Posts Tagged 'Orfanato'

Imagem do dia #151

Que a imaginação das crianças é fértil já sabíamos… e que se adapta às tendências da moda também não é novidade!

Pois bem, no Orfanato de Chiaquelane, onde passo muito do tempo do meu trabalho, os mais pequenos “montaram” uma fábrica de telemóveis! Sim, telemóveis!

São leves, elegantes, não consomem nenhuma bateria e vêm carregados com todas as funções que a nossa imaginação quiser!

Eis os telemóveis do futuro… os telemóveis de papel do Orfanato… alô?

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ASMtv: Parabéns à lá Moçambicana!

Imagem do dia #112

A minha mãe visitou-me recentemente! Ficou encantada com a Lulucha, uma menina do Orfanato…

Vai um mergulho?!

Hoje o dia estava quente, abafado melhor dizendo, com umas nuvens escuras de trovoada lá no horizonte a ameaçar chuva tropical.

Como tenho feito desde há algum tempo, dirigi-me para a estrada junto ao Orfanato para apanhar o chapa para casa (cerca de 35kms de distância). Não tive de esperar muito até aparecer a primeira Hiace. Entrei. Era, como não podia deixar de ser,  uma carrinha maltratada, onde a estrutura interna já não tinha qualquer protecção de plástico.

Sentei-me na primeira fila da parte de trás, mesmo no centro do banco. Pelo retrovisor fui acompanhando os constantes desvios de olhar da estrada do condutor. Poucos quilómetros à frente parámos. O chapeiro pediu uma garrafa de água, saiu do carro e lavou a cara. Os olhos estavam vermelhos e era evidente o sono que o homem tinha. A viagem prosseguiu. Pouco mais de 1 ou 2 minutos depois o carro começa a fugir para a faixa da direita… guinada rápida para a esquerda. A história foi-se repetindo… eu acho que o condutor nem se apercebeu, até vir um camião carregado de tomates, que estava há várias centenas de metros em contra-mão.

Cada vez que as pálpebras do chapeiro se fechavam e o carro dava alguma guinada, eu parecia ser o único preocupado! Os meus reflexos eram por demais evidentes a cada guinada!

Exemplo de um chapa

Já estávamos perto de Lionde, acompanhando o canal de água central do sistema de regadio do Chókwè, quando os olhos do condutor de fecharam por completo! Rapidamente dei um encontrão no chapeiro que acordou e evitou dar um mergulho ao canal de água!

Depois deste susto, agora não só para mim, mas sim para todos os que viajavam comigo, o chapeiro ficou mais alerta. Procurou um CD de música bem mexida, colocou-o no rádio e lá fomos a ouvir beats de discoteca a altos berros!

Mas a história não acaba aqui… Já depois de Lionde, pertinho de chegar a Chókwè, vemos na estrada grande agitação. Enquanto nos aproximávamos, o alcatrão brilhava como se tivessem derramados milhões de pequenos cristais pelo pavimento.

Não demorou para perceber a razão de tanta agitação… Afinal, os brilhantes no chão eram os dois vidros da frente de dois chapas que colidiram um com o outro. Um ficou desfeito mas na estrada… o outro acabou por mergulhar dentro do canal de água! Numa das partes que ficou fora de água viam-se as marcas de sangue daqueles que conseguiram escapar. A confusão era muita quando passávamos por este carro.

Apesar de a polícia já estar no local quando lá passámos, não se sabia quantas pessoas tinham falecido.

Eu fiquei incomodado com a situação. Por um lado foi um acidente com um meio de transporte que sou obrigado a utilizar, por outro, já tinha feito a mesma viagem a bordo do carro que entrou na água.

“Jesus Christ” – foi o comentário de um passageiro ao ver esta tão triste cena, infelizmente uma cena muito típica nas estradas moçambicanas.

Exemplo de um chapa

Tu também tens uma vaca?!

Tu também tens uma vaca em casa com o teu nome?

Pois, aqui em Moçambique parece ser uma tradição! Cada vaca que nasce tem direito a ser “baptizada” com o nome de alguém. Engraçado, não?

Aqui no Orfanato às vezes confundo-me quando estou perto das vacas. “Olha, lá vem a Paulinha!” Ainda penso duas vezes se quem vem é mesmo a vaca ou a Paulinha! 🙂

Em Moçambique ter uma vaca é um estatuto social, especialmente nas zonas rurais como o Chókwè ou Chiaquelane são. O gado é um bem precioso pois é o garante de alimento em caso de escassez de produto. Algumas vezes é possível extrair leite. Sim, algumas vezes apenas porque aqui o gado bovino é muito dado às magrezas! Devem ir muitas vezes ao Tallon!

Mas, se ter animais em casa é sinal de uma boa posição social, não os ter significa que a pessoa é pobre. Infelizmente, apesar de existirem muitas vacas por estas bandas (assim como cabritos e galinhas), estas encontram-se nas mãos de poucas pessoas.

Há dias morreu uma cabeça aqui no Orfanato. Quando cheguei ao curral e vi uma vaca castanha clara deitada no chão, de olhos revirados e língua de fora, só me deu vontade de rir. É mórbido, eu sei, mas aquela imagem parecia tirada de um cartoon qualquer! Na realidade, a vaca além de já ser velhinha,  estava doente há muito tempo.

