Posts Tagged 'História & Cultura'

Imagem do dia #128

 

Durban (em Língua zulu eThekwini) é uma cidade da África do Sul, na Província de KwaZulu-Natal, na costa do Oceano Índico. Tem cerca de 2.7 milhões de habitantes (4 milhões na área metropolitana). É a segunda cidade do país em número de habitantes (a primeira é Joanesburgo). A língua mais falada é o Zulu, seguida pelo Inglês, o Afrikaans e o Hindi.

A cidade perdeu muito do estatuto de destino internacional de férias durante a década de 90 do século XX, sendo substituída pela Cidade do Cabo. Contudo, Durban tem o maior porto de toda a África e aloja o maior terminal de contentores de todo o Hemisfério Sul.

Durban é, igualmente, a maior cidade da Província de KwaZulu-Natal. O nome da província tem duas origens. KwaZulu significa em Língua Zulu “A terra dos Zulus”. A Zululand é uma região natural de onde é originário o povo Zulu. O termo Natal provém da História. Oficialmente, Vasco da Gama aportou na costa desta região no dia 25 de Dezembro de 1497, um ano antes da sua chegada à Índia. Este território passou então a ser denominado Natal. O mesmo aconteceu durante o período de colonização britânica e durante o Apartheid. Desde 1994, ano das primeiras eleições livres na África do Sul, a denominação oficial da Província é KwaZulu-Natal. 

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Imagem do dia #126

Uma loja perdida no meio do mato em Chongoene, Província de Gaza.

Imagem do dia #119

Quando Vasco da Gama atracou nestas águas, Janeiro de 1498, chamou a este território “Terra da Boa Gente”.

Hoje em dia, Inhambane é uma das maiores atracções turísticas do sul de Moçambique. Junto à cidade, protegida por uma enorme baía com o mesmo nome, situam-se as praias da Barra, Tofo e Tofinho. A própria cidade de Inhambane, capital provincial, é um autêntico museu ao ar livre. A cidade preservou o seu estilo colonial, as suas cores e o reboliço do porto pesqueiro.

À terceira é de vez! Kruger parte III

Pois é, há 17 dias que não vinha aqui! Merecia um castigo! Mas o trabalho tem sido tanto que fui deixando o blog para trás… mas, estou de volta! 🙂

Ora bem, o post de hoje é sobre o Kruger National Park na África do Sul. O KNP ou simplesmente Kruger, é a maior área de conservação de fauna bravia da África do Sul, cobrindo cerca de 20 000 km2. Está localizado no nordeste do país, nas províncias de Mpumalanga e Limpopo e fazendo fronteira com os distritos moçambicanos de Moamba e Magude, na província de Maputo e Massingir e Chicualacuala na Província de Gaza. Tem uma extensão de cerca de 350 km de norte a sul e 60 km de leste a oeste.

Juntamente com o Parque Nacional do Limpopo, em Moçambique, e com o Parque Nacional Gonarezhou, no Zimbabwe, o Kruger faz parte da Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo.

O nome do parque foi dado em homenagem a Stephanus Johannes Paul Kruger, o último presidente da República Sul-Africana bóer.

A minha primeira visita foi em Agosto, estávamos em pleno Inverno austral, época seca, e o Kruger estava amarelo. Não havia muita água, pelo que todos os animais se juntavam perto dos maiores rios para se poderem refrescar. Nessa visita fiquei instalado no sul do Parque em Berg an Dal. Vi leões!!! A grande atracção desta viagem! 🙂

A segunda visita foi em Novembro. O Kruger já estava mais verdinho, o que dificultou ver alguns animais. A grande atracção?! O leopardo!!! E muitos elefantes e girafas!

