Posts Tagged 'Política'

Luís Amado prepara nova abordagem para África

Segundo a notícia da Agência Lusa “o ministro dos Negócios Estrangeiros vai lançar uma nova abordagem da diplomacia portuguesa em África, sobretudo Austral e Ocidental, onde acredita existir o potencial para alargar a influência política e diversificar mercados para as empresas nacionais.

“Vai passar muito pela capacidade que soubermos assumir e desenvolver relações ambiciosas com este continente [África] o futuro da nossa economia e da nossa influência no mundo que aí vem”, disse Luís Amado, em entrevista à agência Lusa em Bamako, capital do Mali, no fim de uma viagem de uma semana a três países africanos.

“É nessa perspetiva que estamos a fazer uma nova abordagem da nossa política africana e até ao fim do primeiro semestre teremos mudanças importantes a anunciar nesse domínio”, garantiu.

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3 de Fevereiro

Hoje é feriado nacional em Moçambique!

Dia 3 de Fevereiro é o dia em que se evocam os heróis que ajudaram a erguer a Nação Moçambicana (uma invenção nacionalista do Moçambique independente). Contudo, a  data assinala o aniversário da morte de Eduardo Mondlane, primeiro presidente da FRELIMO.

Mondlane foi assassinado em 3 de Fevereiro de 1969, em Dar-es-Salaam na Tanzânia, a partir de onde dirigia a actividade do movimento libertador de Moçambique.

A história conta que o assassinato de Eduardo Mondlane poderá ter sido da responsabilidade da intelligence Portuguesa a partir de Lourenço Marques, contudo, este facto nunca foi realmente comprovado.

Culto de Personalidade?!

Este Moçambique tem vindo a surpreender… pela negativa muitas vezes!

Este tipo de democracia encapuçada esconde o que na realidade se consideraria um Estado de partido único ou uma ditadura.

Armando Emílio Guebuza foi reeleito para o seu segundo mandato como Presidente da República de Moçambique recentemente. A eleição foi elogiada pelos observadores internacionais como tendo sido “livre e transparente“. Na realidade, o acto de votar pode ter sido assim mesma, mas tudo o que ficou atrás dela, desde a campanha, ao registo dos votos e às movimentações da Comissão Nacional de Eleições, foram tudo menos “livres e transparentes“!

A investidura de Guebuza decorreu ontem, dia 14 de Janeiro. Estiveram presentes vários Chefes-de-Estado e de Governo de vários países africanos, muitos deles de Estados nada democráticos. A grande presença foi a do Presidente Sul-africano, Jacob Zuma.

Até aí tudo bem.

O que realmente é surreal é o Governo de um dos países mais pobres do mundo ter decretado tolerância de ponto aos trabalhadores para poderem assistir à investidura do Presidente.

Num país onde a maior parte da população não tem acesso a electricidade, logo, não tem acesso à televisão; num país onde a produtividade da população activa é baixíssima e onde a riqueza continua extremamente mal distribuída e onde a pobreza come cada vez mais cidadãos, como explicar que a uma quinta-feira seja decretado tolerância de ponto?! Hoje é sexta-feira e acredito que muita gente aproveitou para fazer um fim-de-semana prolongado.

Não precisamos de andar muito para trás na História para encontrar situações de culto de personalidade que nos façam lembram a situação de ontem… não sou o único a pensar nisto… http://oficinadesociologia.blogspot.com/2009/06/culto-de-personalidade.html 

Quem quer ser Presidente?

Hoje foi dia de eleições.

A cidade acordou muito calma. Confesso que estava à espera de grande agitação por parte das diferentes caravanas políticas… mas, enganei-me! Não houve festa, nem mesmo depois do fecho das urnas. Ao contrário de Portugal, o dia de eleições em Moçambique tem lugar a um dia de semana. Uma grande razão leva a que a cruzinha no boletim de voto tenha calhado a uma quarta-feira: caso o dia do escrutínio tivesse sido a um Domingo, muita da população não teria ido votar. Ficariam em casa ou a trabalhar nas suas machambas (hortas). Sendo a um dia de semana, em que a população se desloca para trabalhar, o Governo decreta dia de tolerância e todos podem faltar ao trabalho para exercerem o direito de cidadania. Na prática, é mais um dia de feriado!

