Arquivo de Outubro, 2009



Imagem do dia #098

Foto retirada recentemente na localidade de Chibuto.

Chibuto é a sede do distrito homónimo, localizado entre as fronteiras dos distritos de Chókwè e Xai Xai.

ChibutoA par da miséria, ergue-se uma localidade com ruas largas, alcatroadas e perfeitamente geométricas. Pena não haver a agitação de pessoas que existe no Chókwè.

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Ninguém pode desistir de votar

Interessante editorial do CANALMOZ de 15 de Outubro. Original disponível em http://www.canalmoz.com/default.jsp?file=ver_artigo&nivel=1&id=16&idRec=6551

Catorze (14) milhões de dólares americanos é uma estimativa muito limitada – muito limitada mesmo – que se faz do que tem estado a gastar, por ano, o presidente da Frelimo Armando Guebuza, nas suas “Presidências Abertas”, para pagar helicópteros, e toda a logística dos parasitas do sistema, obviamente sem contabilizar-se todos os outros meios do Estado usados. Só de helicópteros e pouco mais estima-se uma despesa acumulada de cerca de 70 milhões de dólares, em cinco anos. Esta estimativa vem de fontes da Sociedade Civil atentas a estes gastos.
Mais ainda: cerca de 3 milhões de USD estima-se que estejam a custar os helicópteros que estão a ser utilizados para esta campanha da Frelimo. Sairão das comissões do que, durante o quinquénio que está a terminar, o Estado pagou à companhia Helicópteros Capital? São vários helicópteros. Seis (6) pelo menos. Fazem um espectáculo imenso para o qual também estarão a contribuir as gasolineiras que estão a suportar o deficit dos preços dos combustíveis aos consumidores, nessa outra grande burla orçamental que um grupo de cidadãos irresponsáveis e sedentos de se perpetuarem no Poder, montaram para enganar os moçambicanos, enquanto durarem as eleições, para depois nos trazerem a factura que certamente nos vai doer bem nos bolsos, a partir de 2010.

Podemos avaliar os números referentes aos gastos com aluguer de helicópteros, de várias maneiras. Há quem já tem a barriga cheia e por isso terá a tendência de ir pela via política, dizendo que esta despesa enorme com helicópteros é um investimento que permite um contacto directo da população pobre com “o Presidente”. Muitos desses são aqueles que beneficiam das comissões e de toda a negociata em volta dos helicópteros. Mas de facto é muito dinheiro que faz falta ao dito combate à pobreza absoluta.

Nós somos daqueles para quem esse dinheiro são “quantias irrisórias”, terminologia que já um dia ouvimos dizer a um “jovem empresário de sucesso”, no julgamento do Caso Carlos Cardoso, o jornalista assassinado por ordem de mandates ainda não julgados. Somos daqueles que queremos abertamente, sem rodeios, dizer basta a este esbanjamento que tanta felicidade podia proporcionar a quem tem a dupla e fatídica sina de ser mesmo pobre e estar simultaneamente a ter de ouvir, quem esbanja, a dizer que está a combater a pobreza absoluta.

Nós nunca estivemos, não estamos, nem queremos estar aqui a puxar sacos. Por isso dizemos abertamente: quem anda a esbanjar dinheiro desta maneira está a enganar os moçambicanos quando diz que tem no seu programa o ideal de combater a pobreza absoluta.

Não pode ser verdade alguém dizer que quer combater a pobreza absoluta e gastar ao mesmo tempo, em helicópteros e cortejos, milhões de dólares dos nossos impostos e dos impostos dos Povos pobres de países do Grupo dos 19 que sustenta, pelo menos 55% do Orçamento Geral do Estado de Moçambique.

Nós recusamo-nos a ser cúmplices desta vergonha. Quem combate mesmo a pobreza absoluta faz contas e 70 milhões de dólares é um valor inadmissível para ser “mamado” desta maneira hipócrita.

Quem combate de facto a pobreza absoluta não gasta dinheiro desta maneira. E quem quer mesmo saber onde há miséria absoluta, não anda de helicóptero. Anda no terreno, anda inclusivamente a pé, anda por forma a sentir in loco os problemas dos pobres. Sobretudo não se esquece de onde veio e o quanto o ofendia a “riqueza absoluta” dos “colonialistas”.
De helicóptero anda quem quer estar longe das realidades e perto da teta leiteira dos cofres do Estado, “a chupar o sangue fresco da manada”.

Esta maneira hipócrita de nos falarem da pobreza que só vêem do alto, de helicóptero, faz-nos lembrar a história, ensinada nas escolas primárias após a Independência de Moçambique, do pai que comia cinzas para que os filhos não exigissem muito. Mais tarde os filhos descobriram que o pai nesse período de fome, afinal não comia cinzas, mas chupava mel.

