Posts Tagged 'Moçambique'



A sorte e o azar de ser vizinho da África do Sul

Moçambique exporta mão de obra e “sabedoria” mas de resto é “incapaz de produzir um botão“. Tem a sorte de ter a África do Sul como vizinho, a quem compra tudo, e o azar de nada ter para lhe vender.

O diagnóstico é de Momed Yassine, professor e analista político, que em declarações à Agência Lusa considera que no contexto regional Moçambique tem alguma influência política e prestígio mas a nível económico é quase nulo, e diz que será assim nos próximos anos.

Pessimistas são também Abdul Magid Osman, economista e ex-ministro das Finanças, e Nelson Saúte, sociólogo, que frisam que ainda hoje o país, com exceção do açúcar, não atingiu os níveis de produção de bens tradicionais anteriores à independência.

FONTE: Agência Lusa
Anúncios

Imagem do dia #108

Mais um belo exemplo da arquitectura Portuguesa em Moçambique.

Nesta foto, o actual edifício da Escola Secundária da Namaacha.

A Vila da Namaacha situa-se no sul da Província de Maputo em plena cadeia montanhosa do Lebombo. A Vila é conhecida por dar o nome a uma conhecida marca de águas naturais e por ser uma das duas fronteiras terrestres que Moçambique partilha com o vizinho reino da Suazilândia.

 Escola Secundária da Namaacha

Imagem do dia #097

Pode parecer mentira, mas esta é a realidade. A razão para tantos acidentes nas estradas moçambicanas é fácil de perceber: poucas são as estradas com qualidade e segurança, falta de civismo aos condutores, muitos condutores nem carta tiraram (!) e, por fim, o mau estado da frota automóvel do país. Automóveis velhos e em mau estado de conservação sofrem acidentes e reparos constantes. O resultado são acidentes mortais na maior parte dos casos.

Houston, we've got a problem!

Vai virar...

Ishh Yôwê

Fantástico spot promocional da Vodacom, rede de telemóvel moçambicana pertencente ao grupo Vodafone.

O Dia da Independência

retirado de A. SOPA (coord.) (2001), Samora. Homem do Povo, Maputo, Maguezo Editores

Dia 25 de Julho celebrou-se a Independência de Moçambique. Um dia carregado de simbolismo, pois foi esta a data estabelecida nos Acordos de Lusaka de 1974, na Zâmbia, como o dia em que Lisboa passou a reconhecer oficialmente a independência de Lourenço Marques e o fim da África Oriental Portuguesa. Curiosamente, 25 de Julho é, também, a data da fundação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), o movimento independentista a quem o Governo foi entregue em 1975.

Para alguns o processo de independência é descrito como o “possível de se efectuar tendo em conta os desenvolvimentos da época”. Para outros, o processo devia ter tomado outro rumo. É verdade que em 1975 o Governo Português não tinha grande espaço de manobra para liderar um processo de transferência gradual de independência, mas estou certo que se houvesse interesse de todas as partes em que a troca de soberania tivesse tido cabeça, tronco e pés, hoje Moçambique seria um melhor país. Bastava fazer o que foi feito com Macau. Aí, o processo de transferência de soberania seguiu um plano elaborado e faz hoje de Macau um paraíso na Ásia.

Aqueles que receberam o poder no pós-25 de Abril em Moçambique souberam manobrar muito bem a História. A História que hoje os meninos e meninas aprendem é, podemos dizer, alterada. Há formas de contar uma história de forma imparcial. Apenas relatando os factos! Há outras em que a História é reescrita de forma a glorificar ou perpetuar uma determinada imagem negativa de algo. Guerra Colonial e Guerra de Libertação,  nomes diferente para a mesma guerra,  são um perfeito exemplo disto!

Foi impossível não reparar na propaganda que os principais jornais de Moçambique publicaram das edições do dia 25 de Julho. À propaganda política somavam-se os habituais “Parabéns Moçambique… fazes 34 anos (!)”. Coisa estranha para mim, pois nunca vi ninguém a fazer isto em Portugal. “Parabéns Portugal, estás velho, vais fazer 900 anos (!)” é algo que não ouvimos pois temos em nós um espírito de unidade que, pela lógica histórica, Moçambique ainda não partilha. Nesta mescla de etnias e línguas que é Moçambique, e à qual quase nenhum país africano escapa, a “livre circulação” de pessoas e mercadorias começa apenas agora a ser uma realidade. A nova Ponte sobre o Rio Zambeze, considerada a maior obra pública em Moçambique desde a independência, é apontada pelos políticos moçambicanos como o elo que faltava para a ligação interna do país. Mas, o caminho faz-se caminhando e não há dúvidas que em Moçambique as coisas não caminharam tão bem como “eles” queriam. É obvio que as diferenças continuam a existir e continua a ser impossível afirmar, praticamente em todas os campos, que agora Moçambique está melhor!

Força Moçambique!

Viva Moçambique!

Saudosismo, esperança ou conservadorismo?!

Bandeira de MoçambiqueHoje tive uma conversa muito interessante.

