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Imagem do dia #081

Ainda acreditam que eles acreditam nisto?!

Ainda acreditam nisto?!

Tu também tens uma vaca?!

Tu também tens uma vaca em casa com o teu nome?

Pois, aqui em Moçambique parece ser uma tradição! Cada vaca que nasce tem direito a ser “baptizada” com o nome de alguém. Engraçado, não?

Aqui no Orfanato às vezes confundo-me quando estou perto das vacas. “Olha, lá vem a Paulinha!” Ainda penso duas vezes se quem vem é mesmo a vaca ou a Paulinha! 🙂

Em Moçambique ter uma vaca é um estatuto social, especialmente nas zonas rurais como o Chókwè ou Chiaquelane são. O gado é um bem precioso pois é o garante de alimento em caso de escassez de produto. Algumas vezes é possível extrair leite. Sim, algumas vezes apenas porque aqui o gado bovino é muito dado às magrezas! Devem ir muitas vezes ao Tallon!

Mas, se ter animais em casa é sinal de uma boa posição social, não os ter significa que a pessoa é pobre. Infelizmente, apesar de existirem muitas vacas por estas bandas (assim como cabritos e galinhas), estas encontram-se nas mãos de poucas pessoas.

Há dias morreu uma cabeça aqui no Orfanato. Quando cheguei ao curral e vi uma vaca castanha clara deitada no chão, de olhos revirados e língua de fora, só me deu vontade de rir. É mórbido, eu sei, mas aquela imagem parecia tirada de um cartoon qualquer! Na realidade, a vaca além de já ser velhinha,  estava doente há muito tempo.

“Irmã, o que faço com a vaca?” – perguntei ao telefone à Irmã Isaura que se encontrava fora nesses dias.

“Vou ligar ao veterinário e já lhe digo algo” – foi a resposta dela.

Esperei e o telefone tocou: “É para queimar a vaca e enterrar os restos“. E assim se fez… ou quase!

Fui comprar a gasolina e pedi para trazerem a vaca para um buraco na terra. Como já era tarde deixei a gasolina no Orfanato e segui para casa, dando ordens para que a vaca fosse queimada e depois enterrada…

No dia seguinte cheguei ao Orfanato e perguntei pela pobre da vaca. “Está lá!” – respondeu o Vasco. Como já devem ter percebido, o “” é uma expressão muito utilizada por estas bandas. Como era um “” curto deduzi que a vaquita estava por perto. No caminho perguntei se a vaca tinha sido TODA queimada e a resposta foi uma engraçada “há-de ver com os seus olhos Mano Beto!

O que será que tinha acontecido à vaca? Eu disse que ninguém podia cortar a carne porque a vaca morreu doente e tinham sido essas as ordens do veterinário. Para espanto meu lá estava a vaca: continuava deitada no chão, de olhos revirados e língua de fora mas, desta vez, ainda tive mais vontade de rir!!! A VACA NÃO TINHA PERNAS 😉 Estava sem as quatro pernas. Por momentos pensei “será que sem pernas a vaca arde melhor?!?!?!?” Claro que não!

Durante a noite alguém veio e cortou cirurgicamente as quatro pernas. Garantiram-me que não tinha sido ninguém do Orfanato, mas sim alguém de fora. Depois das gargalhadas por ver uma vaca sem pernas e supostamente queimada (porque razão 5 litros de gasolina só deram para chamuscar o rabo do bicho?) pedi aos meninos que estavam lá para informar os “ladrões” que se comessem aquela carne iam morrer tal e qual a vaca!

Mais umas gargalhadas… umas graçolas com a vaquita e lá a levaram para outro sítio para ser devidamente enterrada!

Estejas onde estiveres Vaca, nunca mais vou esquecer da cena… sem as pernas!

As vaquinhas!

Bye bye chapa!

É OFICIAL! Os chapas irão acabar!

