Arquivo de Fevereiro, 2010

A sorte e o azar de ser vizinho da África do Sul

Moçambique exporta mão de obra e “sabedoria” mas de resto é “incapaz de produzir um botão“. Tem a sorte de ter a África do Sul como vizinho, a quem compra tudo, e o azar de nada ter para lhe vender.

O diagnóstico é de Momed Yassine, professor e analista político, que em declarações à Agência Lusa considera que no contexto regional Moçambique tem alguma influência política e prestígio mas a nível económico é quase nulo, e diz que será assim nos próximos anos.

Pessimistas são também Abdul Magid Osman, economista e ex-ministro das Finanças, e Nelson Saúte, sociólogo, que frisam que ainda hoje o país, com exceção do açúcar, não atingiu os níveis de produção de bens tradicionais anteriores à independência.

FONTE: Agência Lusa
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ASMtv: Barragem de Massingir

Barragem de Massingir

Hoje passam 10 anos sobre as devastadoras cheias que assolaram a Província de Gaza. Foram cheias brutais que alagaram e destruíram tudo numa enorme região fértil e muito habitada.

Um dos grandes problemas, que poderá no futuro evitar novos desastres naturais como o que aconteceu em 2000, passa pela construção de barragens. No caso de Moçambique, há a necessidade de criar barragens gigantescas pois o terreno maioritariamente plano do sul do país não permite barragens do estilo de Cahora Bassa, na Província do Tete, no centro do país.

O grande rio de Gaza, o Limpopo, é apenas controlado pela pequena Barragem de Macarretane, junto à cidade do Chókwè.

Massingir, uma aldeia perdida no interior de Gaza, bem próximo da África do Sul, deu nome a uma outra notável obra de engenharia portuguesa: a Barragem de Massingir. Esta forma uma albufeira de proporções muito grandes. Nas suas margens tem início o Parque Nacional do Limpopo (actualmente ligado ao Kruger National Park na África do Sul).

A barragem de Massingir, situada no rio dos Elefantes, afluente principal do rio Limpopo, era uma componente importante para o desenvolvimento hidroagrícola do Vale do Limpopo, na concepção desenvolvida pelo Eng.º Trigo de Morais durante o período de colonial.

A primeira fase desse desenvolvimento consistiu na construção do regadio de Chókwè e da Barragem de Macarretane em meados da década de 1950, o que permitiu a instalação do colonato do Limpopo com famílias vindas de Portugal. A barragem de Massingir destinava-se a permitir expandir a área de rega, atendendo à quase nula capacidade de regularização de escoamentos da barragem de Macarretane.

Em meados da década de 1960, a empresa portuguesa COBA foi contratada para preparar o projecto da barragem. O projecto inicial era o de uma barragem cerca de 15 m mais baixa que a actual barragem de Massingir e com um comprimento de coroamento muito inferior aos actuais 4630 m. Quando o projecto da barragem já estava bastante avançado, registou-se uma seca gravíssima na bacia do rio Limpopo, com enormes impactos negativos no colonato do Limpopo, o que levou o Eng.º Trigo de Morais a solicitar à COBA que o projecto considerasse uma albufeira com muito maior capacidade. Daí resultou então uma barragem mais alta e bastante mais comprida, uma vez que a topografia da secção da barragem obrigou a construir um longo dique na margem direita.

A barragem de Massingir é uma barragem de terra com uma altura máxima de 46 m no vale principal, sendo a cota de coroamento de 130 m. O descarregador de cheias situa-se no encontro da margem esquerda da barragem, ficando a crista da soleira à cota 115 m e o topo das comportas (quando instaladas) à cota 125 m. Assim, enquanto as comportas não estivessem instaladas, o nível de pleno armazenamento (NPA) ficaria limitado à cota 115 m, reduzindo a capacidade da albufeira a menos de metade da capacidade com as comportas instaladas (NPA à cota 125 m). O desvio provisório do rio para a construção da barragem foi feito na margem direita do vale principal e aí foram posteriormente instaladas as duas descargas de fundo e a conduta do circuito hidráulico para a futura central hidroeléctrica. Estas três condutas podem ser fechadas por comportas ensecadeiras a montante (do lado da albufeira) manobradas a partir de uma torre de comando. Não existe qualquer outro controlo na conduta do circuito hidráulico ao passo que as duas descargas de fundo são controladas por comportas de sector do lado de jusante da barragem. Toda esta zona corresponde à tomada de água.

Um longo dique (4630 metros) situa-se à direita da tomada de água.

A barragem começou a ser construída em 1972, tendo a obra sido adjudicada à empresa Tâmega. O Dono da Obra era o Gabinete do Limpopo que tinha a sua própria fiscalização, apoiada na parte dos ensaios laboratoriais pelo LEM – Laboratório de Engenharia de Moçambique.

A partir de 25 de Abril de 1974 houve diversas perturbações no decurso da obra. A situação melhorou após a Independência, mas nessa altura verificaram-se problemas de direcção da obra (empreiteiro) e com a fiscalização, tendo a situação apenas normalizado em 1976.

