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Lourenço Marques 1970

Lourenço Marques em 1970.

Cada vez que visito Maputo consigo perceber melhor o que teria sido a cidade de Lourenço Marques. Imponente sobre o Índico, confluência de vários povos. Lourenço Marques, a cidade das acácias, fica para sempre marcada na memória de quem a visita.

Lourenço Marques/Maputo 122

PARABÉNS!

Notícias: Maputo aos 122 anos

 

Hoje a cidade de Maputo faz 122 anos! Apesar de ter sido fundada pelos Portugueses em 1782, apenas em 10 de Novembro de 1887 a então feitoria comercial foi elevada à categoria de vila. Desde então, 1887 passou a ser a data oficial do aniversário da cidade.

Grandes desafios desafiam a grande urbe moçambicana.

“Com cerca de 1,9 milhões de habitantes, Maputo assume-se como um cenário típico que se debate entre crescimento e desenvolvimento, onde ressalva uma convivência entre o velho e o novo que legitima o crescimento horizontal e vertical da urbe. Mais do que nunca, a natureza dos problemas que se colocam à cidade das acácias configura desafios que exigem cada vez maior engenho nas soluções da modernidade, ainda com aspectos latentes de ruralidade, no pensamento estratégico e dinamismo na execução dos projectos” – publica o Notícias na sua edição de hoje.

A capital do país, há muito detentora do cognome de Pérola do Índico, é um paraíso na costa Oriental de África! Com apenas 122 anos de existência, Maputo atingiu o seu expoente máximo entre os anos 60 e 70 do século passado. A urbe desempenhou um forte papel económico em toda a região, tendo sido um dos ângulos do importante triângulo industrial Durban – Transvaal – Lourenço Marques. Foi devido ao desenvolvimento do Transvaal (antiga região mineira do interior da África do Sul) e devido à posição estratégica que a cidade ocupava, que permitiu o rápido desenvolvimento de Lourenço Marques. Além deste triângulo económico, Lourenço Marques era um importante local de ligação da ex-Rodésia (actual Zimbabué) às rotas marítimas internacionais.

A Administração Portuguesa da ex-Província Ultramarina Moçambique arquitectou uma cidade futurista, com largas avenidas, vários complexos de edifícios altos, parques industriais e zonas de lazer. Uma cidade moderna e desenvolvida que hoje carrega sobre si os problemas da sobrelotação, má gestão, abandono, poluição extrema e anos de desleixo que impedem a cidade de funcionar correctamente.

Maputo (Outubro de 2006) © Wikipédia

 

Apesar das actuais circunstâncias, Maputo continua a ser uma cidade com potencial! A todos os Laurentinos, parabéns!

A visão Soviética da expulsão dos Portugueses em 75

Recupero aqui a notícia que o jornal “O País” publicou a 23 de Abril de 2009.

Samora tratou os portugueses de forma dura.

Diplomatas soviéticos, que deram início às relações diplomáticas entre URSS e Moçambique, criticam a política de Samora Machel face à população portuguesa branca, sublinhando que, nesta área, o antigo presidente moçambicano se comportou de forma semelhante ao ditador soviético José Estaline. 

De forma dura, como Estaline, Samora Machel tratou os portugueses que viviam em Moçambique. Muitos deles receberam com entusiasmo os combatentes pela independência, quando entraram em Lourenço Marques, e estavam prontos a cooperar de todas as formas com a Frelimo”, escreve Piotr Evsiukov, primeiro embaixador soviético em Moçambique, em “Memórias sobre o trabalho em Moçambique”, a que a Lusa teve acesso. 

Também aqui se revelou o extremismo de Samora Machel.

Ele apresentou aos portugueses condições tais de cidadania e residência em Moçambique de modo a que, na sua esmagadora maioria, se sentiram obrigados a abandonarem  o país… Com a fuga dos portugueses, a economia de Moçambique entrou em declínio”, recorda. 

Piotr Evsiukov recorda que Machel era um convicto admirador de José Estaline. “Samora Machel falou-me várias vezes do seu apego e respeito por J. Estaline.

Durante a visita oficial de uma delegação de Moçambique à URSS, Samora Machel terminou a viagem na Geórgia. Depois das conversações com Eduard Chevarnadzé, Sérgio Vieira, membro da direcção da Frelimo, veio ter comigo e pediu-me, em nome do presidente, para arranjar um retrato de Estaline. Claro que os camaradas georgianos satisfizeram o pedido com agrado”, escreve Evsiukov.  

Arkadi Glukhov, diplomata soviético que chegou antes de Evsiukov para abrir a embaixada da URSS em Lourenço Marques, escreve: “Após o fim da segunda guerra mundial, Lisboa, tendo diante de si os exemplos da queda dos impérios coloniais da Inglaterra e França, enveredou pela via da reforma intensa do seu sistema colonial, nomeadamente no campo das relações entre raças da política social e cultural“.

Tudo isso foi levado à prática na chamada política de ‘assimilação’, cujos rastos sentimos com evidência quando chegamos a Moçambique”. Porém, continua o diplomata soviético, “esses rastos começaram a desaparecer rapidamente, principalmente depois da entrada na cidade (Lourenço Marques) das unidades militares da Frelimo e da intensificação de medidas e de todo o tipo de limitações (frequentemente inventadas) contra a população portuguesa, não obstante, em geral, ela ser leal e estar pronta a cooperar com os novos poderes”.

