Posts Tagged 'Guebuza'

Caixa Geral de Depósitos reforça presença em Moçambique

A CGD vai reforçar a sua presença em Moçambique, após um acordo bilateral hoje assinado entre o primeiro ministro português, José Sócrates, e o presidente moçambicano, Armando Emílio Guebuza.

O acordo, foi assinado em Maputo na sequência de uma visita do primeiro ministro português a Moçambique, vai permitir ao banco estatal ampliar a sua linha de crédito de 200 para 400 milhões de euros.

Esta linha destina-se ao financiamento de projetos de investimento em infraestruturas, assim como em empresas na área da energia, dos transportes, da saúde, da educação, da formação de capital humano, bem como no fornecimento de equipamentos e serviços de origem portuguesa.

FONTE: RTP
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Culto de Personalidade?!

Este Moçambique tem vindo a surpreender… pela negativa muitas vezes!

Este tipo de democracia encapuçada esconde o que na realidade se consideraria um Estado de partido único ou uma ditadura.

Armando Emílio Guebuza foi reeleito para o seu segundo mandato como Presidente da República de Moçambique recentemente. A eleição foi elogiada pelos observadores internacionais como tendo sido “livre e transparente“. Na realidade, o acto de votar pode ter sido assim mesma, mas tudo o que ficou atrás dela, desde a campanha, ao registo dos votos e às movimentações da Comissão Nacional de Eleições, foram tudo menos “livres e transparentes“!

A investidura de Guebuza decorreu ontem, dia 14 de Janeiro. Estiveram presentes vários Chefes-de-Estado e de Governo de vários países africanos, muitos deles de Estados nada democráticos. A grande presença foi a do Presidente Sul-africano, Jacob Zuma.

Até aí tudo bem.

O que realmente é surreal é o Governo de um dos países mais pobres do mundo ter decretado tolerância de ponto aos trabalhadores para poderem assistir à investidura do Presidente.

Num país onde a maior parte da população não tem acesso a electricidade, logo, não tem acesso à televisão; num país onde a produtividade da população activa é baixíssima e onde a riqueza continua extremamente mal distribuída e onde a pobreza come cada vez mais cidadãos, como explicar que a uma quinta-feira seja decretado tolerância de ponto?! Hoje é sexta-feira e acredito que muita gente aproveitou para fazer um fim-de-semana prolongado.

Não precisamos de andar muito para trás na História para encontrar situações de culto de personalidade que nos façam lembram a situação de ontem… não sou o único a pensar nisto… http://oficinadesociologia.blogspot.com/2009/06/culto-de-personalidade.html 

Imagem do dia #106

A capa do jornal “O País” de 12 de Novembro. Vitória clara!
Capa "O País" de 12 de Novembro
Distribuição mandatos no Parlamento

Guebuza ganha com 75 por cento quando estão contadas 90 por cento das mesas

Armando Guebuza, Presidente da República moçambicano e candidato a um segundo mandato, deverá ganhar as eleições presidenciais moçambicanas com mais de três quartos dos votos, uma votação idêntica para o partido que representa, a FRELIMO.

Quando estão contadas quase 90 por cento das mesas de voto (11.357 de 12.699 mesas), os dados do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) indicam que Armando Guebuza tem 76,3 por cento dos votos, contra 14,9 por cento de Afonso Dhlakama, líder da RENAMO, e 8,8 por cento de Daviz Simango, presidente do MDM.

Os moçambicanos foram quarta-feira da semana passada às urnas para escolher o novo Presidente da República, mas também os deputados à Assembleia da República e os deputados às assembleias provinciais.

FONTE: Agência Lusa

O elo que faltava

Capa da edição de 31 de Julho do jornal "O País"Moçambique encontra-se dividido geograficamente em três grandes regiões: o Sul, constituído pelas Províncias de Maputo-Cidade, Maputo, Gaza (onde eu vivo) e Ilhambane, o Centro, constituído pelas Províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia, e, finalmente, o Norte, Províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa . A atravessar o país encontra-se o Rio Zambeze, um dos maiores de África e que até ontem (1 de Agosto) funcionou como barreira física entre o norte e o sul do país.

