Diz que é uma espécie de safari!

Sábado… calor… bom tempo… Maputo!

O dia tinha começado assim com um sol radioso num céu magicamente azul! A temperatura quente estava a convidar um mergulho no Índico! Como estava em Maputo (à custa das histórias fantásticas do meu carro!!!) decidimos ir à Macaneta, uma praia situada às portas da capital moçambicana. O trânsito infernal de Maputo fez das suas e atrasou a nossa saída para a praia! Nem mesmo indo por atalhos conseguimos sair mais cedo da cidade. O objectivo era chegar o mais rápido possível ao local onde se apanha o ferry para a praia. Mas o nosso plano deu para o torto! Umas nuvens vindas sabe-se lá de onde começaram a cobrir o céu e cedo tudo ficou nublado. O Aldo deu a ideia de irmos fazer um safari. Se bem que há bicharada em Moçambique, safari à sério só na Gorongosa (um parque nacional que se situa em Sofala, no centro do país) ou então no Kruger, na África do Sul. Mas o Aldo garantia que havia um parque nos arredores de Maputo, pertinho do local onde nos encontrávamos, e que tinha, entre outros, girafas e búfalos. A outra opção, avançada por mim, era voltarmos para trás, conduzir em direcção à fronteira com a Swazilândia e visitar uma enorme barragem (a dos Pequenos Libombos) que abastece a cidade de Maputo. Dado o avançado do horário, os três molungos, eu, o Aldo e a Karen (colega de trabalho do Aldo), decidimos o safari! E que safari!

O parque, tão bom que era que nem do seu nome me lembro, fica perto de Maputo e prometia uma experiência muito agradável. Cada pessoa pode conduzir o seu próprio carro pelos caminhos do parque e procurar os animais à vontade.

No pseudo safari so vi isto...Chegamos! À entrada duas avestruzes davam as boas vindas! De carro percorremos os vários trilhos do parque… 5 minutos e só tínhamos visto a placa a dizer “safari e restaurante”; 10 minutos e estávamos no meio da vegetação; 20 minutos e continuávamos sem ver bichos nenhuns… 30 minutos e encontrámos as primeiras marcas de animais!!! UAU!!! Meia dúzia de cagadelas de bicho! Foi a histeria! Pena ao final de 1 hora às voltas não termos visto nada! Nikles, rien, nothing! Só árvores e uma galinha-do-mato! Pensei para mim “se calhar andaram a mostrar o Madagáscar à bicharada e agora emigraram todos para a ilha!

 

A pseudo manada...No final deste “diz que é uma espécie de safari num sítio onde não existem animais e onde o que se vê são apenas pombos (o que eu não considero animal tropical nem de savana)” acabámos por encontrar o restaurante! E para surpresa das surpresas ali estavam eles! Sim senhor, uma GIGANTESCA manada de 3 búfalos (até que pareciam três vacas pintadas de preto) e um crocodilo que quero acreditar que tenha sido comprado no Toys “R” Us!!!

Saímos do parque e eu ainda tive tempo para perguntar ao porteiro onde estavam os animais. “Deviam estar escondidos entre a vegetação” disse o senhor! Tu queres ver que as girafas andam a brincar às escondidas connosco?!

O pseudo crocodilo...

Como ainda era cedo resolvemos optar pela segunda opção do dia: a barragem dos Pequenos Limbombos. Entretanto o Martim (colega INOV Artes) juntou-se à trupe. Como já passava das 14 horas decidimos parar numa área de serviço à saída de Maputo para comprarmos algo para almoçar, mas, mais uma vez, os nossas planos saíram furados! Como pensávamos que o Martim ainda não tinha almoçado e como ele tinha estado doente nos dias anteriores, resolvemos mudar o local do almoçareco e parar no Shoprite, um complexo de lojas na cidade da Matola (equivalente à cidade do Barreiro para quem vivem em Lisboa), muito ao estilo shopping outlet em Portugal. Parámos, fomos ao Mundus (uma cadeia de restaurantes sul-africana) e pedimos o almoço. TODOS à excepção do Martim que, afinal (!) já tinha almoçado! A conversa alongou-se e quando demos conta já passavam das 16.30h o que nos impossibilitava de ir à barragem e voltar ainda de dia!

Regressámos à metrópole maputense e acabámos a noite no Gil Vicente.

No dia seguinte, Domingo, as nuvens continuaram a tapar o sol. Estava frio em Maputo!

Sem nada de especial para fazer fomos almoçar ao Mercado do Peixe. O Mercado do peixe é mesmo um mercado, onde cada um pode comprar o peixe ou marisco que quiser, e depois manda cozinhar num dos muitos restaurantes que existem dentro do mercado.

Mercado do Peixe

 

Estão a ver o que são vários vendedores atrás de nós com peixes na mão?

Compre aqui patrão

Peixe fresquinho

Olha a melhor lagosta do mercado

Camarão Tigre barato

O Martim andava numa saga para comprar lagostas… foi a uma banca, foi a outra, voltou à mesma, perguntou aqui, perguntou ali… nunca mais acabava o negócio!!! Como não sou amantes desse tipo de bichos com corninhos e patinhas que picam fiquei-me por um bom peixe grelhado!

A espera no restaurante foi muuuito longa e a música de fundo ao vivo transportávamo-nos para aquelas cenas típicas de casamentos! Só faltavam os noivos! 😉

Pela cara do Filipe (Colega INOV Mundus), da Karen e do Martim a lagosta estava mesmo muito boa! 😉

À noite, já cansados e sem nada para fazer, resolvemos ir ao cinema. Ainda há algumas salas em Maputo (uma das quais da Lusomundo) mas a nossa escolha recaiu num cinema indiano.

O filme, Om Shanti Om, verdadeira paródia à indústria de Bollywood segundo a crítica especializada, foi um sucesso de bilheteira. Sim, foi um sucesso de bilheteira porque a película foi lançada em 2007… mas só agora chegou a Moçambique!

Um par e meio de horas depois lá saímos da sala, ainda meio tontos com tantas beldades indianas, cor, dança, brilho e música! Ah, e o mais engraçado de tudo foi a parte das legendas. O filme é legendado em Inglês, já que é falado em Híndi, e depois, por baixo da tela, surgem umas legendas manhosas em Português. Além destas serem movidas manualmente, ou seja, está alguém a girar o rolo que contém a legenda em Português, os erros gramaticais são abundantes e, quando não podem ser apagados, pois foram escritos numa máquina de escrever, são riscados e esses riscos aparecem lá!!!

Fantástico!

Cena do filme "Om Shanti Om"

 

Em nota de rodapé tenho a dizer que me tornei fã de Bollywood! 😉

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4 Responses to “Diz que é uma espécie de safari!”


  1. 1 filipe 18 de Agosto de 2009 às 21:36

    super post!
    e super domingo aquele.

  2. 3 João Costa 28 de Agosto de 2009 às 22:54

    Caro Alberto Chaves,

    O relato do seu pseudo safari maputense é simplesmente hilariante! Se os responsáveis das Produções Fictícias (a empresa que foi berço dos Gatos Fedorentos e que também elabora textos para outros humoristas da nossa praça) o descobrem não deixarão de tentar contratá-lo para os seus quadros…
    Contudo, deixe que lhe diga o seguinte: um safari no Kruger Park (onde estive com a minha família em 1972, pois fica relativamente próximo de Massingir) até pode proporcionar um inigualável espectáculo de riqueza faunística, mas certamente não fará rir tanto como essa amostra de parque moçambicano que visitou!

    Um abraço,
    João Costa


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