A terceira vez… a que me “obrigou” a escrever este post foi com a Mariana! 🙂 Já estamos no Verão, a época das chuvas, e isso deu para entender a verdura exuberante do Parque! Aliás, as chuvas têm sido tantas que uma das entradas do Parque (Crocodile Bridge Gate) – a mais próxima da fronteira com Moçambique – estava fechada! Para entrarmos por Crocodile Bridge temos de atravessar um rio e uma pequena ponte que foi construída para poder ser submersa pelas águas em caso de inundação. Mas desta o rio levou água em excesso e acabou por destruir a ponte… conclusão: tivemos de fazer mais 40 quilómetros e entrar por Melalane Gate!

Nestas duas últimas visitas fiquei instalado em Skukuza Camp. Skukuza é o maior centro de acolhimento de visitantes do Parque, oferecendo uma extensa escolha de tipos de acomodação, restaurantes e outros serviços de “recuerdos” que os turistas tanto gostam! 🙂

Aqui ficam algumas fotos e videos das minhas “caçadas” na savana!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na casa de… Malangatana!

Há coisas que às vezes nem percebemos que possam acontecer.

Há umas semanas atrás estava em Maputo e a Mariana, a voluntária que agora trabalha comigo no Orfanato, convidou-me para uma saída à tarde. A vida cultural em Maputo não é muito extensa, pelo que temos que aproveitar todas as ocasiões para uma saída!

Marquei às 15h na casa Museu do Malangatana” – confirmou-me a Mariana.

Visitar a Casa Museu do Malangatana é uma actividade que vem nos guias turísticos, pelo que não estávamos à espera da surpresa… A casa fica situada no Bairro do Aeroporto e, apesar de estar meio escondida numa ruazinha toda enlameada e com muitas poças de água, sem saída e sem qualquer tipo de indicações ao turista, toda a gente sabe onde mora o Malangatana.

Chegámos. Tocámos à campainha e apareceu um menino magrinho que nos deu as boas vindas. Não conseguimos deixar de comentar todo o toque artístico daquela casa. Tudo foi pensado pelo Malangatana, desde o azulejo das paredes até ao gradeamento dos portões!

Entrámos no ateliê… muitos quadros pendurados, outros par acabar… muitas latas de tinta no chão, livros, esculturas, jornais… uma confusão organizada! E na secretária um senhor. Grande, gigante, sentado esperava por nós.

Só nos apercebemos que estávamos a falar com o próprio Malangatana passados alguns minutos de amena conversa! Era ele! Era inacreditável o que estava a acontecer! O próprio Malangatana a falar em primeira pessoa para mim e para a Mariana. Um exclusivo!

Falámos, falámos, falámos… tivemos cerca de três horas com aquele senhor! Vagueámos pelas galerias, vimos as pinturas, as esculturas, os livros… voltámos para o ateliê, bebemos café.

Em quase três horas falámos de tudo, tudo, tudo menos de pintura! Falámos de tudo menos do que ele fazia.

No final, com um coração tão grande como ele próprio, agradeceu. Pensámos que tivesse sido apenas um simples agradecimento, mas não. No dia seguinte a Mariana tinha uma SMS no telemóvel dela onde o Malangatana voltava a agradecer, dizendo que aquela tarde tinha sido maravilhosa.

Ele ficou tocado com o nosso trabalho… afinal, ele já tinha sido uma criança como aquelas que ajudamos a crescer no Orfanato. 

“Muito obrigado meus amigos!” – Malangatana.

E para todos vós que perguntam quem é o Malangatana, digo-vos que é apenas o MAIOR artista de Moçambique! 

Malangatana nasceu em 1936 em Matalana, sul de Moçambique. Os seus primeiros anos de vida foram passados em Escolas de Missões e ajudando a sua mãe nos trabalhos no campo.

Com doze anos, Malangatana muda-se para Maputo (então Lourenço Marques) para procurar trabalho e em 1953 começa a trabalhar no Clube de Ténis como ‘apanha-bolas’. Este trabalho permitiu-lhe continuar a estudar, frequentando as aulas à noite. Foi nesta altura que o seu talento começou a ser notado. Augusto Cabral, membro do Clube de Ténis, forneceu-lhe os materiais e a ajudou-o a vender o seu trabalho. Em 1958 Malangatana frequenta o Núcleo de Arte, com o apoio do pintor Zé Júlio. No ano seguinte, Malangatana tem o seu trabalho exposto publicamente pela primeira vez numa exposição colectiva e, dois anos mais tarde, realiza a sua primeira individual com 25 anos.

