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O Dia da Independência

retirado de A. SOPA (coord.) (2001), Samora. Homem do Povo, Maputo, Maguezo Editores

Dia 25 de Julho celebrou-se a Independência de Moçambique. Um dia carregado de simbolismo, pois foi esta a data estabelecida nos Acordos de Lusaka de 1974, na Zâmbia, como o dia em que Lisboa passou a reconhecer oficialmente a independência de Lourenço Marques e o fim da África Oriental Portuguesa. Curiosamente, 25 de Julho é, também, a data da fundação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), o movimento independentista a quem o Governo foi entregue em 1975.

Para alguns o processo de independência é descrito como o “possível de se efectuar tendo em conta os desenvolvimentos da época”. Para outros, o processo devia ter tomado outro rumo. É verdade que em 1975 o Governo Português não tinha grande espaço de manobra para liderar um processo de transferência gradual de independência, mas estou certo que se houvesse interesse de todas as partes em que a troca de soberania tivesse tido cabeça, tronco e pés, hoje Moçambique seria um melhor país. Bastava fazer o que foi feito com Macau. Aí, o processo de transferência de soberania seguiu um plano elaborado e faz hoje de Macau um paraíso na Ásia.

Aqueles que receberam o poder no pós-25 de Abril em Moçambique souberam manobrar muito bem a História. A História que hoje os meninos e meninas aprendem é, podemos dizer, alterada. Há formas de contar uma história de forma imparcial. Apenas relatando os factos! Há outras em que a História é reescrita de forma a glorificar ou perpetuar uma determinada imagem negativa de algo. Guerra Colonial e Guerra de Libertação,  nomes diferente para a mesma guerra,  são um perfeito exemplo disto!

Foi impossível não reparar na propaganda que os principais jornais de Moçambique publicaram das edições do dia 25 de Julho. À propaganda política somavam-se os habituais “Parabéns Moçambique… fazes 34 anos (!)”. Coisa estranha para mim, pois nunca vi ninguém a fazer isto em Portugal. “Parabéns Portugal, estás velho, vais fazer 900 anos (!)” é algo que não ouvimos pois temos em nós um espírito de unidade que, pela lógica histórica, Moçambique ainda não partilha. Nesta mescla de etnias e línguas que é Moçambique, e à qual quase nenhum país africano escapa, a “livre circulação” de pessoas e mercadorias começa apenas agora a ser uma realidade. A nova Ponte sobre o Rio Zambeze, considerada a maior obra pública em Moçambique desde a independência, é apontada pelos políticos moçambicanos como o elo que faltava para a ligação interna do país. Mas, o caminho faz-se caminhando e não há dúvidas que em Moçambique as coisas não caminharam tão bem como “eles” queriam. É obvio que as diferenças continuam a existir e continua a ser impossível afirmar, praticamente em todas os campos, que agora Moçambique está melhor!

Força Moçambique!

Viva Moçambique!

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