Posts Tagged 'Chapa'

Imagem do dia #105

Vai uma voltinha?! Ainda acham que é seguro?

Vai uma voltinha?

Vai um mergulho?!

Hoje o dia estava quente, abafado melhor dizendo, com umas nuvens escuras de trovoada lá no horizonte a ameaçar chuva tropical.

Como tenho feito desde há algum tempo, dirigi-me para a estrada junto ao Orfanato para apanhar o chapa para casa (cerca de 35kms de distância). Não tive de esperar muito até aparecer a primeira Hiace. Entrei. Era, como não podia deixar de ser,  uma carrinha maltratada, onde a estrutura interna já não tinha qualquer protecção de plástico.

Sentei-me na primeira fila da parte de trás, mesmo no centro do banco. Pelo retrovisor fui acompanhando os constantes desvios de olhar da estrada do condutor. Poucos quilómetros à frente parámos. O chapeiro pediu uma garrafa de água, saiu do carro e lavou a cara. Os olhos estavam vermelhos e era evidente o sono que o homem tinha. A viagem prosseguiu. Pouco mais de 1 ou 2 minutos depois o carro começa a fugir para a faixa da direita… guinada rápida para a esquerda. A história foi-se repetindo… eu acho que o condutor nem se apercebeu, até vir um camião carregado de tomates, que estava há várias centenas de metros em contra-mão.

Cada vez que as pálpebras do chapeiro se fechavam e o carro dava alguma guinada, eu parecia ser o único preocupado! Os meus reflexos eram por demais evidentes a cada guinada!

Exemplo de um chapa

Já estávamos perto de Lionde, acompanhando o canal de água central do sistema de regadio do Chókwè, quando os olhos do condutor de fecharam por completo! Rapidamente dei um encontrão no chapeiro que acordou e evitou dar um mergulho ao canal de água!

Depois deste susto, agora não só para mim, mas sim para todos os que viajavam comigo, o chapeiro ficou mais alerta. Procurou um CD de música bem mexida, colocou-o no rádio e lá fomos a ouvir beats de discoteca a altos berros!

Mas a história não acaba aqui… Já depois de Lionde, pertinho de chegar a Chókwè, vemos na estrada grande agitação. Enquanto nos aproximávamos, o alcatrão brilhava como se tivessem derramados milhões de pequenos cristais pelo pavimento.

Não demorou para perceber a razão de tanta agitação… Afinal, os brilhantes no chão eram os dois vidros da frente de dois chapas que colidiram um com o outro. Um ficou desfeito mas na estrada… o outro acabou por mergulhar dentro do canal de água! Numa das partes que ficou fora de água viam-se as marcas de sangue daqueles que conseguiram escapar. A confusão era muita quando passávamos por este carro.

Apesar de a polícia já estar no local quando lá passámos, não se sabia quantas pessoas tinham falecido.

Eu fiquei incomodado com a situação. Por um lado foi um acidente com um meio de transporte que sou obrigado a utilizar, por outro, já tinha feito a mesma viagem a bordo do carro que entrou na água.

“Jesus Christ” – foi o comentário de um passageiro ao ver esta tão triste cena, infelizmente uma cena muito típica nas estradas moçambicanas.

Exemplo de um chapa

Qual o teu nickname?

Se há coisas engraçadas neste país, os chapas são uma delas!

Os chapas, como já tive a oportunidade de explicar em posts anteriores, são o meio de transporte colectivo mais comum por estas bandas. Não é um exclusivo de Moçambique, mas os de cá são pérolas! Pérolas no estilo de condução (… um diamente bruto…!!!) e pérolas nos nomes que dão a cada maquineta!

Ora aqui segue uma lista com alguns nomes que já encontrei nos chapas:

  • Bébé do Chókwè
  • Sim, vamos subir
  • Xenofobia
  • Deus é que sabe
  • O Transportador
  • Macoya
  • Small boy
  • Quem dorme ao volante, acorda no céu
  • Foi boa ideia bébé do Chókwè
  • Sempre a subir
  • Mete dentro
  • Vais sentir a dor
  • Chambalito
  • James Bond
  • White Bull
  • Tribalista
  • Is not cosy
  • O arrependimento vem depois
  • Somos três
  • New life
  • Gondzilla
  • Amigo
  • O futuro da vida é o amor
  • Love

Ora digam lá se isto não são carros com pinta… a cair aos bocados, mas com pinta! 😉

No chapa... © Inês A.

Imagem do dia #057

Finalmente um dia com pouca gente no chapa!

Finalmente um dia com pouca gente no chapa!

Acumular milhas no chapa! Agora é possível!

A minha saga nos chapas parece não ter fim! Acho que isto funciona como os pontos da Galp ou as milhas da TAP, quanto mais andas, mais regalias tens!

Hoje, eu e a Inês fomos convidados a ocupar os lugares da frente (1ª classe!!!) e ainda nos ofereceram o mata-bicho (espécie de pequeno-almoço Moçambicano) a bordo! Contudo, o mata-bicho foi muito ao estilo low cost… apenas umas bananitas! 😉

chapa | executive

 

 

 

 

 

 

 

 

Qual será a próxima surpresa no chapa?!

RECORD!!! RECORD!!! 30 lá dentro!

Desta é que foi!

Record dos records… passei a barreira física das 27 pessoas dentro de um carro para 15!!! Nada mais, nada menos que 30 almas enfiadas dentro de um chapa!

Começo a desconfiar que a minha concepção de espaço vital está a diminuir…

Ai ai ai… parem parem parem!!!

