção às 4 rodas avariada!!! O “fóbyfó” (versão local de four by four), como carinhosamente os habitantes locais lhe chamam, não funciona.
Como não era de estranhar, tive logo uns quantos ajudantes que me socorreram. Eles cavaram, eles foram buscar pedras, tábuas, ramos de árvores… enfim, uma quantidade de coisas que se acabou por afundar no matope também.
As sapatilhas, as meias e as minhas pernas foram alvo de uma relaxante massagem de lama. Lama natural, produzida durante esta madrugada! Ainda estava fresquinha! Afinal, não tive de ir para nenhum spa de luxo para receber esta dádiva da Mãe Natureza!
Desta vez não houve pânico, nem sustos nem nada! Passou-se tudo à porta de casa! No final vim tomar um banho rápido e fui a pé tomar o pequeno-almoço à cidade. Ah, e outra coisa boa foi não ter de ir trabalhar!
Ninguém estava disponível para vir puxar o meu carro por isso vai continuar parado até o solo ficar um pouco mais estável!
Na volta pela cidade deu para ver alguns estragos, mas nada de grande impacto. Umas quantas placas do Barclays no chão (sim, aqui, no fim do mundo, há Barclays! Temos também duas agências do Millenium (que não distam mais de 200 metras uma da outra!) e uma agência do BCI (do grupo Caixa Geral de Depósitos), muito lixo e muita lama. Alguns carros atolados na estrada e outros que nem das garagens saíram porque as várias “piscinas olímpicas” de que falava no post anterior, bloquearam as saídas… vicissitudes moçambicanas!
Não posso postar fotografias porque não sei onde guardei o cabo para ligar o telemóvel ao computador… desde já as minhas desculpas! 😉

‘Tamos na boa!

O primeiro dia a sério em Chókwé passou a correr.

Pôr do Sol em Moçambique, cerca das 18h locais, no meio de uma plantação de canas de açúcar!

Para ser sincero, o dia apenas começou realmente às 11 da manhã! Antes disso, apenas algumas chamadas da minha mãe a perguntar se ainda estava vivo e se não tinha vontade de voltar para Portugal!

Estou vivo e a adorar esta experiência! 

De facto, uma pessoa muda perante determinadas circunstâncias. “Alberto, não vais voltar o mesmo” disse-me várias vezes a Anabela Nina, a Directora de Apadrinhamento da Um Pequeno Gesto, a ONG para a qual trabalho. E, mesmo parecendo estranho, parece que já estou mais ou menos habituado às circunstâncias moçambicanas! No telhado da casa onde agora vivo habitam morcegos. Ontem à noite ouvia um barulho estranho, hoje já sei que barulho era esse! Há aranhas e aranhiços, muitos mosquitos e bichos que não faço a mínima ideia de onde vêm e, por estranho que até a mim me pareça, não ligo patavina a eles! Se estivesse na minha casa em Portugal o mais certo era fugir deles como o Diabo foge da cruz! Aqui não! ‘Tamos na boa! Há umas horas atrás saí de casa para ir ao carro. Para espanto meu, um pequeno morcego estava à minha espera na entrada da porta! Reacção minha: ignorar! Nem assustado fiquei! Passei por cima do morceguito e segui em direcção ao carro!

Chókwé não é cidade abonada em restaurantes, e dos poucos que existem o Restaurante Limpopo (com o mesmo nome do grande rio que corre junto à fronteira norte da cidade) é aquele em que mais podemos confiar! Ainda bem que não existe ASAE em Moçambique! Acho que 99% de todos os estabelecimentos teriam de fechar! Pelo menos, aqui em Chókwé, seria assim! A ementa não me podia ser mais familiar! Bife à Portuguesa, bife de cebolada, frango de churrasco… uma ementa que parecia tirada de um restaurante português! Uma coisa que aqui se faz, e que pelo menos os Europeus têm de fazer, é esquecer as complicadíssimas normas de segurança alimentar. Se fosse a pensar em todas elas, o mais certo era não ter almoçado!!! É meia-noite e doze minutos do dia 16 e até agora não senti nada… afinal, com a comida não havia problema algum! 

À tarde fui ao orfanato. Estava fresco (sim, 30 graus para eles é fresco!)! As crianças estavam a brincar na areia, outras junto a um camião carregado de sacos de cimento. Tudo muito pacífico. Mais uma vez fui recebido com cânticos de boas vindas! É indescritível a sensação de ser recebido assim! Só mesmo cá estando podemos testemunhar esta estranha emoção. Não fiquei muito tempo por aqui. Em menos de uma hora fiz a minha ronda pelo orfanato e, pela primeira vez, conduzi um carro “à moda inglesa”. “Vais ver que não custa nada! – exclamou a Rita, a rapariga dona da casa onde agora moro. Na realidade, não custou mesmo nada! Apenas tiver de ter atenção aos destrambelhados dos condutores Moçambicanos e aos mil e um buracos que a estrada, embora alcatroada, tem. Quando cheguei a casa a noite já se aproximava.

A sinfonia de barulhos da natureza voltou a tocar. A internet deixou de funcionar. Resta-me passar o tempo a ouvir música e a trocar umas frases com a Rita. A Rita, além de cozinhar bem, é Alentejana! Razões de sobra para a ter em boa consideração! 😉 Tal como ontem, estou de volta à minha cama com rede mosquiteira. Parece uma cama de conto de fadas com um véu branco a proteger-me da mosquitada! Por sorte, não há muitos dentro de casa…e com as camadas de repelente que espalho no corpo antes de dormir eles não se devem atrever a chegar perto de mim! Até amanha… mosquitos! Até amanha amigos!

No Chókwé, 15 de Abril de 09


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