Fiquei também surpreendido com o cumprir religioso do dia de reflexão. Não houve manifestação nenhuma no dia anterior às votações! Um comportamento extremamente civilizado quando comparado com as cenas de pancadaria e violência com que as várias caravanas nos presentearam ao longo da campanha eleitoral.

Hoje, entre a estranha calmaria em Chókwè (tanta calma que quase nenhum chapa circulava) dava para ver os dedos pintados de preto. Cada eleitor, depois de votar, molha o dedo indicador direito em tinta preta, uma forma muito prática de garantir que ninguém vota duas vezes! E como a tinta é de alta duração, a possibilidade de alguém colocar uma cruzinha pela segunda vez é, praticamente, nula.

Muito presentes foram, também, os observadores internacionais. Todas as instituições reconhecem a evolução de Moçambique nos últimos anos. Apesar de só há pouco mais de 10 anos estar consagrado constitucionalmente em Moçambique um regime multipartidário, o país tem mostrado avanços na cidadania política. É verdade que Moçambique continua a ser governado pelo mesmo partido desde a transferência de poderes em 75, é verdade, também, que há desigualdades de acesso ao poder, que o partido é confundido com a política e que o cartão do partido abre muitas portas ao seu portador. Mas, como me dizia hoje alguém na Aldeia de Chiaquelane “só quando nós formos para debaixo de terra Moçambique será uma grande Nação! Quando os velhos morrerem, quando acabar a corrupção… os mais novos como o Zézito [um dos alunos do Orfanato onde trabalho] serão a nova força do país!“.

Aqui está uma mensagem cheia de esperança! A juventude!

Vamos confiar que o novo Governo saído destas eleições (Moçambique pauta-se por um sistema Presidencialista, onde todo o poder emana do Presidente da República, ao contrário do sistema híbrido português, onde se misturam os poderes do Presidente da República e do Governo, eleitos separadamente, mas onde há uma forte influência do Parlamento) venham pôr ao dispor da juventude todos os meios para que esta possa ser uma força activa no futuro, uma força capaz de mover este país, que ajude na real erradicação da pobreza, do HIV/SIDA e da malária; que lute por uma distribuição equitativa da riqueza pela população e que ajude no rápido desenvolvimento do país como um todo, e não apenas da região sul onde se situa a capital.

Vale a pena recordar que em 1960, Moçambique era um dos mais desenvolvidos e ricos Estados de África. Vale a pena pensar que muitos dos planos de desenvolvimento do país ainda podem ser reaproveitados; vale a pena pensar que Moçambique pode saltar do fundo da lista dos países mais atrasados e subdesenvolvidos do Mundo. Vale a pena apostar em Moçambique!

 O bem do país é o que todos desejamos… quem será o próximo guia?!

Quem será o próximo guia?

Três feridos em ataque a sede do MDM em Chokwé por jovens com bandeiras da FRELIMO

Maputo, 13 Set (Lusa) — Três pessoas ficaram feridas, uma delas com gravidade, depois de alegados elementos da FRELIMO, partido no poder em Moçambique, terem atacado na madrugada de hoje a sede do MDM, novo partido, em Chókwé, província de Gaza.

Este foi o primeiro incidente da campanha eleitoral para as eleições gerais de 28 de Outubro em Moçambique, que hoje começou.

Isamel Mussá, do MDM (Movimento Democrático de Moçambique), que esteve no local, disse à Agência Lusa que o ataque à sede do partido se deu cerca das 02:00 e que os atacantes, que se transportavam em duas carrinhas cobertas com bandeiras da FRELIMO, destruíram mobiliário e partiram vidros.

FONTE: RTP

Relatório da ONU afirma: “Colonialismo não pode continuar a ser o bode expiatório para o atraso de África”

Finalmente a ONU reconhece oficialmente que o Colonialismo não pode continuar a ser o bode expiatório para o atraso de África.

