Vida de expatriado… parte II

Continuando a saga do post anterior, hoje tenho mais uma experiência para vos relatar. Os vistos, esse autocolante todo cintilante e pomposo que nos permite permanecer legalmente dentro de Moçambique.

Quando saí de Portugal trouxe comigo um visto de Negócios com a duração de 6 meses. Era obrigado a sair do país de 60 em 60 dias. Às vezes, atravessava a fronteira a pé, carimbava o passaporte no lado da Suazilândia e nem 5 minutos depois já estava de novo dentro de Moçambique. Digamos que me podiam barrar a entrada no país, mas sempre tive sorte e sempre consegui entrar novamente na República sem grandes problemas. Mas, desta vez, era diferente. O visto caducava e eu tinha obrigatoriamente de sair. Aproveito para fazer pequena crítica ao Ministério dos Negócios Estrangeiros Português (crítica esta que a Cooperação Portuguesa já está a par): enviar uma dúzia de tugas para o estrangeiro mas não se preocupar com os problemas burocráticos relativos às autorizações de residência é um pequeno grande detalhe a rever nas próximas edições do INOV MUNDUS!

Por conselho dos Portugueses que já cá estão há mais tempo, a fronteira à qual me devia dirigir era a de Ressano Garcia. Ressano Garcia é a fronteira terrestre mais movimentada de Moçambique, funcionando como a principal porta de entrada para quem vem da África do Sul para o país.

E lá fui eu na sexta-feira passada…

O caminho até à fronteira, embora numa estrada em excelentes condições, é monótono! Apenas quando nos começamos a aproximar da fronteira o cenário muda, deixando para trás as extensas planícies, enveredando por um ar mais de montanha. Sendo a fronteira mais movimentada, é de esperar algum tempo para carimbar o passaporte. Mas, desta vez, tive de levar o carro também, o que atrasou ainda mais o processo porque é preciso “exportar” o veículo e, do lado sul-africano, “importar” o veículo! Uma saga de impressos para preencher.

Finalmente, já com tudo carimbado, atravessei a fronteira. Na África do Sul, nova maratona de preenchimento de papéis para o carro. Pediam muitas mais informações, é verdade, mas pelo menos já não perdemos tanto tempo na secção dos passaportes, pois os Portugueses têm “entrada livre” neste país, coisa que não acontece a quem chega a Moçambique.

Os carimbos e a papelada!

 

Para não dar muito nas vistas e voltar logo para Moçambique, conduzi até à povoação mais próxima, Komatipoort, apenas 4 quilómetros após a alfândega. Entrei numa loja, um supermercado à séria, repleto de produtos que em Moçambique ou não existem ou são extremamente caros, e comprei apenas uma caixa de Cheerios! Até nem seria uma extravagância se os mesmos Cheerios existissem em Maputo! J

Voltei à fronteira, carimbo aqui, carimbo ali e lá deixei a África do Sul. Do lado moçambicano tinha à espera, teoricamente, uma maratona de quase uma hora para conseguir um visto de fronteira que me permitisse permanecer no país durante os próximos 30 dias. SURPRESA, surpresa… nem 10 minutos demorou o processo de pedir um novo visto! Um feito histórico, pois Moçambique é conhecido pela lentidão dos seus serviços. Neste brevíssimos 10 minutos, ainda tive tempo para conhecer um albanês, uma alemã e um casal de australianos que, mais uma surpresa, trabalhavam em Guijá, o distrito vizinho de Chókwè. Aliás, disseram logo que iam frequentemente ao Chókwè para comer gelados!

“Gelados?! Mas eles não são famosos pela sua qualidade…” exclamei eu!

Já com o novo visto a ocupar uma nova página no meu passaporte quase dedicado exclusivamente a carimbos africanos, voltei para casa, nas calmas, chegando a Maputo ao final do dia.

Como podem ver, isto não é vida fácil… é vida de expatriado!

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