Em Fevereiro de 1977, verificou-se uma grande cheia no rio Limpopo que a barragem de Massingir, ainda incompleta, não conseguiu minorar. Os trabalhos da primeira fase foram concluídos em 1977, tendo a barragem sido oficialmente inaugurada em 31 de Outubro desse ano. Ficaram para uma segunda fase a instalação das comportas no descarregador de cheias e a construção da central hidroeléctrica.

O acidente de 2007

 

O acidente ocorreu no dia 22 de Maio, 5ª feira, entre as 14h30 e as 14h45. As duas comportas de sector estavam fechadas desde as 8h da manhã. A comporta ensecadeira direita estava totalmente aberta. A comporta ensecadeira esquerda estava parcialmente fechada (situação causada pela falta de energia na barragem).

Segundo a testemunha mais próxima do local do acidente, Sr. Afonso Ngovene, guarda da barragem, que estava a escassas dezenas de metros, na margem direita das descargas de fundo, houve um processo sequencial até à rotura (de duração estimada por ele em cerca de 3 minutos – teve tempo para se abaixar e sentar):

  • Começou por ouvir um barulho que lhe pareceu ser de manobra das comportas o que achou estranho por saber que não havia energia e, por isso, as comportas não podiam ser accionadas;
  • Como o barulho continuasse resolveu aproximar-se do muro lateral direito das descargas de fundo;
  • Quando se aproximava, viu que saía uma “nuvem” ou “spray” de água ao mesmo tempo que se ouviam sucessivos ruídos, numa sequência de fortes estalidos, processo que terminou com a formação dum tremendo “repuxo”, que subiu acima do nível da cabeça dos servomotores, acompanhado dum fortíssimo “estrondo”, momento em que se pôs em fuga.

Podemos interpretar este testemunho em termos do acidente da seguinte maneira:

  • A pressão da água nas condutas das descargas de fundo criou um escape, possivelmente através do rompimento do vedante de uma junta, originando o “spray” referido pela testemunha;
  • A pressão da água foi originando em algumas zonas o colapso do betão e das armaduras de aço (sequência de estalidos fortes ouvidos pela testemunha), cuja rotura originou o sucessivo colapso em outras zonas;
  • Os blocos de betão armado, assim desligados, foram então ejectados pela pressão da água que, liberta, formou o enorme repuxo subindo a grande altura e continuando a provocar o colapso da estrutura.

 

 

Após este grave acidente, toda a barragem sofreu obras de remodelação.

NOTA: os dados técnicos sobre a Barragem e a explicação do acidente de 2007 são citações do “Relatório Final da Comissão de Inquérito ao Acidente da Barragem de Massingir, Maputo, 2007”

Imagem do dia #144

Autoestrada à moçambicana… nos arredores de Chongoene, norte de Xai Xai.

Imagem do dia #143

Massingir, a aldeia construída para acolher os trabalhadores da construção da gigantesca barragem de Massingir no interior da Província de Gaza. As obras começaram antes da indepenência de Moçambique, mas só em Dezembro de 1977 a barragem viria a ser inaugurada.

Kaapstad

O primeiro contacto com a civilização Ocidental deu-se em 1488 pela mão de Bartolomeu Dias. Mais tarde, após a passagem de Vasco da Gama a caminho das Índias,  D. João II muda o nome de Cabo das Tormentas para da Boa Esperança.

A esperança fazia deste ponto no continente africano um local único!

Em 1652, muitos anos depois dos Portugueses, a Companhia Holandesa das Índias Orientais estabelece-se na região, organizando um pequeno porto onde as embarcações dos Países Baixos pudessem ancorar nas suas viagens transoceânicas.

A cidade foi crescendo e cedo se começou a afirmar como um ponto de passagem obrigatório. As influências holandesas, inglesas e orientais foram crescendo de igual forma. Caiu definitivamente para o controlo da Casa Real Inglesa em 1814.

Logo no início do século XX, os ingleses unificam todo o território do sul de África, formando a União da África do Sul (Colónia do Cabo, Repúblicas Bóeres e Colónia de Natal). Nasce uma nova capital legislativa para este grande país.

Cidade Mãe, é este o nickname da Cidade do Cabo.

Hoje, a Cidade do Cabo (ou Kaapstad em Afrikaans), é uma das mais cosmopolitas cidades de toda a África. Cidade segura e limpa, esta metrópole africana tem um conjunto de atracções turísticas únicas! A Table Mountain, o Cabo da Boa Esperança, a Península do Cabo, a Falsa Baía, o Victoria & Alfred Waterfront, a Robben Island, Camps Bay e a zona Vinhateira do Cabo tornam este destino muito apreciado pelos turistas.

Eis algumas fotos que tirei na minha visita em Setembro passado à cidade.

Imponente, bonita, única… a Europa no extremo sul de África!

ASMtv: Cape Town (Cidade do Cabo)


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