O Rio dividia o país em dois: o sul, consideravelmente mais desenvolvido, e o norte menos desenvolvido mas com um potencial turístico enorme. Contudo, faltava ao país completar a sua espinha dorsal: os 2,4 quilómetros de largura de rio que separavam as duas margens eram o elo em falta para completar o percurso da Estrada Nacional 1.

A construção de uma ponte a ligar os distritos de Caia (Sofala) e Chimuara (Zambézia) não é uma ideia recente. Ainda durante o período de Administração Portuguesa, nos anos 70, o famoso Eng. Edgar Cardoso apresentou uma proposta para a construção de uma ponte que acabasse com a necessidade de se recorrer a batelões para atravessar o rio. Em 1977, já com Moçambique independente, o Governo de Samora Machel deu ordem para as obras avançarem, contudo, passados apenas 4 anos,  os trabalhos foram interrompidos devido ao início da Guerra Civil. Em 1994, já com a Guerra terminada, o novo Governo de Joaquim Chissano volta a pôr a construção da ponte sobre o Zambeze no topo das prioridades. Sem grande sucesso, as obras foram-se arrastando devido à falta de fundos. Nem mesmo o pedido de ajuda monetária ao exterior funcionou. As más condições económicas do país levaram a que os sucessivos Governos revissem a prioridade da construção da ponte. Houve até um estudo de viabilidade económica, feito em 1999, que indicava que apenas em 2019 a construção da nova ponte seria economicamente viável.

Aos poucos, as ajudas internacionais começaram a aumentar e o sonho da construção da nova ponte voltou a ser possível. Apesar dos esforços dos sucessivos Governos, apenas em 2004 o Executivo de Armando Guebuza decreta o Projecto da Ponte do Zambeze. A travessia tinha um valor calculado de 78 milhões de Euros (mais de 28 mil milhões de Meticais na altura) e foi financiada pelo próprio Estado Moçambicano e pelas agências de cooperação da Itália, Suécia, Japão, União Europeia e Banco Mundial.

O concurso público internacional para a construção da travessia seleccionou o consórcio Português Mota & Engil/Soares da Costa.

A construção daquela que é considerada a maior obra pública do pós-independência contou com uma força de cerca de 500 homens.

Apenas dois anos e meio após o início das obras, a construção da ponte é concluída. Este feito, considerado vital para o desenvolvimento de Moçambique, vai pela primeira vez ligar o país de norte a sul por estrada asfaltada.

A obra em si

Construção da Ponte. Fonte: Jornal O PaísA nova Ponte sobre o Rio Zambeze, baptizada de Ponte Armando Emílio Guebuza, em homenagem ao actual Presidente da República, tem aproximadamente 2,4 quilómetros de extensão e 16 metros de largura. A nova travessia foi construída de forma a poder continuar a ser utilizada mesmo em caso de cheias (recorde-se que a região do Vale do Zambeze é propícia a cheias). A tecnologia empregue na construção desta ponte foi considerada “de ponta ao nível do continente africano“. Grande parte do equipamento utilizado foi importado da Europa.

Desafios e polémicas

Antigo batelão. Fonte: Jornal O PaísA nova travessia alterou o quotidiano das populações locais. Se durante o período de construção houve um aumento da taxa de empregabilidade e uma pequena explosão económica nas duas localidades onde a ponte começa e termina, hoje assistimos ao contrário. Os trabalhadores já abandonaram o local e o comércio que floresceu nas duas margens à custa do aumento de trabalhadores hoje não encontra mais procura.

Por outro lado, a nova ponte veio diminuir os tempos de ligação entre as duas margens e entre as várias capitais de província. Até ontem, a travessia era efectuada com recurso a um batelão. Em caso de avaria, a travessia de carros só podia ser efectuada por desvios que podiam levar dias a percorrer: um através da Província de Tete e outro atravessando o Malawi. Ambos implicavam várias centenas de quilómetros de desvio.

Como em todas as grandes obras, as críticas são sempre bem audíveis. No caso desta ponte, a principal crítica recai sobre o seu próprio nome! Afonso Dhlakama, líder do maior partido da oposição, a RENAMO, e concorrente às Eleições Presidenciais deste ano, afirmou recentemente “Eu não gosto de dar nomes, porque eu não sou comunista. Esta é a filosofia dos comunistas que (basta) construir um prédio, passa a ser nome do Presidente, construir uma barraca passa a ter nome do primeiro-ministro“.