Agora estamos perante um cenário parecido em que o presidente Guebuza e “a Esposa do Chefe de Estado” fingem chorar a miséria que os rodeia, mas ofendem, dia-a-dia, com gastos exorbitantes e inadmissíveis, essa mesma camada de moçambicanos que tantos dias nem sequer um pedaço de pão têm para enganar o estômago.

O que andam a gastar para irem dizer ao Povo que querem continuar a combater a miséria absoluta, seria suficiente para manter, com um rendimento mínimo nacional de 1.600,00 MT/mês, cento e cinco mil, setecentos e vinte e nove moçambicanos (115726), durante 12 meses. Com esse rendimento mínimo garantido, os beneficiários, cada um certamente saberia o que fazer para reproduzir esses valores e construir a sua própria riqueza sem ter de continuar pobre a ouvir quem diz combater a pobreza, ofendê-los com exibicionismos que nem os presidentes dos Países que ajudam Moçambique têm o descaramento de praticar.

Com este dinheiro quantas casas para jovens ou bancas para tirar os informais das ruas, ou postos de saúde, ou machimbombos se poderiam construir ou comprar? Quantas bolsas de estudo ou médicos poderiam ser contratados para que os moçambicanos não morressem enquanto outros estudavam? Quantas coisas poderiam ter sido feitas para o bem de Moçambique, e não apenas de um pequeno grupo a nível da actual Presidência da República, se o dinheiro gasto em helicópteros fosse bem gerido e gasto em coisas realmente úteis para o Povo?

Quem assim se comporta, será mesmo verdade que quer combater “a pobreza” e a “pobreza absoluta”?

Quem assim se comporta é mesmo republicano e socialista? Será que algum dia o foi ou só andou esperando a morte de Samora para exibir a sua verdadeira face?
Com estes gastos exorbitantes com os seis (6) helicópteros, que dirá a FDC da Senhora Graça Machel, esposa de Mandela? Não vê que quando anda a reunir-se em segredo com o presidente da CNE, João Leopoldo da Costa, para ajudar a transformar estas eleições uma burla, está apenas a tentar amaciar a ditadura, e a pôr “nívea” na burla que se preparou? O dinheiro dos helicópteros não seria melhor empregue em projectos de desenvolvimento comunitário?
E ainda aos representantes dos doadores. Quanto dos impostos dos pobres dos Vossos Países vai ter de continuar a alimentar esta ostentação “helicopteriana” dos desavergonhados que insistem em esbanjar dinheiro ao mesmo tempo que ofendem a miséria? Quanto tempo mais os Senhores vão permitir-se enganar os dignos Povos dos vossos Países aceitando que o dinheiro suado por eles continue a alimentar despesistas, chulos e burladores de eleições, nesta “dita democracia” em Moçambique?

Pobres povos que se sacrificam por nós moçambicanos!

Perante isto: que fazer? – A resposta é simples. É irmos massivamente às urnas votar e votar bem para acabarmos com estes abusos e esta maneira de gerir o erário público.
Votando, cada cidadão pode ajudar a acabar com estes parasitas, chulos e burladores do Povo Moçambicano e dos Povos irmãos e amigos de Moçambique.

O voto de cada um tem mais utilidade do que se pensa. Votar consciente é um imperativo nacional.

FONTE: CANALMOZ

Imagem do dia #097

Pode parecer mentira, mas esta é a realidade. A razão para tantos acidentes nas estradas moçambicanas é fácil de perceber: poucas são as estradas com qualidade e segurança, falta de civismo aos condutores, muitos condutores nem carta tiraram (!) e, por fim, o mau estado da frota automóvel do país. Automóveis velhos e em mau estado de conservação sofrem acidentes e reparos constantes. O resultado são acidentes mortais na maior parte dos casos.

Houston, we've got a problem!

Vai virar...

Ishh Yôwê

Fantástico spot promocional da Vodacom, rede de telemóvel moçambicana pertencente ao grupo Vodafone.

Imagem do dia #096

O calor era muito… o dia só ia a meio e havia ainda muito caminho por fazer. A estrada, como podem ver, era de terra batida, o que ao fim de alguns quilómetros se torna muito desconfortável: são os buracos, são as travagens frequentes devido a animais que aparecem pelo caminho (quando não são mesmo pessoas…) e é a poeira que o carro da frente levanta por vezes. No final, tudo isto era compensado pelas vistas de um cenário tropical desconhecido no mundo… Chongoene!

