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Imagem do dia #102

Prenuncio de uma tempestade?

Prenuncio de uma tempestade?

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Imagem do dia #018

Ainda bem que não foi nenhum ataque de leões…

Ainda bem que não foi ataque de leões...

Depois do Baptismo em África segue-se a 1ª Comunhão!

Se o pneu estourado foi o baptizo… agora só pode ter sido mesmo a 1ª Comunhão!
Ontem, como podem ler no post anterior, a chuva caiu forte no Chókwè. À luz da lua tudo parecia normal… mas hoje de manhã, com o sol a iluminar muito bem os nossos caminhos, deu para ver os estragos!
“Amanha não vais conseguir tirar o carro dali” – disse a Rita em tom profético. Mas porque raio não haveria de tirar o carro de onde o deixei estacionado?!
Durante a noite a chuva continuou a fazer das suas.
6 da manhã. Acordei e fui ver o carro. Permanecia imóvel e tudo parecia bem. Voltei para a cama e só acordei às 8h. Às 8.30 começa a cerimónia da 1ª Comunhão. Mal acelerei para sair do estacionamento percebi que as rodas tinham-se afundado na lama… no matope como por aqui se diz! Para variar um pouco, o carro tem a tracção às 4 rodas avariada!!! O “fóbyfó” (versão local de four by four), como carinhosamente os habitantes locais lhe chamam, não funciona.
Como não era de estranhar, tive logo uns quantos ajudantes que me socorreram. Eles cavaram, eles foram buscar pedras, tábuas, ramos de árvores… enfim, uma quantidade de coisas que se acabou por afundar no matope também.
As sapatilhas, as meias e as minhas pernas foram alvo de uma relaxante massagem de lama. Lama natural, produzida durante esta madrugada! Ainda estava fresquinha! Afinal, não tive de ir para nenhum spa de luxo para receber esta dádiva da Mãe Natureza!
Desta vez não houve pânico, nem sustos nem nada! Passou-se tudo à porta de casa! No final vim tomar um banho rápido e fui a pé tomar o pequeno-almoço à cidade. Ah, e outra coisa boa foi não ter de ir trabalhar!
Ninguém estava disponível para vir puxar o meu carro por isso vai continuar parado até o solo ficar um pouco mais estável!
Na volta pela cidade deu para ver alguns estragos, mas nada de grande impacto. Umas quantas placas do Barclays no chão (sim, aqui, no fim do mundo, há Barclays! Temos também duas agências do Millenium (que não distam mais de 200 metras uma da outra!) e uma agência do BCI (do grupo Caixa Geral de Depósitos), muito lixo e muita lama. Alguns carros atolados na estrada e outros que nem das garagens saíram porque as várias “piscinas olímpicas” de que falava no post anterior, bloquearam as saídas… vicissitudes moçambicanas!
Não posso postar fotografias porque não sei onde guardei o cabo para ligar o telemóvel ao computador… desde já as minhas desculpas! 😉

Imagem do dia #007

A minha máquina, o meu chapa!

A minha máquina!

O primeiro baptismo em África…uma experiência a não repetir!

O que resta do meu pneu!Se eu quisesse entrar em pânico não conseguia!

Ia na estrada, já noite, no meio do nada, na escuridão total quando um dos pneus do meu carro rebentou. Nos breves segundos em que ouvia o pneu a esvaziar-se e o carro a querer fugir para a berma, só me apetecia fechar os olhos, abri-los e estar em Portugal. Estar na minha casa, no meu carro, no meio da civilização!

Em Moçambique não existe assistência em viagem o que torna as coisas complicadas. Mudar um pneu a um carro médio é fácil…agora trocar uma roda a uma carrinha 4×4 é uma coisa com muita técnica!

Por breves instantes fique com o carro ligado, imobilizado no meio daquela estrada escura, os máximos ligados e as duas mãos no volante. Estava a uns míseros 10 quilómetros da Praia do Bilene, uma pequena localidade balnear, onde um Italiano e uma Portuguesa me esperavam para jantar.

