Chókwé, Chókwè, Chókué ou Choqué. São estas as quatro formas de escrever a nome da segunda cidade mais importante da Província de Gaza.
Chókwé, designada por Vila Trigo de Morais sob a autoridade Portuguesa (nome do engenheiro que planeou a rede de canais de água), está situada junto ao rio Limpopo, numa área de grande potencial agrícola. Em 17 de Agosto de 1971 foi elevada a cidade e em 13 de Março de 1976 passa a denominar-se Chókwè.Em 2002, estimava-se que o município teria 50 000 habitantes, numa área de 50 km².
O Distrito (equivalente a concelho em Portugal) de Chókwè está inserido a sul da Província de Gaza e está ligado à rede viária principal do país. Pelo distrito passa, também, a linha de caminhos-de-ferro que liga o Porto de Maputo à fronteira com o Zimbabué em Vila Eduardo Mondlane (Distrito de Chicualacuala).
O potencial agrícola da região é enorme, mas continua subaproveitado. A vastíssima rede de canais construída pelos Portugueses nas décadas de 60 e 70 dotaram o distrito com 40% da capacidade nacional de produção em regadio. A Província de Gaza detém 70% da rede de regadio de todo o Moçambique. O Rio Limpopo é o grande fornecedor de água à região e à rede de canais. Predomina o cultivo do arroz.
A cidade é conhecida no país pela qualidade da produção de tomates e por ser uma cidade que passagem e refúgio de bandidos. A fronteira com a África do Sul, pouco guardada por estas bandas devido à proximidade com o Krugger Park (santuário de vida animal) faz desta cidade um local de passagem e contrabando de produtos e bens roubados no outro lado da fronteira.
MAPA DA PROVÍNCIA DE GAZA


Senhor Alberto Chaves,
Ontem, quando deambulava pela Internet, tive a grata surpresa de encontrar o seu blogue. Espero poder visitá-lo mais vezes, dado o meu grande interesse em conhecer a realidade actual de Chókwè, cidade moçambicana onde vivi com a minha família nos anos 70, quando era miúdo. Na Trigo de Morais de então fiz o exame da 4ª classe e o 1º ano do Ciclo Preparatório, pois em Massingir, onde o meu pai trabalhava na construção da barragem local e a minha família também tinha residência, apenas existia ensino primário. Durante a maior parte da nossa estadia nessa cidade do vale do Limpopo, eu e a minha família vivemos num prédio de primeiro andar situado na rua onde também existia a prisão (peço desculpa de não encontrar na minha memória uma referência mais simpática). Resta-me, pois, agradecer-lhe pela viagem virtual que me proporcionou, através do seu blogue e dos vídeos que colocou no Youtube, a essas terras africanas que recordo com tanta nostalgia.
João Costa
Caro João Costa,
Será com muito prazer que passarei a colocar no blog mais informações sobre o Chókwè! E foi com muita alegria que li o seu comentário! Na realidade, tenho outros amigos que também têm blogs (poderá ver nos links deste blog) e que já foram contactados por diversas pessoas que, tal como o Senhor, viveram momentos inesqueciveis em Moçambique.
A minha estada em Chókwè está a ser uma surpresa todos os dias! Há muitas diferenças com o nosso Portugal… mas, às vezes quando ando pelas ruas da cidade parece que ainda “estou” no meu país. As casas… as pessoas… tudo faz relembrar Portugal. Hoje, a cidade já tem muito de moçambicano mas, fica lá no fundo uma alma Portuguesa. Acredito que há muitas décadas atrás esta teria sido uma cidade com uma qualidade de vida muito boa. Tudo era muito bem arranjado, havia muitas serviços (coisa que hoje temos falta)… enfim, muitas coisas que deviam ter feito de Trigo Morais uma cidade muito agradável!
Vou dando notícias…
abraço,
alberto
Caro Alberto Chaves,
Anteontem, tentei enviar-lhe uma mensagem (através do endereço de correio electrónico donotreply@wordpress.com), mas como lamentavelmente a minha literacia informática deixa muito a desejar fiquei com dúvidas de que a referida mensagem tenha chegado até si. Por isso, permita-me que envie novamente a mensagem em questão através deste espaço de comentários ao seu post, mesmo não considerando a mesma propriamente um comentário:
Muito obrigado por ter respondido à minha mensagem. Desde já lhe agradeço os relatos e imagens sobre a realidade actual dessa região de Moçambique que queira transmitir-me através do seu blogue ou directamente para o meu endereço de correio electrónico lusonavegante@yahoo.com . Pela minha parte, sem querer abusar da sua paciência e caso isso lhe suscite algum interesse, gostaria de partilhar consigo algumas das memórias dos meus tempos de rapaz nessas terras de África. A propósito, há algum tempo descobri no site da RTP um vídeo do programa “Em Reportagem”, transmitido em 2007-10-03, cujo título era “A tribo do Trigo de Morais”.
Confesso-lhe que fiquei deliciado quando vi essa reportagem televisiva da autoria do jornalista Alberto Serra. Reconheci, por exemplo, a Aldeia da Barragem (lembro-me de uma vez em que lá fui com a minha família e encontramos a albufeira repleta de hipopótamos) e achei graça à coincidência do senhor padre da missão do Caniçado ser meu homónimo. Caso ainda não conheça o referido vídeo da RTP e pretenda visioná-lo deixo-lhe aqui o respectivo link: http://www.rtp.pt/multimedia/?tvprog=20716&idpod=9152&pag=recentes
Um abraço.
João Costa
Caro João Costa,
Como está?
Desculpe a demora na resposta mas estive sem acesso à internet nestes últimos dias… coisas de Moçambique!
Eu estive a prestar atenção às ruas de Chókwè e cheguei à conclusão que apenas poderia ter vivido na rua principal (salvo erro chamava-se Rua das Acácias, actual Av. Eduardo Mondlane), pois é aí que encontro os edifícios com, pelo menos, um andar além do r/ch.
Vou-lhe enviar uma foto para o seu email para ver se era esta a sua casa ou não. caso nao seja diga-me que continuarei à procura, ok?
E já agora, para quando uma visita a Chókwè? Isto está muito mudado e acredito que seja difícil voltar cá pois as emoções falam sempre muito alto nestas ocasiões.
Para me contactar directamente poderá usar o meu email pessoal: albertocchaves@hotmail.com.
um abraço de Chókwè,
alberto