Reportagem do Oje

“O Ministério dos Transportes e Comunicações de Moçambique anunciou que vai proibir o transporte público de passageiros nos “chapas” de 15 lugares a partir de Novembro, com o objectivo de garantir mais “conforto e segurança ao utentes”.
Os veículos de 15 lugares, vulgo “chapas”, alguns com os assentos propositadamente removidos para levar passageiros acima da lotação permitida, têm quase o monopólio do sector de transporte público em Moçambique, devido à incapacidade da empresa de transporte público do Estado. Mas o caos no trânsito provocado pelos “chapas” e o seu constante envolvimento em acidentes de viação estão a aumentar a pressão sobre as autoridades para disciplinar este tipo de veículos.
Para pôr termo à indisciplina nas estradas do país o director-nacional de Transporte de Superfície no Ministério dos Transportes e Comunicações de Moçambique, Olívio Pinto, afirma que os proprietários dos autocarros de 15 lugares, na verdade carrinhas, na maioria modelo Hiace, têm 90 dias para retirar os veículos do sistema de transporte público.
Os veículos em causa deverão ser substituídos por autocarros com capacidade igual ou superior a 40 lugares, nas cidades, e igual ou superior a 25 lugares nas rotas inter-provinciais.
“O aumento da população nas cidades moçambicanas exige meios de transporte com maior capacidade e mais conforto”, sublinha o director nacional de Transporte de Superfície.
Os operadores de transportes públicos serão também obrigados a emitir bilhetes de viagem aos passageiros e a estabelecer horários, situação que até ao momento acontecia apenas as transportadoras do Estado. “Os passageiros têm o direito de conhecer exactamente as paragens dos autocarros, para saberem onde apanhar o carro e onde descer”, acrescenta Olívio Pinto. Por outro lado, as crianças, idosos e pessoas deficientes devem pagar um preço abaixo do custo normal da viagem, refere ainda o director-nacional de Transporte de Superfície.”
 
in http://www.oje.pt/noticias/africa/mocambique-proibe-chapas-com-mais-de-15-lugares

Imagem do dia #069

Escola Primária de Chiaquelane. Da 1ª à 4ª classe debaixo de um cajueiro.

Escola Primária de Chiaquelane

Imagem do dia #060

Cabe sempre mais alguém…

Cabe sempre mais alguém...

O elo que faltava

Capa da edição de 31 de Julho do jornal "O País"Moçambique encontra-se dividido geograficamente em três grandes regiões: o Sul, constituído pelas Províncias de Maputo-Cidade, Maputo, Gaza (onde eu vivo) e Ilhambane, o Centro, constituído pelas Províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia, e, finalmente, o Norte, Províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa . A atravessar o país encontra-se o Rio Zambeze, um dos maiores de África e que até ontem (1 de Agosto) funcionou como barreira física entre o norte e o sul do país.

O Rio dividia o país em dois: o sul, consideravelmente mais desenvolvido, e o norte menos desenvolvido mas com um potencial turístico enorme. Contudo, faltava ao país completar a sua espinha dorsal: os 2,4 quilómetros de largura de rio que separavam as duas margens eram o elo em falta para completar o percurso da Estrada Nacional 1.

A construção de uma ponte a ligar os distritos de Caia (Sofala) e Chimuara (Zambézia) não é uma ideia recente. Ainda durante o período de Administração Portuguesa, nos anos 70, o famoso Eng. Edgar Cardoso apresentou uma proposta para a construção de uma ponte que acabasse com a necessidade de se recorrer a batelões para atravessar o rio. Em 1977, já com Moçambique independente, o Governo de Samora Machel deu ordem para as obras avançarem, contudo, passados apenas 4 anos,  os trabalhos foram interrompidos devido ao início da Guerra Civil. Em 1994, já com a Guerra terminada, o novo Governo de Joaquim Chissano volta a pôr a construção da ponte sobre o Zambeze no topo das prioridades. Sem grande sucesso, as obras foram-se arrastando devido à falta de fundos. Nem mesmo o pedido de ajuda monetária ao exterior funcionou. As más condições económicas do país levaram a que os sucessivos Governos revissem a prioridade da construção da ponte. Houve até um estudo de viabilidade económica, feito em 1999, que indicava que apenas em 2019 a construção da nova ponte seria economicamente viável.