Na próxima Assembleia Geral das Nações Unidas, a decorrer em Setembro em Nova Iorque, o Secretário-geral da organização, o Sul Coreano Ban Ki-Moon, irá apresentar um novo relatório sobre África, o seu desenvolvimento e os seus desafios. Este novo documento, da autoria do Português Rodrigo Tavares, revela-se um novo olhar sobre África.

O Continente Negro enfrenta, como todo o mundo, a crise financeira e económica que abalou as mais fortes economias mundiais. Dependente da exportação de matérias-primas como as madeiras ou o petróleo, os países africanos estão a combater a actual crise com um custo muito superior ao dos restantes Estados. Pobreza, corrupção, má gestão, guerras civis, desemprego, violência e falta de unidade e consciência nacional são alguns dos muitos problemas que cronicamente afectam a maioria dos Estados de África.

Até há pouco tempo atrás, o Colonialismo servia de bode expiatório para todo e qualquer mal que África tinha. Não havia união nacional (jamais se poderia falar em Estados Nação como no Velho Continente) pois, às custas das políticas expansionistas das potências europeias, África tinha sido dividida a régua e esquadro. Não se podia falar em desenvolvimento económico pois as velhas potências não tinham criado as condições ideais para o desenvolvimento sustentado da população. Não se podia falar em muita coisa! O Colonialismo era a razão para todo o atraso de África!

Hoje o panorama é diferente! E hoje a ONU reconhece que o Colonialismo não pode ser mais usado como forma de desculpar todo o subdesenvolvimento de África.

É verdade que este tema continua a ser tabu em muitos países do continente e que, na realidade, o período colonial deixou feridas profundas que ainda hoje têm cicatrizes visíveis em quase todos os países. É verdade que o Colonialismo é reprovável e que teve consequências no desenvolvimento de muitas jovens nações. Mas, também é verdade que o Colonialismo já acabou. Acabou em 1994 quando a África do Sul reconheceu o direito à independência da Namíbia, mas, de facto, os últimos actos de Colonialismo tiveram lugar na década de 70 do século passado. A independência das 5 antigas colónias Portuguesas neste continente encerrou o processo de colonização em África. Desde então, as nações africanas ficaram por sua conta e risco. Não foi um processo pacífico: houve muitas guerras civis pelo meio, houve muitos golpes de Estado, houve muita propaganda e houve, também, muita má gestão.

Rodrigo Tavares, o autor do relatório, revela que é uma falta de respeito os líderes africanos acusarem sistematicamente as antigas potências pelo seu atraso: “É impensável criticar os antepassados coloniais relativamente ao que está a acontecer diariamente naquele continente. Isso negligencia a própria capacidade dos africanos de serem responsáveis pelos seus actos, é uma desconsideração“, afirma a investigador.

Nem mais, os Estados Africanos e os seus líderes deixaram de ter no período colonial a desculpa para a sua situação actual. E, não é a primeira vez que este tema vem às luzes da ribalta. Recentemente, Lula da Silva, Presidente do Brasil, e Barack Obama, Presidente dos EUA, afirmaram esta mesma ideia em deslocações a alguns países africanos.

São os próprios africanos – adoptando muitas vezes discursos vitimizadores que culpabilizam o colonialismo como raiz de todos os seus problema – que patrocinam o assistencialismo. Sem ajuda da União Europeia, a União Africana dificilmente teria condições para continuar a exercer as suas funções

Apesar da oficialização desta ideia por parte da ONU ser a grande novidade do relatório, e reconhecendo que tal não será bem recebido por muitas elites africanas, pois de certa forma vai ao desencontro da ideologia defendida por alguns líderes africanos, nem todo o panorama apresentado é baseado nesta nova perspectiva. A par da actual crise, que tanto tem afectado África – só para se ter uma ideia, o relatório prevê 28 milhões de desempregados em 2009, 110 milhões de cidadãos na pobreza total, 44 milhões de pessoas subnutridas além de uma descida abrupta Investimento Directo Estrangeiro – em África ainda acontecem milagres: o crescimento económico, com excepção neste período de crise, tem mantido em média uma subida superior a 5% ao ano; houve uma diminuição dos conflitos internos e a percentagem de crianças a frequentar a escola tem subido consideravelmente. Alguns Estados Africanos têm prosseguido com excelentes políticas de boa governação (vejam-se os casos da Namíbia, Botsuana ou Cabo Verde).