Tornou-se artista profissional em 1960, graças ao apoio do arquitecto português Miranda Guedes (Pancho) que lhe cedeu a garagem para atelier. Em 1963 a sua poesia é publicada na revista ‘Black Orpheus‘ e na antologia ‘Modern Poetry from Africa“. No ano seguinte, Valente Malangatana é preso pela Polícia Secreta do Estado Português (PIDE) e passa 18 meses na cadeia, sendo acusado de ligações à FRELIMO (uma das facções que combatiam o regime colonial Português em Moçambique). Em 1971 recebe uma bolsa da Fundação Gulbenkian e estuda gravura e cerâmica. Desde 1981 trabalha exclusivamente como artista.

Malangatana foi agraciado com a medalha Nachingwea pela sua contribuição para a cultura Moçambicana e nomeado Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Expôs em Angola, Portugal, Índia, Nigéria, Chile e Zimbabué entre outros, e o seu trabalho está representado em colecções por todo o mundo. Trabalhou em várias encomendas de arte pública incluindo murais para a FRELIMO e para a UNESCO. Malangatana está também activo no estabelecimento de várias instituições incluindo o Museu Nacional de Arte e um centro para jovens artistas em Maputo. Foi também um dos fundadores do Movimento para a Paz.

O trabalho de Malangatana projecta uma visão ousada da vida onde há uma comunhão entre homens, animais e plantas. Baseia-se na sua ‘herança’ mas simultaneamente abraçando símbolos de modernidade e progresso, síntese entre arte e política. O reconhecimento do seu estatuto está presente na declaração proferida pelo Director-Geral da UNESCO, Federico Mayor ao entregar-lhe a distinção. Mayor nota que Malangatana é ‘muito mais do que um artista, é alguém que demonstra que existe uma linguagem universal, a linguagem da Arte, que permite comunicar uma mensagem de Paz.

FONTE: Contemporary Africa Database

Lourenço Marques 1970

Lourenço Marques em 1970.

Cada vez que visito Maputo consigo perceber melhor o que teria sido a cidade de Lourenço Marques. Imponente sobre o Índico, confluência de vários povos. Lourenço Marques, a cidade das acácias, fica para sempre marcada na memória de quem a visita.

Relatório da ONU afirma: “Colonialismo não pode continuar a ser o bode expiatório para o atraso de África”

Finalmente a ONU reconhece oficialmente que o Colonialismo não pode continuar a ser o bode expiatório para o atraso de África.

Na próxima Assembleia Geral das Nações Unidas, a decorrer em Setembro em Nova Iorque, o Secretário-geral da organização, o Sul Coreano Ban Ki-Moon, irá apresentar um novo relatório sobre África, o seu desenvolvimento e os seus desafios. Este novo documento, da autoria do Português Rodrigo Tavares, revela-se um novo olhar sobre África.

O Continente Negro enfrenta, como todo o mundo, a crise financeira e económica que abalou as mais fortes economias mundiais. Dependente da exportação de matérias-primas como as madeiras ou o petróleo, os países africanos estão a combater a actual crise com um custo muito superior ao dos restantes Estados. Pobreza, corrupção, má gestão, guerras civis, desemprego, violência e falta de unidade e consciência nacional são alguns dos muitos problemas que cronicamente afectam a maioria dos Estados de África.

Até há pouco tempo atrás, o Colonialismo servia de bode expiatório para todo e qualquer mal que África tinha. Não havia união nacional (jamais se poderia falar em Estados Nação como no Velho Continente) pois, às custas das políticas expansionistas das potências europeias, África tinha sido dividida a régua e esquadro. Não se podia falar em desenvolvimento económico pois as velhas potências não tinham criado as condições ideais para o desenvolvimento sustentado da população. Não se podia falar em muita coisa! O Colonialismo era a razão para todo o atraso de África!