 

Críticas à parte, a abertura da travessia trará benefícios evidentes para todo o desenvolvimento de Moçambique e para a “consagração da integridade territorial” de um dos mais estáveis Estados de todo o continente africano.

Armando Guebuza primeiro candidato oficial às presidenciais

O presidente da FRELIMO, partido no poder em Moçambique, apresentou hoje em Maputo a candidatura às eleições presidenciais de Outubro, que quer ganhar para “continuar a lutar contra a pobreza”. mais…

No dia de Camões…

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas… não é feriado em Moçambique, mas hoje na cidade de Chókwè foi como se tivesse sido feriado! Razão?! O Presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza, veio visitar a cidade.

E que festa foi para aqui… Nas últimas semanas tenho notado mais trabalhadores a arranjarem os jardins, os buracos na estrada e a limparem a cidade. Ontem, quando cheguei do trabalho, reparei que a cidade estava enfeitada com muitas bandeiras, cada uma com uma cor da bandeira de Moçambique.

Hoje de manhã estava tudo em festa! Não houve aulas e todos os serviços e lojas estiveram fechados. Não havia bancos, padaria ou supermercados a funcionar… até as bancas do mercado estavam fechadas! Tudo porque Sua Exa, o Presidente, iria visitar a cidade.

COM GUEBUZA VENCEREMOS A POBREZA!

Com Guebuza venceremos a pobrezaAproveitei a boleia dos locais e fui com eles até ao palanque onde iria discursar o Presidente. Cedo me apercebi que esta festa ia tomar muito tempo… a chegada do presidente foi alterada e todo o povo rumou para junto do Estádio Municipal. Pelo caminho, os únicos brancos no meio da multidão eram eu e a Rita!

Já no Estádio a confusão foi total. Em primeiro porque manter milhares de crianças quietas e “sugadas” num só sítio é uma tarefa impossível e, em segundo, porque o atraso do Presidente foi de tal ordem grande que a paciência das pessoas começava a esgotar-se!

Duas horas e meia depois do inicialmente previsto lá chegou o Presidente. E foi quando ele chegou que a bancada vibrou! E foi, também, com a chegada do Presidente que eu apanhei uma grande desilusão… Não foi um, nem dois, nem três… 7 helicópteros para transportar o Presidente. Até agora ainda não percebi a razão de tanto aparato. Um país tão pobre, com tantas dificuldades, e o presidente vai logo usar 7 helicópteros. É que para piorar as coisas, estes 7 helicópteros foram todos alugados à África do Sul e os pilotos, como é lógico, eram sul-africanos. Não havia outra forma de gastar este dinheiro?! Se andaram com tanta pressa a remendar a estrada, porque veio o senhor Presidente de helicóptero? É certo que a sua visita não se resumiu ao Distrito de Chókwè, mas todos os lugares visitados eram perfeitamente acessíveis de jipe! A isto é que eu chamo esbanjar o erário público! Mas, infelizmente, os Moçambicanos gostam desta festa fachada. Rejubilam com o ter a possibilidade de faltar ao trabalho, com os “presentinhos” que a FRELIMO oferece… enfim, já diziam os Romanos “pão e circo para animar o povo…”

Conhecem a marca de escovas de dentes Corona?!Depois da chegada do Presidente recusei-me a ouvir o discurso e fui trabalhar! Mas a festa continuou no Orfanato, isto porque todos os alunos do Distrito foram dispensados às aulas. Além disso, tinham sobrado umas bebidas da festa do Dia da Criança na Praia do Bilene e era “necessário” acabar com elas. Às bebidas juntamos uns chocolates e, para terminar em beleza, uma escova de dentes! A-L-E-G-R-I-A total! Ahh, e muita música e dança à mistura!

Tenho que confessar que não resisti em deixar passar o dia 10 sem ouvir A Portuguesa. Nem sabem a sensação que é ouvir o hino português quando estamos no estrangeiro…


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