Mas, se a ajuda internacional continuar a baixar como tem acontecido até ao momento, os “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” jamais poderão ser alcançados. Tal como diz o investigar autor deste novo relatório, a Europa tem um papel fundamental em todo o processo de desenvolvimento de África. Pondo desde já de lado a questão do Colonialismo, “a Europa está apenas a 20kms de distância” de África e, além disso, há uma encruzilhada histórica que liga e ligará os dois continentes. Aos muitos interesses encómicos europeus na região, sempre houve uma atenção especial com África (especialmente de países como Portugal, a Inglaterra ou a França). A Cimeira Europa – África (organizada sempre por iniciativa de Lisboa) é um dos exemplos que põe África no topo das prioridades de desenvolvimento humano dos europeus.

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Este post baseou-se nas reportagens do “Expresso” e do semanário moçambicano “A Verdade”

O Dia da Independência

retirado de A. SOPA (coord.) (2001), Samora. Homem do Povo, Maputo, Maguezo Editores

Dia 25 de Julho celebrou-se a Independência de Moçambique. Um dia carregado de simbolismo, pois foi esta a data estabelecida nos Acordos de Lusaka de 1974, na Zâmbia, como o dia em que Lisboa passou a reconhecer oficialmente a independência de Lourenço Marques e o fim da África Oriental Portuguesa. Curiosamente, 25 de Julho é, também, a data da fundação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), o movimento independentista a quem o Governo foi entregue em 1975.

Para alguns o processo de independência é descrito como o “possível de se efectuar tendo em conta os desenvolvimentos da época”. Para outros, o processo devia ter tomado outro rumo. É verdade que em 1975 o Governo Português não tinha grande espaço de manobra para liderar um processo de transferência gradual de independência, mas estou certo que se houvesse interesse de todas as partes em que a troca de soberania tivesse tido cabeça, tronco e pés, hoje Moçambique seria um melhor país. Bastava fazer o que foi feito com Macau. Aí, o processo de transferência de soberania seguiu um plano elaborado e faz hoje de Macau um paraíso na Ásia.

Aqueles que receberam o poder no pós-25 de Abril em Moçambique souberam manobrar muito bem a História. A História que hoje os meninos e meninas aprendem é, podemos dizer, alterada. Há formas de contar uma história de forma imparcial. Apenas relatando os factos! Há outras em que a História é reescrita de forma a glorificar ou perpetuar uma determinada imagem negativa de algo. Guerra Colonial e Guerra de Libertação,  nomes diferente para a mesma guerra,  são um perfeito exemplo disto!

Foi impossível não reparar na propaganda que os principais jornais de Moçambique publicaram das edições do dia 25 de Julho. À propaganda política somavam-se os habituais “Parabéns Moçambique… fazes 34 anos (!)”. Coisa estranha para mim, pois nunca vi ninguém a fazer isto em Portugal. “Parabéns Portugal, estás velho, vais fazer 900 anos (!)” é algo que não ouvimos pois temos em nós um espírito de unidade que, pela lógica histórica, Moçambique ainda não partilha. Nesta mescla de etnias e línguas que é Moçambique, e à qual quase nenhum país africano escapa, a “livre circulação” de pessoas e mercadorias começa apenas agora a ser uma realidade. A nova Ponte sobre o Rio Zambeze, considerada a maior obra pública em Moçambique desde a independência, é apontada pelos políticos moçambicanos como o elo que faltava para a ligação interna do país. Mas, o caminho faz-se caminhando e não há dúvidas que em Moçambique as coisas não caminharam tão bem como “eles” queriam. É obvio que as diferenças continuam a existir e continua a ser impossível afirmar, praticamente em todas os campos, que agora Moçambique está melhor!

Força Moçambique!

Viva Moçambique!


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