Todos os dias são uma experiência nova! E nada melhor que vivenciar este país à Mozambique way of life! 😉

Na passada segunda-feira chegou a Chókwè a nova voluntária que irá trabalhar comigo no Orfanato durante os próximos 30 dias.

InêsA Inês Albergaria vem de Lisboa e pela primeira vem à África pura e dura. Claro, o choque… passar de Lisboa para Maputo ainda vá que não vá… agora de Maputo para o meio do mato no Chókwè é dose extra!

 

 

“Passei da high society de Maputo para o mato” – exclamou a Inês ao constatar a realidade chokwense!

E há lá coisa melhor do que experimentar todas as maravilhas desta cidade num só dia?! Vamos lá enumerar:

1. sair de Maputo, a única cidade pseudo-desenvolvida de Moçambique, às 6 da matina num machibombo e demorar 4 horas para fazer 200kms…

2. ser a única molunga (branca) no machibombo…

3. chegar e constatar que o Chókwè é uma cidadezinha no meio do mato rodeada de canais de água (óptimos para a criação de mosquitos da malária)…

4. apanhar o chapa para ir trabalhar… e demorar uma eternidade para lá chegar…

5. chegar a meio do caminho e ser transferido para outro chapa…

6. no regresso, esperar 45 minutos e não conseguir apanhar nenhum chapa…

7. só haver uma opção para regressar a casa e fazer os 35 kms: pedir boleia!

8. pedir boleia a uma carro da EDM (Electricidade de Moçambique) e viajar na caixa aberta…

Inês e Alberto na caixa aberta!9. estar um frio de rachar e não ter roupa para o Inverno da savana (faz mesmo frio caramba!)…

10. dormir apavorada com medo das baratas, ratos e dos mosquitos! Apesar de eu já lhe ter dito que em casa não havia nada dessa bicharada!

E, para marcar ainda mais a estada em terras africanas, nada melhor que uma sessão de pancadaria no chapa de hoje à tarde! Tudo porque o cobrador não queria aceitar a nota de 20 Meticais como pagamento porque esta já era muito velhinha! Como a senhora não tinha outra nota… e como não havia ninguém que a ajudasse… o saco de viagem ficou retido e só seria devolvido quando uma nova nota aparecesse! Não apareceu e lá começaram ao murro e à chapada! Eu achei super graça… o resto do pessoal só se ria… a Inês, pouco habituada a este quotidiano chapense, gritava “ai ai ai… parem parem parem!”

 As vistas da caixa aberta!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

À vinda, e para acabar o dia em beleza, o nosso chapa que além de pessoas transportava uma família de baratas, participou numa corrida de chapas… Ganhámos!

Pombos!?

Esta é mais uma daquelas coisas que sou obrigado a contar! Já não bastava a cabra, a galinha e o cheiro às vezes pestilento que apanho no chapa… Hoje fui acompanhado por uma casal de pombos! Sim, pombos! Pombos dentro de um tamparuwere de plástico. Ainda estavam vivos… Fico à espera de ver uma vaca a fazer-me companhia um dia destes! 😉

“Não foi grave…”

Primeiro acidente de chapa! Não foi grave, só um toque numa ultrapassagem, mas agora discutem. Vou apanhar outro. Já estou perto, acho… abraço” by F.G.

A vida de Inoviano é complicada…

No aconchego do chapa

PRODUZA, CONSUMA e EXPORTE produtos Moçambicanos!Isto há com cada coisa… discutir a Lei da Nacionalidade num chapa? Sim, é possível, sim, é verdade! Eu também fiquei muito surpreendido quando “puxaram” por este tema. Eu ia no chapa, qual sardinha enlatada, muito ao jeito “quantas pessoas cabem no mini”, quando se sentou um senhora grávida ao meu lado. Molungo isto… molungo aquilo… eu só sabia que eu estava a ser alvo dos comentários dos meus vizinhos. Molungo e Portugal eram as únicas palavras que eu entendia. Ora bem, se molungo é branco em Changana, se eu era o único molungo lá dentro e se usavam a palavra Portugal, só podia ser eu o tema principal da conversa! Nem mais, aquela agitação toda tinha sido levantada por um papá que lá da última fila de bancos perguntava o seguinte: “Se o senhor fosse o patrão da criança dessa senhora, a criança seria Portuguesa ou Moçambicana?”. Eu, o patrão, respondi que dependia. Tanto podia ser Portuguesa, como Moçambicana, como podia ter dupla nacionalidade. Contudo, as autoridades Moçambicanas não reconhecem a dupla nacionalidade, pelo que a criança teria de ser apenas Portuguesa ou apenas Moçambicana.

A minha resposta foi traduzida para Changana e a discussão continuou. No corridinho do entra e sai, de pára e arranca, o chapa lá se encheu até umas impressionantes 25 pessoas. Mas, não se preocupem, cabiam lá mais 25 à vontade! Bastava que os próximos se deitassem por cima de nós! Pena só existirem 18 lugares sentados… 😉

Mas, apesar de parecer que é um drama andar de chapa (o que por vezes é bem real!), sempre dá para ir vendo as paisagens! Sabiam que a área de regadio do Chókwè é de 30 mil hectares e que apenas 7 mil estão a ser usados? E que durante a administração Portuguesa todos estes hectares eram cultivados o que fazia da Vila de Trigo Morais (agora Chókwè) o celeiro de Moçambique! Não, não encontrei este dados na Wikipedia! Hoje estive a almoçar com o Director-geral da MIA, a grande produtora de arroz do país!

E viva o arroz Tia Rosa!


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