Posts Tagged 'machibombo'

A diferença…

A diferença entre o que consideramos ser civilizado e não civilizado está topicamente standardizado. Há sempre algumas oscilações de variam de país para país, de sociedade para sociedade e de cultura para cultura. Há contudo, standards mínimos. Por exemplo, ceder o lugar num machibombo a uma pessoa idosa. Mas às vezes, as pessoas conseguem surpreender-me! O machibombo ia cheio e por isso cedi o meu lugar a uma senhora de idade que não andava, nem se quer tinha cadeira de rodas. Simplesmente arrastava-se pelo chão. Subir para o machibombo foi como escalar uma montanha! Levantei-me e disse: “pode sentar-se aqui!“. As pessoas à minha volta comentaram a situação. Não percebi nada pois falavam Changana.  Fiquei alguns minutos de pé.

Surge, então, a cobradora que tinha assistido à situação toda. Pedi-lhe o meu bilhete e ela disse-me:

Se quiseres peço a alguém que se levante para te poderes sentar“.

Não obrigado!” – respondi.

Não percebi bem aquela atitude! Será que foi uma forma de dizer obrigado pela situação anterior… ou foi mais uma vez a minha cor de pele a falar mais alto?!

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Imagem do dia #135

Foram precisos muitos homens e mais de uma hora para resolver este problema: como substituir um pneu furado!

A espera, que levou toda a gente a sair do machibombo e esperar na rua, pois aqui estava bem mais fresquinho, foi solucionada por apenas um senhor que, muito irritado, saltou para a estrada, mandou afastar todos os outros homens, agarrou no pneu e simplesmente fixou-o no lugar certo! Os primeiros sete pares de mãos não fizeram nada… o último par arranjou tudo! 

O controlo

Há coisas que enervam mesmo o mais santo de nós! E, há coisas, que só podem acontecer em países como Moçambique!

Na quinta-feira passada ia a caminho de Maputo no PUTCO, a linha regular de machibombos (autocarros) que liga Chókwè à capital moçambicana.

Os controlos policiais são uma constante na estrada. Em parte, é uma herança do período da Guerra Civil onde era preciso controlar a movimentação de pessoas, bens e militares/guerrilheiros. Em parte, devido ao excesso de zelo que a Polícia tem sobre os condutores… especialmente se forem estrangeiros!

Se a primeira parte do “em parte” já não faz sentido, a segunda parte do “em parte” é um excelente pretexto para se passar uma multinha (que muitas vezes são correctamente aplicadas). É um excelente pretexto também para se conseguir um “refresco“. Ou seja, corrupção em todo o lado!

Como estava a descrever, na quinta-feira ia o machibombo a chegar a Marracuene, uns 30 e poucos quilómetros antes de Maputo, quando somos mandados parar pela Polícia.   A princípio pensei que fosse devido ao excesso de velocidade que o autocarro levava. Mas não, não foi devido a isso! E, afinal, quem nos mandou para foi o Exército e não a Polícia. Entraram no autocarro. Percorreram o corredor central de uma ponta a outra. Dois militares fardados e um, ao que parece, à civil.

Não está aqui o meu irmão” – foi a frase que o militar à civil pronunciou. Voltou para trás e o militar fardado disse:

Vai-lhe pedir a identificação” – ordenou um militar ao outro.

Não liguei muito à conversa até o tal militar à civil se ter aproximado junto de mim e me perguntar:

Desculpe, será que me poderia mostrar a sua identificação?

É o cúmulo! Eu fui o único a ser identificado e era, também, o único branco no autocarro!

Fiquei chateado, é certo, mas não tinha outra opção. Sou estrangeiro e eles são a autoridade!

Apenas perguntei porque razão teria de ser eu o único a mostrar o meu passaporte. A resposta foi uma estranha:

Quer que eu mostre a minha identificação também?!

Dei o passaporte para a mão. Em vez de verificarem se estava legal em Moçambique, ou seja, se tinha o visto em dia e os selos no passaporte, não! Foram ver o meu nome e a minha fotografia! Bem que o passaporte podia ser falso que nunca iriam dar conta!

Mas, a saga continua…

O polícia manda parar o carro que eu conduzia. Seria normal que me quisesse fazer um teste de alcoolémia. Era sexta-feira e eu tinha saído de um bar. Mas não. Um dos faróis do carro estava fundido. Saí do carro para verificar. Aqui, o polícia não esteve com meias medidas:

Senhor Alberto, sabe que podemos resolver isto de outra maneira!

Sim, mas eu quero saber quanto é a multa!

São 1000 Meticais, mas sabe que há sempre outra forma de sair daqui!”

Sim, mas eu quero mesmo pagar a multa. Chame lá o carro de patrulha para nos acompanhar à Esquadra.

Senhor Alberto, pague um “refresco” e poderá ir-se embora!

Apesar de descarado, não posso dizer que o polícia fora mal-educado. Voltei para dentro do carro e o Aldo iniciou um longo, longo discurso…

Sabe Senhor polícia, nós somos pessoas de princípios, e já poucas pessoas com princípios aqui! Por isso queremos mesmo pagar a multa!

O discurso continuou e eu e o Aldo estávamos dispostos a esperar o tempo que fosse necessário para que a patrulha chegasse.

O discurso continuou até que a parelha de polícias lá se apercebeu que da nossa parte não teria sorte e jamais veria um “refresco“!

Então… sigam lá!” – disse o polícia por último!

Não é de fazer perder a paciência a um santo?!

PS: até parece que nestes últimos posts tenho adoptado uma postura muito anti-moçambicana, mas tal não é verdade! O que é verdade é que atingi o ponto de saturação! Saturação para todo o tipo de faltas de educação que são tão comuns por aqui! Eles não querem aprender e levam a mal quando lhes ensinamos! Não há paciência que resista!

SUGESTÃO: sair de Moçambique regularmente!

As vistas lá de cima…

O que se perde por se ser baixinho…

Espaço sem fim...

Ontem fiz a viagem de Chókwè até Maputo de machibombo. E que viagem interessante!

Ao contrário dos chapas que viajam bem carregadinhos de pessoas e animais, no machibombo, autocarro em moçambiquês, tens o teu lugar e podes viajar bem descansado. A viagem de 4 horas e meia foi uma agradável surpresa. São quatro horas e meia em que os olhos não param quietos, em que as pálpebras não se fecham, tudo porque as vistas são deslumbrantes. Se de carro já dá para ver planícies sem fim e rios de água prateada a serpentear a savana, de machibombo, a mais de 2 metros de altura, o panorama assume outros contornos ainda mais majestosos. Até no Chókwè, que na realidade pouco ou nada tem para ver, a estrada e os campos que circundam a cidade tomam outra dimensão.

Agora sim, percebo a vastidão que são os campos de arroz e de cana-de-açúcar, agora consegui ver para além da primeira fileira de cajueiros, agora consegui ver as ruas dos bairros da urbe maputense apinhadas de gente… e na entrada em Maputo, apesar da confusão e do trânsito caótico, a cidade aparece lá ao longe, grandiosa, com os seus edifícios altos envoltos numa luz dourada que parece abraçar Moçambique no final de cada dia!

E, apesar de já ter feito o caminho Chókwè-Maputo-Chókwè várias vezes, parece que foi como na primeira vez.

EN-CAN-TA-DO do princípio ao fim!

Gold light...

 

 

 

 

 

 

 

 

Acreditem que a viagem de 4 horas e meia passou num instante! 😉


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