Aos poucos, as ajudas internacionais começaram a aumentar e o sonho da construção da nova ponte voltou a ser possível. Apesar dos esforços dos sucessivos Governos, apenas em 2004 o Executivo de Armando Guebuza decreta o Projecto da Ponte do Zambeze. A travessia tinha um valor calculado de 78 milhões de Euros (mais de 28 mil milhões de Meticais na altura) e foi financiada pelo próprio Estado Moçambicano e pelas agências de cooperação da Itália, Suécia, Japão, União Europeia e Banco Mundial.

O concurso público internacional para a construção da travessia seleccionou o consórcio Português Mota & Engil/Soares da Costa.

A construção daquela que é considerada a maior obra pública do pós-independência contou com uma força de cerca de 500 homens.

Apenas dois anos e meio após o início das obras, a construção da ponte é concluída. Este feito, considerado vital para o desenvolvimento de Moçambique, vai pela primeira vez ligar o país de norte a sul por estrada asfaltada.

A obra em si

Construção da Ponte. Fonte: Jornal O PaísA nova Ponte sobre o Rio Zambeze, baptizada de Ponte Armando Emílio Guebuza, em homenagem ao actual Presidente da República, tem aproximadamente 2,4 quilómetros de extensão e 16 metros de largura. A nova travessia foi construída de forma a poder continuar a ser utilizada mesmo em caso de cheias (recorde-se que a região do Vale do Zambeze é propícia a cheias). A tecnologia empregue na construção desta ponte foi considerada “de ponta ao nível do continente africano“. Grande parte do equipamento utilizado foi importado da Europa.

Desafios e polémicas

Antigo batelão. Fonte: Jornal O PaísA nova travessia alterou o quotidiano das populações locais. Se durante o período de construção houve um aumento da taxa de empregabilidade e uma pequena explosão económica nas duas localidades onde a ponte começa e termina, hoje assistimos ao contrário. Os trabalhadores já abandonaram o local e o comércio que floresceu nas duas margens à custa do aumento de trabalhadores hoje não encontra mais procura.

Por outro lado, a nova ponte veio diminuir os tempos de ligação entre as duas margens e entre as várias capitais de província. Até ontem, a travessia era efectuada com recurso a um batelão. Em caso de avaria, a travessia de carros só podia ser efectuada por desvios que podiam levar dias a percorrer: um através da Província de Tete e outro atravessando o Malawi. Ambos implicavam várias centenas de quilómetros de desvio.

Como em todas as grandes obras, as críticas são sempre bem audíveis. No caso desta ponte, a principal crítica recai sobre o seu próprio nome! Afonso Dhlakama, líder do maior partido da oposição, a RENAMO, e concorrente às Eleições Presidenciais deste ano, afirmou recentemente “Eu não gosto de dar nomes, porque eu não sou comunista. Esta é a filosofia dos comunistas que (basta) construir um prédio, passa a ser nome do Presidente, construir uma barraca passa a ter nome do primeiro-ministro“.

 

Críticas à parte, a abertura da travessia trará benefícios evidentes para todo o desenvolvimento de Moçambique e para a “consagração da integridade territorial” de um dos mais estáveis Estados de todo o continente africano.

Azar?!

Além da condução, há outra coisa que me faz “espécie” em Moçambique… Porque razão não dizem tudo de uma vez só?! Se eu pergunto “Posso levantar o frigorífico no próximo sábado?“, a resposta não deveria ser só apenas “Sim!” Devia ser “Sim, mas olhe que tem de se deslocar ao nosso armazém que fica na rua X porque aqui não se podem levantar as encomendas“… enfim… Se eu compro um frigorífico e fico de o ir buscar no sábado seguinte não acham que esse frigorifico devia ficar como “reservado” e não ser vendido a mais ninguém porque eu já o paguei?! Pois, devia, mas aqui não! Se vier alguém, pagar e quiser levar, lá se vai o frigorífico à vida! “Mas estava reservado!“… estava, estava!!!