Hoje o panorama é diferente! E hoje a ONU reconhece que o Colonialismo não pode ser mais usado como forma de desculpar todo o subdesenvolvimento de África.

É verdade que este tema continua a ser tabu em muitos países do continente e que, na realidade, o período colonial deixou feridas profundas que ainda hoje têm cicatrizes visíveis em quase todos os países. É verdade que o Colonialismo é reprovável e que teve consequências no desenvolvimento de muitas jovens nações. Mas, também é verdade que o Colonialismo já acabou. Acabou em 1994 quando a África do Sul reconheceu o direito à independência da Namíbia, mas, de facto, os últimos actos de Colonialismo tiveram lugar na década de 70 do século passado. A independência das 5 antigas colónias Portuguesas neste continente encerrou o processo de colonização em África. Desde então, as nações africanas ficaram por sua conta e risco. Não foi um processo pacífico: houve muitas guerras civis pelo meio, houve muitos golpes de Estado, houve muita propaganda e houve, também, muita má gestão.

Rodrigo Tavares, o autor do relatório, revela que é uma falta de respeito os líderes africanos acusarem sistematicamente as antigas potências pelo seu atraso: “É impensável criticar os antepassados coloniais relativamente ao que está a acontecer diariamente naquele continente. Isso negligencia a própria capacidade dos africanos de serem responsáveis pelos seus actos, é uma desconsideração“, afirma a investigador.

Nem mais, os Estados Africanos e os seus líderes deixaram de ter no período colonial a desculpa para a sua situação actual. E, não é a primeira vez que este tema vem às luzes da ribalta. Recentemente, Lula da Silva, Presidente do Brasil, e Barack Obama, Presidente dos EUA, afirmaram esta mesma ideia em deslocações a alguns países africanos.

São os próprios africanos – adoptando muitas vezes discursos vitimizadores que culpabilizam o colonialismo como raiz de todos os seus problema – que patrocinam o assistencialismo. Sem ajuda da União Europeia, a União Africana dificilmente teria condições para continuar a exercer as suas funções

Apesar da oficialização desta ideia por parte da ONU ser a grande novidade do relatório, e reconhecendo que tal não será bem recebido por muitas elites africanas, pois de certa forma vai ao desencontro da ideologia defendida por alguns líderes africanos, nem todo o panorama apresentado é baseado nesta nova perspectiva. A par da actual crise, que tanto tem afectado África – só para se ter uma ideia, o relatório prevê 28 milhões de desempregados em 2009, 110 milhões de cidadãos na pobreza total, 44 milhões de pessoas subnutridas além de uma descida abrupta Investimento Directo Estrangeiro – em África ainda acontecem milagres: o crescimento económico, com excepção neste período de crise, tem mantido em média uma subida superior a 5% ao ano; houve uma diminuição dos conflitos internos e a percentagem de crianças a frequentar a escola tem subido consideravelmente. Alguns Estados Africanos têm prosseguido com excelentes políticas de boa governação (vejam-se os casos da Namíbia, Botsuana ou Cabo Verde).

Mas, se a ajuda internacional continuar a baixar como tem acontecido até ao momento, os “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” jamais poderão ser alcançados. Tal como diz o investigar autor deste novo relatório, a Europa tem um papel fundamental em todo o processo de desenvolvimento de África. Pondo desde já de lado a questão do Colonialismo, “a Europa está apenas a 20kms de distância” de África e, além disso, há uma encruzilhada histórica que liga e ligará os dois continentes. Aos muitos interesses encómicos europeus na região, sempre houve uma atenção especial com África (especialmente de países como Portugal, a Inglaterra ou a França). A Cimeira Europa – África (organizada sempre por iniciativa de Lisboa) é um dos exemplos que põe África no topo das prioridades de desenvolvimento humano dos europeus.

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Este post baseou-se nas reportagens do “Expresso” e do semanário moçambicano “A Verdade”

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