“Irmã, o que faço com a vaca?” – perguntei ao telefone à Irmã Isaura que se encontrava fora nesses dias.

“Vou ligar ao veterinário e já lhe digo algo” – foi a resposta dela.

Esperei e o telefone tocou: “É para queimar a vaca e enterrar os restos“. E assim se fez… ou quase!

Fui comprar a gasolina e pedi para trazerem a vaca para um buraco na terra. Como já era tarde deixei a gasolina no Orfanato e segui para casa, dando ordens para que a vaca fosse queimada e depois enterrada…

No dia seguinte cheguei ao Orfanato e perguntei pela pobre da vaca. “Está lá!” – respondeu o Vasco. Como já devem ter percebido, o “” é uma expressão muito utilizada por estas bandas. Como era um “” curto deduzi que a vaquita estava por perto. No caminho perguntei se a vaca tinha sido TODA queimada e a resposta foi uma engraçada “há-de ver com os seus olhos Mano Beto!

O que será que tinha acontecido à vaca? Eu disse que ninguém podia cortar a carne porque a vaca morreu doente e tinham sido essas as ordens do veterinário. Para espanto meu lá estava a vaca: continuava deitada no chão, de olhos revirados e língua de fora mas, desta vez, ainda tive mais vontade de rir!!! A VACA NÃO TINHA PERNAS 😉 Estava sem as quatro pernas. Por momentos pensei “será que sem pernas a vaca arde melhor?!?!?!?” Claro que não!

Durante a noite alguém veio e cortou cirurgicamente as quatro pernas. Garantiram-me que não tinha sido ninguém do Orfanato, mas sim alguém de fora. Depois das gargalhadas por ver uma vaca sem pernas e supostamente queimada (porque razão 5 litros de gasolina só deram para chamuscar o rabo do bicho?) pedi aos meninos que estavam lá para informar os “ladrões” que se comessem aquela carne iam morrer tal e qual a vaca!

Mais umas gargalhadas… umas graçolas com a vaquita e lá a levaram para outro sítio para ser devidamente enterrada!

Estejas onde estiveres Vaca, nunca mais vou esquecer da cena… sem as pernas!

As vaquinhas!

Ai ai ai… parem parem parem!!!

Todos os dias são uma experiência nova! E nada melhor que vivenciar este país à Mozambique way of life! 😉

Na passada segunda-feira chegou a Chókwè a nova voluntária que irá trabalhar comigo no Orfanato durante os próximos 30 dias.

InêsA Inês Albergaria vem de Lisboa e pela primeira vem à África pura e dura. Claro, o choque… passar de Lisboa para Maputo ainda vá que não vá… agora de Maputo para o meio do mato no Chókwè é dose extra!

 

 

“Passei da high society de Maputo para o mato” – exclamou a Inês ao constatar a realidade chokwense!

E há lá coisa melhor do que experimentar todas as maravilhas desta cidade num só dia?! Vamos lá enumerar:

1. sair de Maputo, a única cidade pseudo-desenvolvida de Moçambique, às 6 da matina num machibombo e demorar 4 horas para fazer 200kms…

2. ser a única molunga (branca) no machibombo…

3. chegar e constatar que o Chókwè é uma cidadezinha no meio do mato rodeada de canais de água (óptimos para a criação de mosquitos da malária)…

4. apanhar o chapa para ir trabalhar… e demorar uma eternidade para lá chegar…

5. chegar a meio do caminho e ser transferido para outro chapa…

6. no regresso, esperar 45 minutos e não conseguir apanhar nenhum chapa…

7. só haver uma opção para regressar a casa e fazer os 35 kms: pedir boleia!

8. pedir boleia a uma carro da EDM (Electricidade de Moçambique) e viajar na caixa aberta…

Inês e Alberto na caixa aberta!9. estar um frio de rachar e não ter roupa para o Inverno da savana (faz mesmo frio caramba!)…

10. dormir apavorada com medo das baratas, ratos e dos mosquitos! Apesar de eu já lhe ter dito que em casa não havia nada dessa bicharada!

E, para marcar ainda mais a estada em terras africanas, nada melhor que uma sessão de pancadaria no chapa de hoje à tarde! Tudo porque o cobrador não queria aceitar a nota de 20 Meticais como pagamento porque esta já era muito velhinha! Como a senhora não tinha outra nota… e como não havia ninguém que a ajudasse… o saco de viagem ficou retido e só seria devolvido quando uma nova nota aparecesse! Não apareceu e lá começaram ao murro e à chapada! Eu achei super graça… o resto do pessoal só se ria… a Inês, pouco habituada a este quotidiano chapense, gritava “ai ai ai… parem parem parem!”

 As vistas da caixa aberta!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

À vinda, e para acabar o dia em beleza, o nosso chapa que além de pessoas transportava uma família de baratas, participou numa corrida de chapas… Ganhámos!

Imagem do dia #044

Tendo em conta que a t-shirt dizia “Soviet” e a forma da mão do Bito, até que não ficava mal esta “estátua” numa rua de Moscovo!

Soviet


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