A minha reacção foi ligar-lhes e confirmar que as portas do carro estavam trancadas.

Andei um pouco, mas o barulho do pneu desfeito a bater no alcatrão não me deixou andar muito mais. Os 20 minutos que eu esperei pelo Aldo e pela Andreia pareciam horas que nunca mais acabavam.

De repente, surge do nada um senhor que logo se ofereceu para me ajudar. Eu só vi uma mão a bater no vidro do carro. Não sei de onde me veio a coragem para sair do carro e falar com ele. Entretanto a minha “assistência” chegou e tentamos perceber o que se tinha passado. O pneu que tinha rebentado estava completamente careca na parte de dentro da roda. Rebentou! Bummmmmm….

Tentamos andar mais uns metros mas, aquele barulho era insuportável.

Tal como um quilómetro atrás, apareceram vindos do nada uns senhores. Quiseram ajudar. Quiseram tirar o pneu… não conseguiram! Quiseram tirar o pneu sobresselente… também estava furado… mais azar?! Só se aparecesse um leão e me comesse!

Depois de algumas horas à volta do pneu, do macaco e da jante resolvemos partir. Não havia outra opção se não conduzir o carro pelos 9 quilómetros que faltavam.

“Alberto, já tinhas passado por uma situação semelhante?!” – perguntou-me o Aldo no seu português mesclado de italiano. “Não!!!” – foi a minha resposta. Confesso que ainda não sei onde fui buscar coragem para negociar com aqueles homens todos quanto lhes iria pagar por me ajudarem. O Aldo ainda agora não acredita que eu tive sangue frio para enfrentar a situação ao longo de 4 horas sem demonstrar um pouco de medo. E se a início tudo parecia bem, já perto do fim os ânimos exaltaram-se um pouco quando perceberam que nós já não queríamos a ajuda deles! Eu também não sei de onde fui buscar tanta força!

Chegamos ao Bilene a passo de caracol e com algumas paragens pelo meio por causa do cheio a pneu queimado. O carro ficou em frente ao primeiro hotel que vimos. Já não havia forma de o levar até à casa onde passaríamos a noite.

O jantar às 22.30h não me soube a nada e, embora estivesse a dois passos do mar, mesmo em cima da areia, nunca me apeteceu tanto sair da praia e voltar para casa. A noite passeia-a toda em branco…

No Domingo de manhã fomos arranjar o pneu. No Bilene não há oficina nem reboques. O máximo que encontramos foi uma bomba de gasolina onde faziam pequenas reparações. Pneus novos não existiam. Andaram à procura de um pneu já usado que ainda estivesse em condições para ser usado. Encontraram um, mas eram preciso dois!!! Enquanto arranjavam o pneu consegui ir à praia. Uma lagoa lindíssima, de águas calmas e bem quentes. Mas a ideia do pneu não me saia da cabeça e nem da beleza e calma do local desfrutei.

Quando acabamos de almoçar o pneu estava pronto.

“Tem de chegar à Macia e comprar pneu novo” – disse o senhor das bombas. Por sorte, o estabelecimento vizinho onde almoçámos era gerido por um casal de Portugueses que se aprontaram a olhar pela situação e não deixar que fossemos “roubados” no preço final.

No final, esta brincadeira fez sair do meu bolso 1300 meticais (aproximadamente 37eur). Por um pneu e pelos “refrescos” (o nome que se dá em Moçambique ao suborno e gorjetas) até que ficou dispendioso, mas era a única opção.

A passo lento partimos em direcção à Macia, a cidade que fica na estrada principal que liga Maputo ao Xai Xai e onde fazemos o corte para Chókwé. Na Macia também não havia pneus disponíveis. Continuei por mais 60 quilómetros até ao Chókwé.

Finalmente cheguei a casa. Como o Aldo e a Andrei me disseram “This is Africa!”.

Aldo e Andreia, o meu eterno obrigado! Se não fossem vocês nem sei o que teria sido de mim! OBRIGADO!

Para primeiro baptismo africano não está mal, pois não?!

 

No Chókwé, 19 de Abril de 09


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