Cada vez mais concordo com a ideia de que a maioria dos Moçambicanos não conseguem dizer a palavra “não”… nem conseguem explicar ou responder a alguma coisa que não esteja explícita na pergunta!

Moçambique nossa terra gloriosa…

PS: pelo menos o fogão ainda não tinha sido “revendido“!!!

ASMtv: pilando milho

“Os nossos queridos Boeres”

Bandeira da República da África do SulComeço a constatar que afinal Moçambique até gosta de ser colónia! Até 1975 foi Portuguesa… agora é mais fina, é Sul-africana!

Tudo o que vem de lá é bom:

A televisão deles é que é boa!

As imitações rascas deles é que são boas!

A comida deles é que é boa!

Ser gozado pelos Sul-africanos é bom!

Ser escravizado pelos Sul-africanos é bom!

Imitar as piores coisas dos Sul-africanos é bom!

Ter hotéis onde só existem tomadas com três pinos (as sul africanas) quando em Moçambique só se utilizam tomadas iguais às portuguesas é bom!

Estar em Moçambique e ter os produtos/serviços com o preço em Rands (a moeda sul-africana) é bom!

Estar em Moçambique e falarem para ti em inglês porque se és branco logo és sul-africano é bom!

Ipods, máquinas fotográficas e computadores roubados na África do Sul, é excelente!

Dar à luz em Nielsprit, é fantástico!

Só tenho a acrescentar que os Sul-africanos são uns queridos para os Moçambicanos! Com tanta coisa boa, para quê ser diferente?!

No aconchego do chapa

PRODUZA, CONSUMA e EXPORTE produtos Moçambicanos!Isto há com cada coisa… discutir a Lei da Nacionalidade num chapa? Sim, é possível, sim, é verdade! Eu também fiquei muito surpreendido quando “puxaram” por este tema. Eu ia no chapa, qual sardinha enlatada, muito ao jeito “quantas pessoas cabem no mini”, quando se sentou um senhora grávida ao meu lado. Molungo isto… molungo aquilo… eu só sabia que eu estava a ser alvo dos comentários dos meus vizinhos. Molungo e Portugal eram as únicas palavras que eu entendia. Ora bem, se molungo é branco em Changana, se eu era o único molungo lá dentro e se usavam a palavra Portugal, só podia ser eu o tema principal da conversa! Nem mais, aquela agitação toda tinha sido levantada por um papá que lá da última fila de bancos perguntava o seguinte: “Se o senhor fosse o patrão da criança dessa senhora, a criança seria Portuguesa ou Moçambicana?”. Eu, o patrão, respondi que dependia. Tanto podia ser Portuguesa, como Moçambicana, como podia ter dupla nacionalidade. Contudo, as autoridades Moçambicanas não reconhecem a dupla nacionalidade, pelo que a criança teria de ser apenas Portuguesa ou apenas Moçambicana.

A minha resposta foi traduzida para Changana e a discussão continuou. No corridinho do entra e sai, de pára e arranca, o chapa lá se encheu até umas impressionantes 25 pessoas. Mas, não se preocupem, cabiam lá mais 25 à vontade! Bastava que os próximos se deitassem por cima de nós! Pena só existirem 18 lugares sentados… 😉

Mas, apesar de parecer que é um drama andar de chapa (o que por vezes é bem real!), sempre dá para ir vendo as paisagens! Sabiam que a área de regadio do Chókwè é de 30 mil hectares e que apenas 7 mil estão a ser usados? E que durante a administração Portuguesa todos estes hectares eram cultivados o que fazia da Vila de Trigo Morais (agora Chókwè) o celeiro de Moçambique! Não, não encontrei este dados na Wikipedia! Hoje estive a almoçar com o Director-geral da MIA, a grande produtora de arroz do país!

E viva o arroz Tia Rosa!


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