Chongoene

Diário de Bordo – Dia 1: se o elevador tivesse deixado…

Recentemente tive a oportunidade de fazer uma viagem de carro até Cape Town, África do Sul, na companhia de alguns amigos. Como forma de poderem acompanhar esta nova aventura de 4931kms, vou nas próximas semanas escrever um breve “diário de bordo” da viagem. O Dia 1 começa agora mesmo…

0 Km

 

A grande viagem até à Cidade do Cabo estava prestes a começar. À nossa frente tínhamos 2000kms até chegar à costa Atlântica. De um certo ponto de vista, a nossa viagem seria uma verdadeira coast to coast trip!

15 minutos antes das 5 horas da manhã, eu, a Andrea e o Aldo partimos de casa. Os raios de Sol ainda não cobriam os céus e um manto de fresca chuva cobria a cidade. A primeira paragem, ainda antes de deixarmos a capital moçambicana para trás, foi a casa do Martim. Esperámos, esperámos, esperámos… nada! 5.10h e nada… 5.15h e nada… Mandei uma SMS “O último a chegar paga o pequeno-almoço!”. Às 5.20h lá aparece o Martim… atrasado, mas apareceu! Se o elevador tivesse deixado ele estaria cá em baixo há muito mais tempo! Atafulhámos ordeiramente as malas na pequena mala do nosso super Suzuki Escudo e lá partimos em direcção à fronteira.

 Tudo lá para dentro!

  

Ressano Garcia e as centenas de quilómetros sentados

A passagem na fronteira, embora já muito além do nosso horário inicial, foi rápida. Até é de admirar, pois a uma sexta-feira o trânsito na principal fronteira terrestre de Moçambique é um autêntico caos! Do lado sul-africano, as cerimónias de carimbos nos passaportes também foram céleres.

À nossa frente estavam mais algumas largas centenas de quilómetros. As únicas paragens resumiam-se às áreas de serviço para reabastecer o depósito de gasolina.

 200... 300... 400kms

  

Joanesburgo… e as centenas de quilómetros sentados

Estrada, estrada, estrada… montanhas, montanhas, montanhas… campos, campos, campos… durante várias horas foram estas as vistas! Dos quatro passageiros a bordo, apenas eu e a Andrea tínhamos “autorização” para conduzir. De início tínhamos combinado que de 2 em 2 horas, mais coisa menos coisas, mudaríamos de posição, deixando um de ser piloto para passar a co-piloto. Mas, tudo não passou de uma fantasia nossa! Os turnos, sim, verdadeiros turnos de condução automobilística, passaram a ter a duração de 6 horas, o que dá uma média de 500kms a cada um. Um conduzia de manhã… o outro ficava com o turno da tarde. Os restantes passageiros, “parasitas” como vieram a ficar famosos, ora dormiam ora andavam de máquina em punho para registar a qualidade das estradas sul-africanas (diga-se, de excelente qualidade!).

Jo'burg à vista!

 

A meio dos primeiros 1000kms de viagem cruzámo-nos com a capital económica de África: Joanesburgo.

Jo'burg skyline

 

Ao longe um skyline de edifícios altos indicava que a grande cidade estava perto! Foi com alguma admiração, excitação direi eu, que constatamos a “maravilha” da arquitectura sul-africana nos arredores de Jo’burg… é o que dá passear na companhia de 3 arquitectos (desculpa Aldo, eu sei que não és arquitecto… mas para simplificar as coisas ficas neste lote!). Resumindo, durante cerca de 500kms os temas de conversa foram o GPS do Alberto e a arquitectura dos Sul-Africanos! Interessante, não?! 

Aldo 

Andrea

 

 

 

Bloemfontein… e as centenas de quilómetros sentados

Depois de Joanesburgo, o nosso destino final já se encontrava mais próximo: Bloemfontein.

A “fonte das flores”, tradução do Africânder para Português do nome da cidade, é a capital Judicial da África do Sul (recordemos que a África do Sul tem várias capitais). A cidade, fundada oficialmente pelos Britânicos em 1846, é, de igual forma, capital do Free State, uma das províncias que constituem este país.

Situa-se no meio do nada! Deserto praticamente! Não tem nada! Umas ruas “ao alto”, um casório extenso e nada mais. Não se passa nada nesta cidade e até os próprios habitantes reconhecem esta fama menos agradável de Bloemfontein.

Chegámos era já noite. Procuramos a guest house que previamente tínhamos visto na internet, descarregámos o nosso super guerreiro Escudo, fomos jantar e por fim estreámos as camas. O bem que soube uma cama ao final de 1000kms sentados! Uuhhfff…..

Pôr-do-Sol no Free State

Imagem do dia #095

Lourenço Marques, como qualquer grande cidade Portuguesa, também tinha a sua Praça de Touros. A “Monumental” de Moçambique está hoje ao abandono.

Podiam aproveitar e fazer como Lisboa fez com o Campo Pequeno, transformando este palco num recinto multifunções. Fica a ideia!

A Monumental de Lourenço Marques


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