Lá ao fundo 3 leões, 2 girafas e uma manada de elefantes…
é uma barafunda…

Pequenos apontamentos do que se passa deste lado do mundo em Moçambique
Lá ao fundo 3 leões, 2 girafas e uma manada de elefantes…
é uma barafunda…

A minha saga nos chapas parece não ter fim! Acho que isto funciona como os pontos da Galp ou as milhas da TAP, quanto mais andas, mais regalias tens!
Hoje, eu e a Inês fomos convidados a ocupar os lugares da frente (1ª classe!!!) e ainda nos ofereceram o mata-bicho (espécie de pequeno-almoço Moçambicano) a bordo! Contudo, o mata-bicho foi muito ao estilo low cost… apenas umas bananitas!

Qual será a próxima surpresa no chapa?!
“As janelas tão garridas que ficavam
com cortinados de chita às pintinhas
perderam de todo a graça porque é hoje uma vidraça com cercaduras de lata
às voltinhas“

Desta é que foi!
Record dos records… passei a barreira física das 27 pessoas dentro de um carro para 15!!! Nada mais, nada menos que 30 almas enfiadas dentro de um chapa!
Começo a desconfiar que a minha concepção de espaço vital está a diminuir…
O frio que eu apanhei nesse fim de dia… não havia chapa… fui numa carrinha de caixa aberta até casa!

Todos os dias são uma experiência nova! E nada melhor que vivenciar este país à Mozambique way of life!
Na passada segunda-feira chegou a Chókwè a nova voluntária que irá trabalhar comigo no Orfanato durante os próximos 30 dias.
A Inês Albergaria vem de Lisboa e pela primeira vem à África pura e dura. Claro, o choque… passar de Lisboa para Maputo ainda vá que não vá… agora de Maputo para o meio do mato no Chókwè é dose extra!
“Passei da high society de Maputo para o mato” – exclamou a Inês ao constatar a realidade chokwense!
E há lá coisa melhor do que experimentar todas as maravilhas desta cidade num só dia?! Vamos lá enumerar:
1. sair de Maputo, a única cidade pseudo-desenvolvida de Moçambique, às 6 da matina num machibombo e demorar 4 horas para fazer 200kms…
2. ser a única molunga (branca) no machibombo…
3. chegar e constatar que o Chókwè é uma cidadezinha no meio do mato rodeada de canais de água (óptimos para a criação de mosquitos da malária)…
4. apanhar o chapa para ir trabalhar… e demorar uma eternidade para lá chegar…
5. chegar a meio do caminho e ser transferido para outro chapa…
6. no regresso, esperar 45 minutos e não conseguir apanhar nenhum chapa…
7. só haver uma opção para regressar a casa e fazer os 35 kms: pedir boleia!
8. pedir boleia a uma carro da EDM (Electricidade de Moçambique) e viajar na caixa aberta…
9. estar um frio de rachar e não ter roupa para o Inverno da savana (faz mesmo frio caramba!)…
10. dormir apavorada com medo das baratas, ratos e dos mosquitos! Apesar de eu já lhe ter dito que em casa não havia nada dessa bicharada!
E, para marcar ainda mais a estada em terras africanas, nada melhor que uma sessão de pancadaria no chapa de hoje à tarde! Tudo porque o cobrador não queria aceitar a nota de 20 Meticais como pagamento porque esta já era muito velhinha! Como a senhora não tinha outra nota… e como não havia ninguém que a ajudasse… o saco de viagem ficou retido e só seria devolvido quando uma nova nota aparecesse! Não apareceu e lá começaram ao murro e à chapada! Eu achei super graça… o resto do pessoal só se ria… a Inês, pouco habituada a este quotidiano chapense, gritava “ai ai ai… parem parem parem!”

À vinda, e para acabar o dia em beleza, o nosso chapa que além de pessoas transportava uma família de baratas, participou numa corrida de chapas… Ganhámos!
TGV?!

Começava como transparente… depois vinha o azul turquesa… depois o verde… logo a seguir o azul escuro… eram estas as cores do mar num dia de Inverno na Praia do Bilene!

Zona de acidentes…
