Posts Tagged 'Mariana'

Imagem do dia #149

Para ver a bicharada no Kruger sofre-se muito… 🙂

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Imagem do dia #116

Até logo Mariana…!

À terceira é de vez! Kruger parte III

Pois é, há 17 dias que não vinha aqui! Merecia um castigo! Mas o trabalho tem sido tanto que fui deixando o blog para trás… mas, estou de volta! 🙂

Ora bem, o post de hoje é sobre o Kruger National Park na África do Sul. O KNP ou simplesmente Kruger, é a maior área de conservação de fauna bravia da África do Sul, cobrindo cerca de 20 000 km2. Está localizado no nordeste do país, nas províncias de Mpumalanga e Limpopo e fazendo fronteira com os distritos moçambicanos de Moamba e Magude, na província de Maputo e Massingir e Chicualacuala na Província de Gaza. Tem uma extensão de cerca de 350 km de norte a sul e 60 km de leste a oeste.

Juntamente com o Parque Nacional do Limpopo, em Moçambique, e com o Parque Nacional Gonarezhou, no Zimbabwe, o Kruger faz parte da Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo.

O nome do parque foi dado em homenagem a Stephanus Johannes Paul Kruger, o último presidente da República Sul-Africana bóer.

A minha primeira visita foi em Agosto, estávamos em pleno Inverno austral, época seca, e o Kruger estava amarelo. Não havia muita água, pelo que todos os animais se juntavam perto dos maiores rios para se poderem refrescar. Nessa visita fiquei instalado no sul do Parque em Berg an Dal. Vi leões!!! A grande atracção desta viagem! 🙂

A segunda visita foi em Novembro. O Kruger já estava mais verdinho, o que dificultou ver alguns animais. A grande atracção?! O leopardo!!! E muitos elefantes e girafas!

A terceira vez… a que me “obrigou” a escrever este post foi com a Mariana! 🙂 Já estamos no Verão, a época das chuvas, e isso deu para entender a verdura exuberante do Parque! Aliás, as chuvas têm sido tantas que uma das entradas do Parque (Crocodile Bridge Gate) – a mais próxima da fronteira com Moçambique – estava fechada! Para entrarmos por Crocodile Bridge temos de atravessar um rio e uma pequena ponte que foi construída para poder ser submersa pelas águas em caso de inundação. Mas desta o rio levou água em excesso e acabou por destruir a ponte… conclusão: tivemos de fazer mais 40 quilómetros e entrar por Melalane Gate!

Nestas duas últimas visitas fiquei instalado em Skukuza Camp. Skukuza é o maior centro de acolhimento de visitantes do Parque, oferecendo uma extensa escolha de tipos de acomodação, restaurantes e outros serviços de “recuerdos” que os turistas tanto gostam! 🙂

Aqui ficam algumas fotos e videos das minhas “caçadas” na savana!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na casa de… Malangatana!

Há coisas que às vezes nem percebemos que possam acontecer.

Há umas semanas atrás estava em Maputo e a Mariana, a voluntária que agora trabalha comigo no Orfanato, convidou-me para uma saída à tarde. A vida cultural em Maputo não é muito extensa, pelo que temos que aproveitar todas as ocasiões para uma saída!

Marquei às 15h na casa Museu do Malangatana” – confirmou-me a Mariana.

Visitar a Casa Museu do Malangatana é uma actividade que vem nos guias turísticos, pelo que não estávamos à espera da surpresa… A casa fica situada no Bairro do Aeroporto e, apesar de estar meio escondida numa ruazinha toda enlameada e com muitas poças de água, sem saída e sem qualquer tipo de indicações ao turista, toda a gente sabe onde mora o Malangatana.

Chegámos. Tocámos à campainha e apareceu um menino magrinho que nos deu as boas vindas. Não conseguimos deixar de comentar todo o toque artístico daquela casa. Tudo foi pensado pelo Malangatana, desde o azulejo das paredes até ao gradeamento dos portões!

Entrámos no ateliê… muitos quadros pendurados, outros par acabar… muitas latas de tinta no chão, livros, esculturas, jornais… uma confusão organizada! E na secretária um senhor. Grande, gigante, sentado esperava por nós.