Segundo Glukhov, “no fim de contas, isso levou à partida em massa dos portugueses do país, o que se reflectiu de forma grave na sua vida económica e aumentou a tensão nas relações entre raças”.

in http://www.opais.co.mz/opais/index.php?option=com_content&view=article&id=762:samora-machel-portou-se-como-estaline&catid=63:politica&Itemid=273

Imagem do dia #040

Skyline de Maputo! Dá para imaginar como seria Lourenço Marques… :)

Skyline de Maputo © Hugo J.

Aquele brilho que Lourenço Marques tinha

Maputo: Avenida 24 de JulhoPor momentos parece que recuei no tempo!

 

Lourenço Marques, 1960…

 

A capital de Moçambique é uma cidade completamente diferente do resto do país. Imagino o que teria sido no período colonial.

 

Maputo de hoje herdou esses traços de cidade moderna, cosmopolita e africana. O planeamento da cidade deixa muitas cidades europeias cheias de inveja. Avenidas largas, praças e jardins, filas de árvores, passeios largos. A cidade era preenchida por edifícios altos, muitas vezes com mais de 15 andares, o que lhe dá um ar jovem e muito urbano. Localizada junto a uma longa baía, a cidade estende-se ao longo de uma marginal ladeada de palmeiras e praias de perder de vista. Há 40 ou 50 anos atrás, Lourenço Marques era, sem dúvida, uma cidade com uma qualidade de vida muito boa. Geometricamente desenhada, tudo parece ter sido estrategicamente posicionado. A arquitectura colonial mistura-se junto ao porto com as alturas e traços dos prédios dos anos 60 e 70. Tirando as referências óbvias a Portugal, a cidade não tinha nada que a identificasse com as cidades da velha metrópole.

 

Entrada do Mercado Municipal de MaputoHoje, o espírito da cidade continua vivo, mas a guerra e o desleixo deixam a cidade com uma cara muito feia. Cicatrizes profundas que assustam qualquer um!

Maputo, capital da República de Moçambique, cidade com mais de 1,5 milhões de habitantes, é rodeada por uma mar de casas de palha, barracões e um trânsito infernal. As avenidas mudaram de nome. Os prédios de arquitectura vanguardista para a época em que foram construídos estão hoje ao abandono ou, então, num estado de degradação impressionante. A estrada marginal, que nos leva do interior da Baia de Maputo para o exterior da cidade, não passa hoje de uma estradeca subaproveitada.

Infelizmente, os habitantes da cidade não souberam preservar o esplendor que a cidade tinha. Lixo nas ruas, trânsito descontrolado, um péssimo sistema de transportes colectivos, peões com pouco civismo…

À mistura encontramos o oposto! Como em qualquer cidade do mundo, há sempre uma parte reservada aos mais ricos e poderosos. A zona central, com muitos cafés e restaurantes encontra-se minimamente apresentável. A comunidade de expatriados é grande, mas os pontos de encontro são sempre os mesmos. Há alguns clubes algo elitistas onde é difícil encontrar um cidadão moçambicano que esteja do lado de fora do balcão! Um desses clubes, um bar para ser mais concreto, está localizado precisamente no interior da estação de caminhos-de-ferro de Maputo. Um edifício com uma arquitectura colonial de se lhe tirar o chapéu, provavelmente uma das mais bonitas estações de comboios do mundo, onde é possível beber uma Manica (cerveja), ouvir boa música e ver os comboios passar! Um outro local de encontro da comunidade estrangeira, especialmente da extensa comunidade Portuguesa, é o Clube Naval. Junto à Baía de Maputo, com vistas espectaculares para a Ilha de Ilhaca e para o Índico, este é o clube da “crème de lá crème” da comunidade Lusa em Maputo.

Ao entrarmos na zona das embaixadas mais parece que estamos a abandonar Maputo. As avenidas continuam a ser largas, mas o trânsito diminui, o lixo desaparece e jardins de palmeiras dividem as faixas de rodagem. Realmente bonito!

 

Maputo está agora numa lenta transição. A mistura entre as bancas do mercado municipal, verdadeira jóia da arquitectura portuguesa, e as lojas do moderno, mas de gosto discutível, Maputo Shopping Centre, é sinónimo da transformação que se alastra pela cidade.

Uma outra coisa que qualquer estrangeiro irá notar ao circular em Maputo é a influência da ideologia comunista na cidade. Vladimir Lenin, Mao Tzé Tung ou Kim Il-Sung são nomes dados às principais avenidas de Maputo! O brasão de armas de Moçambique é, pasmem-se (!), uma réplica dos usados pelas ex-Repúblicas Soviéticas!

 

Ontem foi dia 25 de Abril… há muitos anos atrás, numa revolução que afinal foi um golpe de Estado, os dados da História definiram o futuro desta magnífica cidade. Daqui a menos de 2 meses festeja-se o dia da independência de Moçambique, o dia em que Lourenço Marques passou a designar-se oficialmente como Maputo, o mesmo nome do rio que desagua na baía da cidade.

 

Passaram 35 anos. A cidade mantém-se sobranceira ao Índico, mas perdeu aquele charme dos tempos idos. As paredes estão escuras, o chão está sujo. É preciso renovar esta cidade. É preciso limpar a cidade e trazer de volta aquele brilho que Lourenço Marques tinha!

 

Depois de Maputo tenho de ir visitar a grande cidade da Beira, mil e muitos quilómetros a norte da capital…

 

Em Maputo, 26 de Abril de 2009


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