No pátio da casa do Sr. Xavier, antigo director da Escola Secundária de Chókwè, trocamos algumas frases, algumas histórias e muita História!

O Sol ia já dando lugar à Lua quando bati à porta daquele que até há poucos dias seria o meu vizinho da casa. O Sr. Xavier é professor de História,  disciplina que eu tanto gosto, e tem, como muitos Moçambicanos, um carinho especial por Portugal.

Ele contou-me como era a vida quando os Portugueses administravam o território de Moçambique. “Eram tempos diferentes, onde os Portugueses eram vistos como um povo trabalhador” iniciou o Sr. Xavier. Num misto de saudosismo, a conversa foi-se alongando. Ora ele levantava questões sobre o Portugal de hoje, ora eu perguntava coisa da História “destes dois povos”!

Assume-se como um Moçambicano orgulhoso, mas não pode deixar de se lembrar de como as coisas eram administradas noutros tempos. Explica o Sr. Xavier  que o colonialismo Português destaca-se dos demais pela forma como a população branca e negra interagia. “Havia uma separação, é claro, uns eram brancos, civilizados e europeus, outros eram negros” – concretiza o senhor professor, mas a verdade é que a miscigenação entre Portugueses de Portugal e Portugueses de Moçambique (se assim pudéssemos classificar os nascidos nos territórios da África Oriental Portuguesa na altura!) era muito grande, o que, de facto, fazia a distinção entre o colonialismo Português e o colonialismo Francês, Belga ou Inglês.

Ele mesmo, apesar de negro, diz que não pode esquecer que desde a nascença tinha o estatuto de “assimilado”, daí toda a sua educação ser “branca”. “Não comia na mesa dos Senhores [brancos], mas vi muitas vezes essa mesa e comi o que eles comiam também” esclareceu o Sr. Xavier.

Não quer passar a ideia saudosista do Império Português, nem da sua colonização, mas recorda os bons momentos que viveu com os seus colegas de turma brancos, da História de Portugal, do estilo de educação, dos escuteiros (o que ele realmente não apreciava!!!) e, repetitivamente afirmou, “da forma como os colonos brancos eram trabalhadores”.

Havia excessos, é claro, mas excessos sempre houve e esses não são desculpa para certas atitudes. Quando Moçambique se tornou um Estado independente o Sr. Xavier deixou de ser Português e passou a ser um Moçambicanos com todos os direitos e deveres! Não havia estatuto de civilizado, branco, negro ou assimilado. Mas, como em todas as revoluções há excessos, excessos que só mais tarde são rectificados. A forma como os Portugueses tiveram de abandonar o território, perdendo praticamente todos os seus pertences, é um desses excessos! “A minha mãe sempre disse que a forma como os Portugueses saíram de Moçambique não era correcta. O povo estava cá para trabalhar, e se por ventura conseguiu fazer fortuna ou se tem alguns bens de valor, tem todo o direito de os levar para a sua terra. Deus não permite tal impunidade. Se são homens de bem, mais tarde ou mais cedo serão recompensados”. A frase é grande, mas ficou gravada minha memória tal foi a forma como o Sr. Xavier a disse. Na realidade, os Portugueses estão a voltar aos poucos e a reaver, quando possível, alguns pertences que o tempo da história ainda não apagou!

A Guerra Colonial em Moçambique não foi contra os Portugueses. Foi contra os políticos e as suas políticas, contra o regime e contra a mordaça! “O 25 de Abril foi uma bênção!” exclamou o Sr. Xavier. Mas tudo o que veio depois foi uma desgraça! Não houve período de transição de poder que fosse suficiente para deixar os Portugueses sair e os Moçambicanos ocupar os lugares vagos! “Tudo foi feito à pressa: as gentes do campo vieram para a cidade, os campos de cultivo foram abandonados, muitas habitações, fábricas e infra-estruturas básicas foram destruídas. O caos!!!” Depois veio a guerra civil. Não se percebia muito bem o porquê daquela guerra. FRELIMO e RENAMO lutaram pelo poder. Só em meados dos anos noventa a guerra teve oficialmente um fim.

Hoje, Moçambique é uma jovem democracia, um país em “estado de construção” permanente que assiste a uma explosão demográfica. De pouco mais de 9 milhões de habitantes em 1975, hoje o território conta com mais de 20 milhões de habitantes. O crescimento populacional foi realmente explosivo, mas tudo o resto permaneceu num estado de puro ralenti. A economia não acompanha as necessidades da população; a agricultura de subsistência continua a ser a base desta frágil economia; os índices de pobreza, desenvolvimento, esperança média de vida, mortalidade infantil e alfabetização são dos mais baixos de todo o mundo. O Governo de Luísa Diogo cose, como diz o Sr. Xavier,  pelas agulhas do FMI. A África do Sul, grande potência do continente, continua a estender os seus tentáculos pela economia dos países vizinhos, e Moçambique não é excepção!

Mas, para Moçambique ainda há esperança! “Esta nação jovem há-de dar a volta por cima…” foi assim, com esta expressão cheia de moçambicalidade [há-de… hei-de…!] que o Sr. Xavier concluiu a sua “aula”.


Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 44 outros seguidores

Anúncios