Só nos apercebemos que estávamos a falar com o próprio Malangatana passados alguns minutos de amena conversa! Era ele! Era inacreditável o que estava a acontecer! O próprio Malangatana a falar em primeira pessoa para mim e para a Mariana. Um exclusivo!

Falámos, falámos, falámos… tivemos cerca de três horas com aquele senhor! Vagueámos pelas galerias, vimos as pinturas, as esculturas, os livros… voltámos para o ateliê, bebemos café.

Em quase três horas falámos de tudo, tudo, tudo menos de pintura! Falámos de tudo menos do que ele fazia.

No final, com um coração tão grande como ele próprio, agradeceu. Pensámos que tivesse sido apenas um simples agradecimento, mas não. No dia seguinte a Mariana tinha uma SMS no telemóvel dela onde o Malangatana voltava a agradecer, dizendo que aquela tarde tinha sido maravilhosa.

Ele ficou tocado com o nosso trabalho… afinal, ele já tinha sido uma criança como aquelas que ajudamos a crescer no Orfanato. 

“Muito obrigado meus amigos!” – Malangatana.

E para todos vós que perguntam quem é o Malangatana, digo-vos que é apenas o MAIOR artista de Moçambique! 

Malangatana nasceu em 1936 em Matalana, sul de Moçambique. Os seus primeiros anos de vida foram passados em Escolas de Missões e ajudando a sua mãe nos trabalhos no campo.

Com doze anos, Malangatana muda-se para Maputo (então Lourenço Marques) para procurar trabalho e em 1953 começa a trabalhar no Clube de Ténis como ‘apanha-bolas’. Este trabalho permitiu-lhe continuar a estudar, frequentando as aulas à noite. Foi nesta altura que o seu talento começou a ser notado. Augusto Cabral, membro do Clube de Ténis, forneceu-lhe os materiais e a ajudou-o a vender o seu trabalho. Em 1958 Malangatana frequenta o Núcleo de Arte, com o apoio do pintor Zé Júlio. No ano seguinte, Malangatana tem o seu trabalho exposto publicamente pela primeira vez numa exposição colectiva e, dois anos mais tarde, realiza a sua primeira individual com 25 anos.

Tornou-se artista profissional em 1960, graças ao apoio do arquitecto português Miranda Guedes (Pancho) que lhe cedeu a garagem para atelier. Em 1963 a sua poesia é publicada na revista ‘Black Orpheus‘ e na antologia ‘Modern Poetry from Africa“. No ano seguinte, Valente Malangatana é preso pela Polícia Secreta do Estado Português (PIDE) e passa 18 meses na cadeia, sendo acusado de ligações à FRELIMO (uma das facções que combatiam o regime colonial Português em Moçambique). Em 1971 recebe uma bolsa da Fundação Gulbenkian e estuda gravura e cerâmica. Desde 1981 trabalha exclusivamente como artista.

Malangatana foi agraciado com a medalha Nachingwea pela sua contribuição para a cultura Moçambicana e nomeado Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Expôs em Angola, Portugal, Índia, Nigéria, Chile e Zimbabué entre outros, e o seu trabalho está representado em colecções por todo o mundo. Trabalhou em várias encomendas de arte pública incluindo murais para a FRELIMO e para a UNESCO. Malangatana está também activo no estabelecimento de várias instituições incluindo o Museu Nacional de Arte e um centro para jovens artistas em Maputo. Foi também um dos fundadores do Movimento para a Paz.

O trabalho de Malangatana projecta uma visão ousada da vida onde há uma comunhão entre homens, animais e plantas. Baseia-se na sua ‘herança’ mas simultaneamente abraçando símbolos de modernidade e progresso, síntese entre arte e política. O reconhecimento do seu estatuto está presente na declaração proferida pelo Director-Geral da UNESCO, Federico Mayor ao entregar-lhe a distinção. Mayor nota que Malangatana é ‘muito mais do que um artista, é alguém que demonstra que existe uma linguagem universal, a linguagem da Arte, que permite comunicar uma mensagem de Paz.

FONTE: Contemporary Africa Database

Imagem do dia #104

As três molungas… a minha mãe, a minha prima e a nova voluntária a trabalhar comigo.

