A diferença…

A diferença entre o que consideramos ser civilizado e não civilizado está topicamente standardizado. Há sempre algumas oscilações de variam de país para país, de sociedade para sociedade e de cultura para cultura. Há contudo, standards mínimos. Por exemplo, ceder o lugar num machibombo a uma pessoa idosa. Mas às vezes, as pessoas conseguem surpreender-me! O machibombo ia cheio e por isso cedi o meu lugar a uma senhora de idade que não andava, nem se quer tinha cadeira de rodas. Simplesmente arrastava-se pelo chão. Subir para o machibombo foi como escalar uma montanha! Levantei-me e disse: “pode sentar-se aqui!“. As pessoas à minha volta comentaram a situação. Não percebi nada pois falavam Changana.  Fiquei alguns minutos de pé.

Surge, então, a cobradora que tinha assistido à situação toda. Pedi-lhe o meu bilhete e ela disse-me:

Se quiseres peço a alguém que se levante para te poderes sentar“.

Não obrigado!” – respondi.

Não percebi bem aquela atitude! Será que foi uma forma de dizer obrigado pela situação anterior… ou foi mais uma vez a minha cor de pele a falar mais alto?!

3 Responses to “A diferença…”


  1. 1 Rui Lima 11 de Março de 2010 às 17:56

    O que provavelmente terá sucedido foi o facto de por aqueles lados não estarem sensibilizados para esse tipo de reacção por manifesta falta de formação cívica, mas que após tal acto, terão interiorizado e entendido esse gesto nobre, facto que terá levado a que a entidade administradora do espaço, representada pela cobradora,reagisse como reagiu, para compensação por tal gesto, mas que invariavelmente, mais uma vez, pela manifesta pouca formação, a impeliu a uma situação descriminatória, até porque nem padeces de mobilidade reduzida….
    Em jeito de conclusão, a cobradora terá sido impelida pelas duas situações por ti apresentadas no último parágrafo.

    • 2 João Costa 13 de Março de 2010 às 18:08

      Autocarro, mulher negra, cedência de lugar, questão racial ou a diferença de cor da pele… é engraçado como este seu episódio por terras de Moçambique, pese embora algumas diferenças, me traz à memória a célebre história de Rosa Parks, a costureira negra que se tornou símbolo do Movimento dos Direitos Civis para a minoria negra norte-americana ao recusar-se a ceder o seu lugar num autocarro a um branco.

    • 3 albertocchaves 14 de Março de 2010 às 14:51

      Mais uma histório para o meu reportório!
      abraço


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