Fim de tarde, com calor infernal, junto da Barragem de Macarretane. Pela segunda vez de seguida, consegui ver hipopótamos!

As três molungas!

Trilogia: carne + fogo-de-artifício + polícia

Há certas situações que têm de ser contadas! Especialmente se forem passadas em países que não o nosso.  O fim-de-semana passado prometia ser bem activo, com jantares, festas e passeios por Maputo à mistura! E activo foi ele… demais até!

SEXTA: no Paraíso das Carnes!

Na sexta-feira à tarde parti de Chókwè em direcção a Maputo com a nova voluntária que está em Xai Xai e que em Novembro virá trabalhar no orfanato onde estou. A Mariana já precisava de “banho de civilização”, pois desde o momento em que chegou até ao fim-de-semana passada (3 semanas), ainda não tinha saído do Xai Xai. A cidade é capital de província… mas deixa muito (tudo) a desejar! Como já devem ter percebido, ir a Maputo é, para os que vivem no meio do mato, uma grande necessidade e, ao mesmo tempo, um grande luxo!

Logo na sexta à noite estava marcado o jantar de aniversário do Aldo. Uma verdadeira mesa multicultural, onde as relações internacionais estavam a funcionar plenamente! Era em português, em inglês, em flamengo, em italiano… eram Portugueses, Belgas, Australianas, Suíças, Moçambicanos, Italianos… no fundo, uma micro Babel!

O restaurante, a Esplanada do Kalu’s, carinhosamente apelidada por nós de Paraíso das Carnes, é, como o nome indica, uma esplanada que tem lá dentro uma espécie de talho. Escolhem-se as carnes, os empregados vão grelha-las no centro da esplanada (estão a ver com que cheiro saem de lá as roupas?!?!?!) e depois trazem-nos o banquete à mesa!

Como devem imaginar, grandes jantares com muita gente são sempre propícios a que as “pontas” se desliguem “do centro” da mesa, acabando cada grupinho por seguir para um local diferente no fim da jantarada.

O meu destino foi um bar, Mafalala Libre, na Mao Tzé Tung, onde estava programado um concerto de Marrabenta, a música “nacional” de Moçambique, cantada pelo “pai” deste estilo musical. Entrámos, o ambiente estava porreiro e cedo se ouviram os primeiros acordes… é contagioso! Não dá para ficar sem bater o pé! A noite continuou com muita gente a mostrar as suas qualidades dançantes! Uma vergonha para os Europeus que “mal mexiam o rabinho”! 🙂

SÁBADO: o strip pirotécnico

A noite de sábado prometia. Há vários dias que se andava a programar esta noite. A grande atracção era o Luso. Não, não fomos à central de distribuição de águas! O Luso é um dos mais conhecidos cabarets da capital moçambicana. Situado em plena zona histórica da cidade, mesmo junto ao Porto de Maputo, o cabaret é ponto de encontro para grandes noites de diversão!

Há uns meses atrás, quando fui à Ilha de Inhaca, a viagem de barco foi única e exclusivamente sobre o strip “flamejante” que uma menina tinha apresentado no Luso. Todas as vezes que saímos em Maputo este espectáculo era assunto recorrente… tanto que para todos os que não assistiram da primeira vez ao show, uma visita ao fogo-de-artifício era quase obrigatório!

Nem mais, lá fomos nós! Não há diferenças de raça ou de classe… lá todos são iguais e há apenas dois tipos de pessoas: os que querem lá ir para ver o espectáculo… e os outros que vão lá para o engate!

Tinham-me avisado que o ambiente era pesado, mas eu queria ver como era! Logo à entrada uma menina faz-me uma primeira “inspecção”… “Perigoso…” foi o resultado da busca dela!

Seguimos para um local menos movimentado à espera do show. Enquanto esperávamos fomos todos (rapazes e raparigas) inspeccionados várias vezes! Se calhar elas queriam ver se tínhamos alguma arma preparada para disparar!!! 😉 São umas malandras! 🙂

O espectáculo lá começou! Varão, vela acesa, fogo, labaredas. Mais não posso dizer… isto é lido por crianças!!! Só posso afirmar que a técnica da stripper com a vela acesa era, de facto, FANTÁSTICA!

DOMINGO: Dia da Polícia

Com o fim-de-semana já a terminar, faltava-me a habitual saltada ao Game, o Jumbo cá da zona, para as compras do mês.

O meu passaporte e a carta internacional de condução tinham ficado na carteira da Rita. Ora bem, andava sem documentos nenhuns! Já ia a caminho do supermercado quando sou mandado parar pela polícia.

Bom dia, o Senhor cometeu uma infracção grave!” – disse o polícia.

EU? Onde?” – exclamei eu… mesmo desconfiando que tinha mesmo feito algo de errado.

Sim, virou à esquerda no final desta avenida na faixa onde tal não é permitido” – explicou, muito calmamente, o polícia.

Na realidade, fiquei a perceber para que servem as vias laterais da Avenida Salvador Allende. Tal como em Lisboa, na Avenida da Liberdade, esta grande avenida tem faixas laterais, separadas das faixas de circulação normais, para se proceder nas viragens à esquerda ou à direita. Com o erro assumido, não tive outra opção se não pagar a multa. Mas, ao contrário do que acontece em Portugal, as multas são pagas, pelo menos com esta polícia (espécie de PSP), junto do Comando Central. Para lá chegarmos temos de nos fazer acompanhar pelo polícia que nos multou! Aqui em Moçambique, a polícia é muito dada a favorezinhos e pequenos subornos (os refrescos como aqui se diz). A multa era de 2000 Meticais (mais ou menos 50 Euros), um preço elevado, mas que eu queria a toda a força pagar para não ter de dar um pequeno “refresco” ao polícia.

Se quer pagar temos de o acompanhar ao Comando” – explicou o polícia.

Com certeza, façam favor de entrar” – armei-me eu em esperto…

Entraram dois polícias, armados com as suas metralhadoras, para dentro do carro. Tenho que assumir que a ideia de viajar com duas armas nas mãos de dois polícias dentro do carro não é fácil!

Conversa puxa conversa, eles lá me perguntaram para onde ia. Disse-lhes que ia levar uma colega a Xai Xai e que depois seguiria para Chókwè. Disse, também, à espera que fizesse algum efeito, que trabalhava com Irmãs e com crianças órfãs (perdoem-me!!!). E não é que teve efeito.

Não entre no Comando… siga em frente! Sabe, Sr. Emanuel, há outra forma de contornar a situação” – disse um dos polícias de forma muito evasiva.

Ai sim? Qual” – pergunta retórica minha!

O Sr. Emanuel é que sabe!” – a resposta, estava-se mesmo a ver, era a pedir um refresco em troca da multa.

Não sei como consegui, mas encostei o carro, virei-me para trás e, vendo que a probabilidade de eles saírem do carro era muita, disse: “Só tenho 140 meticais aqui comigo. Mas isto é tão pouco…” Mais uns dedos de conversa e eles lá se conformaram com os 140 Meticais. É triste, eu sei, mas a vontade que eles tinham que eu fosse pagar de facto a multa também não era muita!

O Hugo e a Rita, que me seguiram desde que fui mandado parar, só se riam da situação! Embora reprovassem o refresco dado…

Mas, a saga policial ainda não tinha acabado! Não, há sempre uma segunda parte!

Já na estrada a caminho do Xai Xai, a Nacional 1, fui mandado para novamente no meio de uma povoação. Não sei se seria Palmeira ou 3 de Fevereiro, mas que vinha distraído na conversa era verdade!

Boa tarde! Convido-o a sair e verificar a velocidade a que entrou nesta localidade” – que convite tão amável por parte do polícia!

Entrei a 69 km/h quando o máximo era apenas 60. Desta não havia forma de me escapar à multa. Foram só 9 quilómetros/hora de diferença, mas não havia escapatória! 1000 Meticais de multa. Estes, pelo menos, passam recibo pelo que a probabilidade de o dinheiro ir parar a mãos sujas é menos provável!

Bem, já sei, quando vir a placa a dizer “proibido circular a mais de 60 km/h” vou-me lembrar sempre dos meus belos 1000 Meticais de multa!

Não paguei na primeira vez… paguei à segunda!

Como diz um amigo meu, “são vidas!


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